GRNEWS TV: Vape conquista jovens com sabores e médico alerta sobre risco de epidemia

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Matheus Assunção Goebel, médico pneumologista, Mary Campos, coordenadora das Equipes Multiprofissionais da Atenção Primária à Saúde e Neide Almeida, ex-fumante, destacaram que o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens já é tratado por especialistas como um grave desafio para a saúde pública. Com aparência moderna, tecnologia chamativa, aromas agradáveis e sabores como frutas, chiclete e tutti-frutti, os chamados vapes são desenvolvidos para despertar a curiosidade e facilitar a experimentação. O problema é que muitos usuários acreditam, de forma equivocada, que o dispositivo libera apenas vapor e não causa dependência nem danos ao organismo.

Profissionais da saúde alertam que essa estratégia de marketing torna o público jovem ainda mais vulnerável. Em alguns casos, os dispositivos chegam a ser comercializados em formatos que lembram brinquedos, pen drives e outros objetos do cotidiano, reforçando a falsa impressão de que são produtos inofensivos. A pressão dos colegas também exerce forte influência, levando muitos adolescentes a experimentar o vape para serem aceitos em determinados grupos sociais.

Lesões pulmonares, dependência e prevenção nas escolas
Especialistas ressaltam que o cigarro eletrônico contém nicotina altamente viciante e centenas de substâncias químicas, muitas delas reconhecidamente cancerígenas. Entre as doenças associadas ao uso está a EVALI, uma grave lesão pulmonar relacionada ao vape, que provoca intensa inflamação dos pulmões e pode deixar sequelas permanentes, como fibrose pulmonar e falta de ar crônica.

Durante rodas de conversa realizadas com estudantes, muitos jovens demonstraram interesse em conhecer os riscos reais do cigarro eletrônico e sugeriram que esse tipo de discussão seja levado a todas as escolas. Segundo os profissionais, a prevenção é mais eficaz quando acontece por meio do diálogo, da informação baseada em evidências e da participação dos próprios adolescentes, sem julgamentos ou criminalização.

A avaliação dos especialistas é que combater o avanço do vape exige uma atuação conjunta entre escolas, famílias, profissionais da saúde e projetos de prevenção. A informação contínua e o esclarecimento dos mitos sobre o cigarro eletrônico são considerados fundamentais para reduzir a experimentação precoce e evitar que uma nova geração desenvolva dependência da nicotina.

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