GRNEWS TV: Por que a raiva ainda exige vacinação mesmo sendo rara

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, o médico-veterinário Oscar Leitão, Referência Técnica do Centro de Controle de Zoonoses São Francisco de Assis (CCZ), disse que a baixa frequência de casos de raiva no Brasil não significa que a doença deixou de representar risco. Segundo Oscar Leitão, a vacinação de cães e gatos é um dos principais motivos para o controle da variante associada aos cães. O último registro dessa variante no país ocorreu em 2019 e, desde 2020, os casos identificados em cães e gatos estão relacionados à transmissão por animais silvestres, especialmente morcegos.

Em 2026, foram registrados 19 casos de raiva em cães e gatos no Brasil, todos associados à variante de morcego. A doença apresenta letalidade próxima de 100%, e os raros casos de recuperação humana podem deixar sequelas neurológicas graves.

Vacinação protege também as pessoas
A campanha começa pela zona rural porque a circulação do vírus no ambiente silvestre representa uma fonte de risco para animais domésticos e de produção. A imunização cria uma barreira que reduz a possibilidade de o vírus chegar aos animais que convivem diretamente com as pessoas.

Oscar ressalta que a população, de modo geral, não recebe a vacina contra a raiva de forma preventiva. A vacinação humana é indicada em situações específicas, como para determinados grupos profissionais, ou após exposição ao vírus. Por isso, manter cães e gatos imunizados é uma medida importante de prevenção.

Morcegos também ameaçam animais de produção
O risco não se limita aos pets. Em 2025, foram registrados 374 casos de raiva em animais de produção no Brasil, sendo 60 em Minas Gerais. Entre os animais afetados estão bovinos, equinos, suínos, caprinos e ovinos.

Os sinais podem ser confundidos com outros problemas. Um animal com dificuldade para engolir, por exemplo, pode parecer estar engasgado. Tentar retirar algo da boca pode levar ao contato com a saliva contaminada.

A presença da variante de cão na Bolívia também mantém ações de vigilância na fronteira para evitar sua reintrodução no Brasil.

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