Com orçamento de R$ 236 milhões em 2026, Saúde terá foco em diagnóstico e reorganização de fluxos
A nova direção da Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas deverá combinar gestão administrativa, suporte técnico e revisão dos fluxos de atendimento. Após o prefeito Inácio Franco anunciar nesta terça-feira, 1º de setembro, a exoneração de Gilberto Denoziro Valadares da Silva, o vice-prefeito Luiz Fernando de Lima foi escolhido para comandar a pasta, com apoio técnico da servidora efetiva Cristiane dos Santos Paulino.
Com 27 anos de atuação na saúde pública municipal, Cristiane afirma que já possui levantamentos de demandas e defende que as decisões sejam tomadas a partir de um diagnóstico da realidade local. Entre as possibilidades em análise está a ampliação de agendas e o reforço do atendimento médico em locais onde houver necessidade.
Rede atende população de 103 mil habitantes
Cristiane destaca a dimensão da estrutura de saúde existente em Pará de Minas e o tamanho da responsabilidade assumida pela nova equipe.
Servidora efetiva desde 1999, ela afirma ter acompanhado diferentes administrações e mudanças nas políticas públicas de saúde. Atualmente, segundo os dados apresentados por ela, o município tem aproximadamente 103 mil habitantes, dos quais 75% dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
A rede municipal, conforme Cristiane, reúne 66 estabelecimentos, abrangendo desde as Unidades Básicas de Saúde até o hospital. Para ela, essa estrutura representa uma condição diferenciada entre os municípios.
Outro dado destacado é o percentual de recursos destinados à saúde. Cristiane afirma que Pará de Minas investe mais de 30% nessa área desde 2013, percentual que considera significativo diante das necessidades existentes e que também representa um desafio para o equilíbrio das demais áreas da administração municipal.
Para 2026, o orçamento destinado à saúde está estimado, segundo a servidora, em aproximadamente R$ 236 milhões:
Cristiane dos Santos Paulino
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Demanda é maior que a capacidade de atendimento
Apesar da estrutura e do volume de recursos destinados ao setor, Cristiane ressalta que as necessidades da população são superiores à capacidade de atendimento imediato.
Consultas, exames e internações estão entre as demandas citadas por ela. Por isso, a gestão precisa estabelecer prioridades e organizar os serviços de acordo com as necessidades mais relevantes.
Ela utilizou como exemplo uma UBS que atende aproximadamente 3.500 pessoas. Em situações de procura elevada, a agenda disponível pode não ser suficiente para atender todos os usuários simultaneamente, o que resulta em períodos de espera.
A proposta da nova condução da Secretaria de Saúde é justamente identificar onde existe possibilidade de ampliar a oferta.
Cristiane explicou que uma das alternativas será analisar cada unidade para verificar onde é possível abrir novas agendas para determinadas demandas. Dependendo da necessidade identificada, também poderá ser avaliado o reforço do atendimento médico.
A intenção é utilizar os recursos disponíveis de maneira planejada, priorizando os problemas considerados mais relevantes:
Cristiane dos Santos Paulino
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Diagnóstico deve orientar as decisões
Para Cristiane, não basta ampliar indiscriminadamente a quantidade de atendimentos. O planejamento precisa partir de um levantamento da situação de saúde da população e buscar equilíbrio entre quantidade e qualidade.
Ela relatou que já participou de levantamentos realizados com coordenadores e equipes da Vigilância em Saúde, considerando aspectos como o perfil demográfico do município, o envelhecimento da população, a parcela economicamente ativa, a saúde dos trabalhadores e as condições sociais e econômicas dos moradores.
Também entram nessa análise informações sobre quem utiliza os serviços públicos, quais são as principais causas de adoecimento e quais problemas estão relacionados às mortes registradas no município.
Esses dados servem de base para o planejamento da Secretaria Municipal de Saúde. Cristiane explicou que existe um Plano Municipal de Saúde para orientar as ações, mas ressaltou que esse planejamento não é estático.
Segundo ela, o plano é acompanhado e avaliado periodicamente, inclusive com prestação de contas à Câmara Municipal.
A próxima apresentação dos resultados, conforme informado na entrevista, está prevista para quinta-feira (03), quando deverão ser apresentados os serviços realizados no período e os desafios que permanecem para a gestão.
Faltas em consultas preocupam a gestão
Um dos pontos identificados como capazes de interferir no tempo de espera é o número de pacientes que não comparecem às consultas agendadas.
Cristiane revelou que realizou um levantamento sobre os atendimentos do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e identificou uma média de 5.500 consultas ofertadas por mês. Desse total, aproximadamente 16% registram ausência dos pacientes.
Na avaliação dela, esse percentual representa um volume expressivo, principalmente porque existem outras pessoas aguardando atendimento na fila.
Uma das dificuldades apontadas está justamente na comunicação com os usuários. Segundo Cristiane, as equipes enfrentam situações em que tentam entrar em contato por telefone para confirmar os atendimentos, mas os pacientes não atendem às ligações.
Por isso, a secretaria avalia estratégias para melhorar a confirmação das consultas.
WhatsApp pode ajudar a reduzir faltas
A utilização do WhatsApp já ocorre em algumas situações, mas Cristiane explicou que o mecanismo ainda não alcança todos os atendimentos.
A proposta é aperfeiçoar a comunicação para confirmar previamente a presença dos pacientes e, com isso, reduzir o número de faltas.
A lógica é aproveitar melhor as vagas existentes. Quando uma pessoa não comparece e não comunica previamente a ausência, o horário deixa de ser utilizado por outro paciente que também aguarda atendimento.
A reorganização desse processo pode contribuir para melhorar o aproveitamento das agendas e reduzir parte do tempo de espera.
Cristiane ressaltou, porém, que a solução exige a adoção de diferentes estratégias e não depende exclusivamente de uma ferramenta de comunicação.
Teleconsultoria já integra o atendimento
Outra ferramenta mencionada por Cristiane é a teleconsultoria utilizada na Atenção Primária.
Antes de um paciente ser encaminhado pela UBS para uma consulta especializada no AME, existe a possibilidade de o médico da unidade recorrer à teleconsultoria para avaliar a situação clínica.
Segundo ela, o serviço funciona por meio de uma parceria envolvendo uma instituição ligada à Faculdade de Ciências Médicas e a Secretaria de Estado de Saúde.
Nesse modelo, os médicos podem obter, em até 48 horas, uma avaliação relacionada à necessidade de atenção especializada e à condição de saúde do usuário.
A ferramenta faz parte das estratégias já disponíveis na rede e pode auxiliar na organização dos encaminhamentos para os serviços especializados:
Cristiane dos Santos Paulino
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Mudanças devem considerar diferentes gestões
Com experiência acumulada desde 1999, Cristiane também foi questionada sobre as diferenças entre administrações municipais e sobre a possibilidade de reproduzir modelos adotados anteriormente.
Ela defendeu cautela nesse tipo de comparação. Segundo a servidora, a realidade da saúde pública mudou ao longo dos anos, assim como as políticas estaduais e nacionais, os governos e as condições econômicas do país.
Cristiane também observou que diferentes administrações enfrentaram cenários econômicos distintos. Algumas encontraram condições mais favoráveis, enquanto outras precisaram lidar com períodos menos favoráveis.
Outro fator citado é a redução da arrecadação e o aumento da procura pelo SUS por pessoas que anteriormente contavam com planos ou convênios de saúde.
Mesmo diante das dificuldades, ela ressaltou que identificou avanços em todas as administrações pelas quais passou. Na avaliação da servidora, cada gestão implementou ações e serviços que permanecem como benefícios para a população.
Saúde exige participação de diferentes setores
Cristiane também defendeu maior integração entre a Secretaria Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Conselho Municipal de Saúde e população.
Segundo ela, a saúde pública não pode ser tratada de forma isolada, porque envolve toda a estrutura de políticas públicas e exige participação coletiva.
A Câmara Municipal, conforme destacou, tem papel de fiscalização das ações, dos serviços e dos recursos aplicados na área. O Conselho Municipal de Saúde também participa do acompanhamento das políticas do setor.
Para a servidora, esse diálogo é importante para que as decisões sejam baseadas nas necessidades efetivamente identificadas no município.
Ela reforçou ainda que os recursos disponíveis são limitados diante de uma demanda que considera praticamente ilimitada. Por isso, a definição de prioridades passa a ser uma etapa fundamental do trabalho da nova gestão:
Cristiane dos Santos Paulino
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Expectativa é recuperar a confiança
Ao falar sobre a nova etapa da Secretaria Municipal de Saúde, Cristiane colocou como uma das principais expectativas a recuperação da confiança da população nos serviços públicos.
A proposta apresentada por ela combina diagnóstico, planejamento, monitoramento dos resultados e reorganização dos fluxos.
A possibilidade de ampliar agendas, reforçar equipes médicas onde houver necessidade, melhorar a confirmação das consultas, reduzir faltas e utilizar ferramentas como a teleconsultoria está inserida nesse processo.
A nova estrutura de comando terá Luiz Lima à frente da secretaria e Cristiane dos Santos Paulino no suporte técnico. A expectativa apresentada é que a combinação entre gestão administrativa e conhecimento técnico permita identificar gargalos e definir mudanças de acordo com as necessidades da rede.
Nesse cenário, os próximos passos deverão envolver a análise dos dados disponíveis, a identificação das demandas prioritárias e a avaliação das possibilidades de reorganização dos serviços, mantendo como referência a capacidade existente e os recursos destinados à saúde municipal.
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