Hipertensão: o perigo silencioso que atinge jovens e eleva risco de infarto

A pressão alta está se tornando um problema crescente entre os mais jovens, mas muitos ainda desconhecem os sérios riscos que ela representa. Fatores como estresse, má alimentação e sedentarismo contribuem para a progressão da doença, que, sem diagnóstico e tratamento adequados, pode levar a problemas cardíacos graves, como o infarto, e até mesmo a complicações neurológicas.

O aumento da pressão arterial em jovens e os riscos ignorados
A hipertensão arterial, ou pressão alta, é reconhecida como uma das principais causas de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares e neurológicas. Contudo, grande parte da população, especialmente os jovens, continua subestimando os perigos dessa condição muitas vezes silenciosa.

Uma pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) revelou que quase um terço dos entrevistados (31,3%) não sabe que a hipertensão é um dos principais fatores de risco para o coração e pode causar infarto. Esse dado é particularmente preocupante.

Outro estudo, da National Health and Nutrition Examination Survey (NHES), nos EUA, indicou que, entre 2.600 jovens de 8 a 19 anos pesquisados, 9% apresentavam pressão arterial elevada e 5,5% sofriam de hipertensão grave. No geral, estima-se que um terço dos adultos norte-americanos seja afetado pela doença.

“O principal problema é a negligência. Muitos acham que é um problema só de idoso e acabam deixando de lado os cuidados com a saúde”, alerta o cardiologista Guilherme Arruda, do Hospital São Luiz Anália Franco, da Rede D’Or.

De fato, o número de casos em pessoas entre 30 e 40 anos tem crescido. Estresse, má alimentação, sobrepeso, rotina sedentária e privação de sono são alguns dos fatores que contribuem para o aumento da pressão nas artérias e a sobrecarga do coração, abrindo um caminho perigoso para o infarto.

Dados do Ministério da Saúde mostram que quase 40 mil pessoas morreram por hipertensão no Brasil em 2021, um aumento de 72% em comparação a 2011. Esse número evidencia a progressão da doença, que muitas vezes avança sem sintomas claros.

Diagnóstico, prevenção e tratamento: pilares para uma vida saudável
A hipertensão é diagnosticada quando a pressão arterial se mantém em níveis iguais ou superiores a 14 por 9 (140×90 mmHg). Acima desse limite, o risco de problemas sérios como AVC, insuficiência cardíaca, arritmia e infarto aumenta consideravelmente.

A condição pode ser de origem primária, quando relacionada à genética, ou secundária, surgindo em decorrência de outras doenças como diabetes, problemas renais, disfunções da tireoide ou colesterol elevado.

“O diagnóstico é simples, feito por meio da medição da pressão com um aparelho no braço. Mas os perigos são enormes, especialmente em quem tem fatores de risco como histórico familiar, sobrepeso, tabagismo, alcoolismo e estresse constante”, explica o cardiologista.

É comum que a hipertensão não apresente sintomas em mais de 90% dos casos. Quando surgem, podem ser confundidos com sinais corriqueiros, como dor de cabeça, tontura, falta de ar ou visão turva.

Por essa razão, exames preventivos e consultas médicas regulares são cruciais, mesmo para pessoas com menos de 40 anos. “Quanto mais cedo a hipertensão é descoberta, maiores são as chances de controle e menor o risco de infarto. E, para isso, o mais importante é aderir a mudanças no estilo de vida”, reforça Guilherme Arruda.

O tratamento da hipertensão vai além da medicação. Uma alimentação saudável, a prática regular de atividade física e o controle do estresse são os pilares tanto da prevenção quanto do manejo da doença. Dietas como a mediterrânea, com menor teor de gordura e sal, são muito benéficas. A redução no consumo de carnes vermelhas, embutidos e carboidratos refinados também faz uma grande diferença.

“Praticar ao menos 300 minutos de atividade física por semana é outro ponto fundamental. Além disso, parar de fumar, moderar o consumo de álcool e cuidar da saúde mental completam o pacote de boas práticas”, enfatiza o especialista.

Quando essas medidas não são suficientes, o médico pode indicar o uso de medicamentos, cujas doses variam de acordo com cada caso e devem ser sempre monitoradas. As informações são da Assessoria de Comunicação da Rede D’Or

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