Geração Z e Millennials lideram coro pelo fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou novos dados que revelam um forte desejo de mudança, especialmente entre as gerações mais jovens. De acordo com um levantamento recente realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, a vasta maioria dos brasileiros com até 40 anos é favorável à extinção da escala 6×1 (onde se trabalha seis dias para um de descanso). Entre os jovens de 16 a 24 anos e os adultos de 25 a 40 anos, o índice de aprovação para o fim desse modelo chega a 82%, sob a condição de que não haja cortes nos rendimentos mensais.

Na média geral da população, que engloba todas as faixas etárias, o apoio à proposta ainda é majoritário, com 63% dos entrevistados posicionando-se contra a manutenção da atual escala, independentemente de condicionantes salariais.

Perspectivas geracionais e o peso do salário
A pesquisa detalha como as diferentes gerações enxergam a flexibilização do tempo de trabalho. Na Geração Z (16 a 24 anos), 31% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1 de forma irrestrita, mesmo que isso pudesse afetar o salário. Outros 47% condicionam o apoio à manutenção da remuneração atual.

Entre os Millennials (25 a 40 anos), o entusiasmo é semelhante: 35% são totalmente favoráveis à mudança, sem ressalvas financeiras, enquanto 42% apoiam a medida desde que o pagamento não seja reduzido. Somando-se as opiniões, o bloco de brasileiros até 40 anos apresenta uma coesão notável em torno da pauta do bem-estar e da reestruturação do tempo laboral.

Por outro lado, o levantamento indica que o apoio diminui conforme a idade avança. Entre pessoas de 41 a 59 anos, o índice de aprovação cai para 62%. Já na população com mais de 60 anos, o apoio ao fim da escala 6×1 é de 48%, sendo a única faixa etária onde a proposta não alcança a maioria absoluta.

Mudança de valores e o futuro do trabalho
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os números refletem uma transformação profunda na mentalidade do trabalhador brasileiro contemporâneo. Ele observa que o grupo de pessoas que aceitaria o fim da escala 6×1 mesmo com uma eventual redução salarial, embora menor, é significativo o suficiente para indicar que a prioridade está migrando da remuneração exclusiva para a qualidade de vida.

“Isso sugere uma mudança de valores em relação ao trabalho”, afirma Tokarski. A busca por um equilíbrio maior entre a vida profissional e pessoal parece estar consolidada como uma demanda prioritária para as novas forças de trabalho que ingressam ou se estabelecem no mercado.

A pesquisa ouviu 2.021 brasileiros em todas as unidades da federação entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o estudo oferece um panorama robusto para as discussões legislativas e sociais que cercam o tema no país. Com informações da Agência Brasil

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