Juros básicos caem pela quinta vez seguida mesmo com conflitos externos

Corte inédito na taxa básica

Apesar das pressões decorrentes de conflitos armados no Oriente Médio e dos impactos provocados pelo fenômeno climático El Niño, o Banco Central optou por cortar os juros fundamentais da economia pela quinta vez consecutiva. Tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária, a medida reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando o índice em 13,75% ao ano, em total consonância com as projeções previamente divulgadas pelo mercado financeiro.

Cautela diante de incertezas globais
Em nota oficial, o colegiado destacou que o cenário internacional continua instável devido às indefinições ligadas aos confrontos no Oriente Médio e aos rumos da política monetária em nações desenvolvidas. Tal conjuntura exige prudência por parte de países emergentes, principalmente em um ambiente marcado pela alta volatilidade de preços de commodities e ativos financeiros. Ademais, a atuação do comitê ocorreu com defasagem de membros, visto que os mandatos de diretores expiraram no final do ano anterior e o Poder Executivo ainda não enviou os nomes dos substitutos para avaliação do Congresso Nacional.

Comportamento da inflação oficial
Como principal ferramenta de controle da inflação oficial, medida por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a Selic reagiu a um cenário de arrefecimento nos preços. No mês de agosto, o índice registrou variação negativa de 0,32%, o patamar mais brando em quatro anos, impulsionado pelo bônus tarifário nas contas de energia elétrica. No acumulado de doze meses, o indicador recuou para 4,22%, ficando abaixo dos 4,44% observados em julho. O setor de alimentação também colaborou para essa retração mensal, embora o avanço do El Niño ameace encarecer os mantimentos nos próximos meses.

Novas regras de metas contínuas
O país opera sob o modelo de meta contínua, estabelecido no início de 2025, no qual o objetivo central de inflação determinado pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%. O sistema conta com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo o teto em 4,5% e o piso em 1,5%. Nesse formato, a apuração ocorre mês a mês com base nos doze meses anteriores, deslocando a verificação ao longo do tempo. Projeções recentes do Banco Central apontavam o indicador em 5,2% para o ano corrente, enquanto o boletim Focus aponta estimativa de 4,9%, patamar superior ao teto permitido.

Efeitos na atividade e no crédito
A diminuição da taxa básica de juros barateia o crédito, estimulando diretamente a produção e o consumo interno, embora dificulte a contenção de preços. O documento trimestral da autoridade monetária projeta expansão de 2% para a economia nacional, enquanto analistas consultados semanalmente estimam um crescimento um pouco menor, na casa de 1,89% para o Produto Interno Bruto. Com informações da Agência Brasil.

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