Dia Mundial Sem Tabaco reforça alerta sobre mortes e dependência causada pelo cigarro em Pará de Minas

Rede municipal amplia ações de prevenção, apoio psicológico e atendimento especializado para ajudar fumantes a abandonar o vício

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo, 31 de maio, volta a acender o alerta sobre os impactos devastadores do cigarro na saúde da população. Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data busca conscientizar as pessoas sobre os riscos provocados pelo tabagismo, considerado atualmente a principal causa evitável de mortes no planeta.

Além do câncer de pulmão, o tabagismo também está diretamente associado a doenças cardiovasculares, enfisema pulmonar, bronquite crônica, acidente vascular cerebral (AVC) e diversos outros problemas respiratórios.

Os perigos do fumo e os desafios do diagnóstico tardio
O médico pneumologista Matheus Assunção Goebel, que atua no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do município, faz um alerta contundente sobre os danos sistêmicos que o tabaco causa ao corpo humano. O especialista explica que o hábito de fumar está diretamente associado ao desenvolvimento de doenças graves.

O cigarro provoca vários problemas de saúde, não só pulmonares, como também no corpo todo. É a principal causa da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), caracterizada por tosse e falta de ar progressiva. Além disso, aumenta muito o risco de infarto, AVC e câncer em diversos órgãos:

Matheus Assunção Goebel
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Um dos maiores desafios apontados pelo médico em relação ao câncer de pulmão é a sua evolução silenciosa. Por crescer em regiões do órgão que não possuem receptores de dor, a doença frequentemente só manifesta sintomas quando já se encontra em estágio avançado. Sinais como tosse crônica que piora com o tempo, emagrecimento sem causa aparente e dor ao respirar merecem investigação imediata.

O médico ressalta a importância dos programas de rastreamento voltados para fumantes de longa data, utilizando tomografias de baixa dose de radiação. Identificar o tumor em tamanho reduzido possibilita intervenções cirúrgicas com chances reais de cura:

Matheus Assunção Goebel
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

O pneuologista também esclarece um mito comum sobre o consumo moderado: não existe nenhuma quantidade segura de cigarro. O efeito do tabaco funciona por acúmulo de dose e resposta ao longo do tempo. Mesmo quem consome poucos cigarros por dia, mas mantém o hábito por décadas, está exposto a riscos graves de adoecimento. O perigo estende-se também aos fumantes passivos, que convivendo em ambientes fechados com tabagistas, apresentam maior incidência de asma, DPOC e câncer pulmonar:

Matheus Assunção Goebel
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A armadilha moderna dos cigarros eletrônicos entre os jovens
Outra preocupação alarmante que mobiliza as autoridades de saúde é a rápida popularização dos dispositivos eletrônicos, conhecidos como vapes. Comercializados muitas vezes com aromas e sabores atrativos, esses produtos têm como alvo principal os adolescentes, mascarando uma carga de toxicidade severa:

Matheus Assunção Goebel
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Ele também destaca os atendimentos em pneumologia geral que realiza no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), além do rastreamento e do tratamento das pessoas com câncer de pulmão:

Matheus Assunção Goebel
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Atendimento aos tabagistas no SUS em Pará de Minas
A coordenadora das Equipes Multiprofissionais da Atenção Básica (EMAB), Mary Campos, enfatiza a necessidade de desmascarar a indústria do tabaco. Ela aponta que o uso de substâncias sintéticas tem provocado o adoecimento pulmonar precoce em jovens de 13 a 15 anos em níveis alarmantes:

Mary Campos
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Rede de apoio e tratamento integral no município
Para enfrentar esse cenário, Pará de Minas conta com uma linha de cuidado integral que começa na Atenção Primária. Mary Campos detalha que o município atua com foco contínuo na prevenção e no tratamento:

Mary Campos
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O Programa de Saúde na Escola (PSE), em parceria com o governo federal, realiza palestras e dinâmicas contínuas para evitar que crianças e adolescentes iniciem o hábito de fumar:

Mary Campos
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Para quem já fuma e deseja parar, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município têm como diretriz a oferta anual de pelo menos um grupo de apoio terapêutico. Esse trabalho é estruturado a partir do Programa Nacional de Controle do Tabagismo e segue as diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Mary Campos
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Em Pará de Minas, os números reforçam a preocupação. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde apontam que, entre 2020 e 2026, foram registradas 91 mortes relacionadas ao câncer de pulmão, traqueia e brônquios no município. No mundo o cigarro mata anualmente 8 milhões de pessoas:

Mary Campos
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Mary Campos destaca que qualquer cidadão pode procurar a UBS mais próxima para se informar sobre o cronograma dos próximos grupos, independente do seu bairro de residência. Quando o paciente já apresenta comprometimentos severos à saúde causados pelo tabaco, a rede municipal direciona o caso para o atendimento especializado no AME. Lá, os pacientes contam com consultas em pneumologia geral e reabilitação específica por meio do ambulatório de fisioterapia respiratória.

Ex-fumante relata transformação após abandonar cigarro
Quem conhece de perto os desafios da dependência é a servidora Neide Almeida, que conseguiu abandonar o cigarro após participar de um grupo de apoio ao antitabagismo.

Ela relembra que inicialmente teve resistência em procurar ajuda, principalmente pela sensação de prazer provocada pelo cigarro.

No entanto, segundo Neide, a convivência com outras pessoas que enfrentavam os mesmos desafios foi decisiva para o sucesso do tratamento.

Ela também fez questão de agradecer aos profissionais da saúde que participaram do processo:

Neide Almeida
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Qualidade de vida mudou completamente
Após abandonar o cigarro, Neide relata melhorias significativas na saúde, no bem-estar e até na autoestima.

“A primeira coisa foi me libertar da dependência química. Depois veio a qualidade de vida, a disposição física, o paladar, o sorriso”, destacou.

Hoje, ela incentiva outras pessoas a procurarem ajuda nas unidades de saúde:

Neide Almeida
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Conscientização continua sendo principal arma
Especialistas reforçam que parar de fumar reduz significativamente os riscos de doenças graves e melhora a qualidade de vida em curto e longo prazo.

A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que fumantes interessados em abandonar o vício procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre os grupos de apoio e acompanhamento disponível na rede pública.

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