Apostas em bets online avançam entre jovens e gera alerta nacional
Avanço das apostas online na juventude acende debate sobre saúde mental e educação
Cada vez mais jovens buscam auxílio para superar a dependência de apostas online, conforme aponta Luiz Carlos, integrante da irmandade Jogadores Anônimos. Segundo ele, o atendimento a adolescentes a partir dos 14 anos já faz parte da rotina dos grupos de apoio, estendendo-se também a faixas etárias de 15 a 35 anos. O jovem Gustavo Pereira, de 24 anos, relata que iniciou sua trajetória nas bets aos 18 e perdeu meio milhão de reais em um intervalo de seis anos. Atualmente, após períodos de depressão e síndrome do pânico, ele está há cerca de dois meses sem apostar, trabalha vendendo café nas ruas de Lages (Santa Catarina) e utiliza suas redes sociais para relatar sua superação e ajudar outras pessoas.
Especialistas explicam que a facilidade proporcionada pelos celulares amplia a exposição juvenil. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que uma em cada cinco pessoas no mundo inicia apostas digitais até os 11 anos, patamar que salta para 78% a partir dos 12 anos. Uma pesquisa divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação revelou que 9,5% dos estudantes do ensino fundamental e médio analisados fizeram a primeira aposta aos 11 anos, sendo que quase metade dos alunos do terceiro ano do ensino médio já apostou. A psicóloga Mariana Kehl pontua que a vulnerabilidade dos jovens ocorre porque o cérebro ainda está em fase de maturação, impulsionando a busca por dopamina e prazer imediato sem o devido controle de impulsos.
Impactos financeiros e reflexos na educação
O avanço do setor também compromete a vida acadêmica e financeira dos cidadãos. Um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) demonstra que 34% dos entrevistados precisariam cessar os gastos com apostas para conseguirem ingressar em uma graduação em 2026. Entre os universitários, 14% relataram atrasos em mensalidades ou o trancamento do curso em decorrência das despesas com plataformas digitais. O diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, destaca que o dinheiro direcionado aos jogos interfere nas decisões educacionais, criando barreiras de permanência no ensino superior.
O diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Tiago Braga, reforça que as apostas configuram um gasto prejudicial e não um investimento, alertando para o risco de ideação suicida associada ao endividamento. Diante da gravidade do cenário, a legislação brasileira avançou com a sanção do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), conhecido como Lei Felca, em setembro de 2025, com entrada em vigor em março de 2026. O texto estabelece responsabilidade compartilhada entre plataformas, famílias e Estado, exigindo mecanismos rigorosos de verificação de idade e proibindo o acesso de menores de 18 anos às apostas online. Com informações da Agência Brasil.


