Feirão da Empregabilidade aproxima pessoas com deficiência e empresas em Pará de Minas
Encontro promove contato direto com empresas
A aproximação entre pessoas com deficiência em busca de oportunidades profissionais e representantes de empresas marcou, nesta quinta-feira (24), o primeiro Feirão da Empregabilidade voltado especificamente a esse público em Pará de Minas. A iniciativa foi realizada no Centro Administrativo Social Deputado Federal Dr. Eduardo Barbosa e reuniu candidatos, profissionais de recursos humanos e equipes envolvidas na inclusão no mercado de trabalho.

A programação começou com um bate-papo sobre emprego apoiado, conduzido pela psicóloga Bárbara Moura, da Apae. O tema abordou a importância do acompanhamento e da construção de condições adequadas para a inserção das pessoas com deficiência nas empresas. O evento também contou com apresentação artística do Grupo Ubuntu e atendimento aos participantes.
A ação foi promovida pela Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, dentro da programação do Dia D Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

Candidatos e empresas no mesmo espaço
O coordenador do Sine, José Alves da Silva Neto, explicou que a realização do Feirão ocorreu a partir de uma orientação recebida da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese-MG), em conjunto com o Ministério do Trabalho, para que os municípios realizassem atividades do Dia D entre os dias 21 e 25 de setembro.
Em Pará de Minas, a programação foi concentrada no dia 24. Para José Alves, colocar trabalhadores e representantes dos departamentos de recursos humanos frente a frente facilita tanto a identificação de oportunidades quanto o conhecimento sobre os perfis profissionais dos candidatos.
Segundo ele, a presença de várias empresas no mesmo local também contribui para que os empregadores encontrem profissionais para as vagas destinadas às pessoas com deficiência, inclusive para atender às exigências legais relacionadas à reserva de postos de trabalho.
O coordenador avaliou positivamente o resultado da iniciativa. Além da participação do público, ele destacou a conversa inicial promovida pela Apae sobre emprego apoiado e o acompanhamento que pode ser realizado junto às empresas.

José Alves considera que o Feirão cumpriu uma função importante ao criar um espaço específico de diálogo entre candidatos e empregadores. Ele também informou que o Dia D voltado às pessoas com deficiência ocorre anualmente e que uma nova edição deverá ser realizada em 2027:
José Alves da Silva Neto
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Sine mantém atendimento durante todo o ano
Mesmo fora de eventos específicos, o Sine oferece serviços destinados a trabalhadores que procuram colocação profissional. De acordo com José Alves, o atendimento inclui orientações relacionadas à Carteira de Trabalho e Previdência Social Digital e ao cadastramento dos interessados no sistema de oportunidades.
A partir desse cadastro, os trabalhadores podem ser orientados sobre as vagas disponíveis no momento, considerando seus perfis profissionais. O serviço também contempla pessoas com deficiência.
O coordenador orientou quem não conseguiu participar do Feirão a procurar diretamente o Sine. O atendimento ocorre das 7 às 16 horas e, quando existe uma vaga compatível com o perfil e a deficiência do trabalhador, o órgão pode realizar o encaminhamento para a empresa.

Empresas destacam diversidade e conhecimento dos candidatos
A assistente de recursos humanos Tifanny Gonçalves da Silva ressaltou que a participação das empresas no Feirão permite ampliar o contato com diferentes profissionais e conhecer melhor suas experiências e capacidades.
Para ela, um dos principais aprendizados proporcionados pelo encontro foi a necessidade de ouvir as pessoas com deficiência para compreender como promover sua inclusão. Tifanny destacou que nem sempre é necessário criar uma estrutura completamente nova para receber esses trabalhadores, mas identificar adaptações possíveis e construir um ambiente no qual eles se sintam incluídos e respeitados.
A profissional também observou que o contato direto permite conhecer candidatos que já possuem experiência profissional ou formação em determinadas áreas, mas que procuram novas oportunidades para ampliar seus conhecimentos e desenvolver outras experiências.

Dessa maneira, o Feirão funcionou não apenas como um espaço para apresentação de vagas, mas também como uma oportunidade para que as empresas conhecessem diferentes trajetórias e qualificações profissionais:
Tifanny Gonçalves da Silva
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Candidatos relatam acolhimento e expectativa
Entre as pessoas que participaram da busca por oportunidades estava Laura de Souza Alves. Para ela, a realização de um evento específico para pessoas com deficiência representa uma abertura de novas possibilidades profissionais no município.
Laura afirmou que considerava escassas as oportunidades destinadas a esse público e avaliou o Feirão como uma iniciativa que abriu novas portas. Após conversar com representantes de duas empresas durante o evento, ela relatou ter sido bem recebida e acolhida.
A experiência também deixou a candidata otimista em relação ao futuro profissional. Laura afirmou estar animada e empolgada com as possibilidades apresentadas durante o encontro:
Laura de Souza Alves
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Deficiência visual ainda enfrenta obstáculos
O Feirão também colocou em evidência desafios específicos enfrentados pelas pessoas com deficiência visual. O cubano Alejandro Tornes Condes, que vive há um ano no Brasil e participou da atividade em busca de emprego, relatou sua experiência como pessoa com deficiência visual congênita.
Segundo Alejandro, ainda existem dificuldades para encontrar oportunidades profissionais adequadas às pessoas com deficiência visual em Pará de Minas. Ele destacou a necessidade de ampliar vagas em áreas administrativas e em funções que envolvam atividades como atendimento e utilização de computadores.
Na avaliação dele, embora existam avanços relacionados ao emprego apoiado para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, a inclusão de trabalhadores com deficiência visual ainda precisa avançar. Ele também apontou a existência de situações de preconceito e capacitismo como fatores que podem dificultar o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho.
Alejandro afirmou, porém, que a busca por oportunidades deve continuar. Para ele, o trabalho desenvolvido por associações pode contribuir para demonstrar as habilidades e capacidades das pessoas com deficiência visual e ampliar o reconhecimento de seus potenciais profissionais.
Sobre o Feirão, sua avaliação foi positiva. Ele considerou a organização adequada e destacou especialmente a capacitação realizada pela Apae e os assuntos abordados durante a programação. Também ressaltou que o encontro representou uma oportunidade para evidenciar talentos, habilidades e possibilidades profissionais das pessoas com deficiência:
Alejandro Tornes Condes
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Inclusão depende da aproximação
A primeira edição do Feirão da Empregabilidade em Pará de Minas reuniu, em um mesmo ambiente, trabalhadores que buscam inserção ou recolocação profissional e empresas interessadas na contratação de pessoas com deficiência.
Além de facilitar o contato entre candidatos e profissionais de recursos humanos, a iniciativa abriu espaço para discutir o emprego apoiado, conhecer diferentes perfis profissionais e identificar obstáculos que ainda precisam ser enfrentados, especialmente no caso da deficiência visual.
A realização do evento dentro da programação do Dia D reforçou a discussão sobre direitos, autonomia e participação das pessoas com deficiência na sociedade, enquanto os atendimentos regulares do Sine permanecem como alternativa para quem busca oportunidades profissionais ao longo do ano.


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