Marcas da Serra da Mantiqueira conquistam premiações internacionais e consolidam a qualidade do azeite mineiro
A colheita de azeitonas nas terras altas da Serra da Mantiqueira caminha para a reta final neste primeiro semestre com a expectativa de alcançar patamares nunca antes registrados. Levantamentos iniciais indicam que o volume de azeites extravirgens produzidos na região deve superar a marca de 300 mil litros, o que representa o dobro do recorde anterior estabelecido há dois anos, quando foram processados 150 mil litros. O avanço dessa atividade no estado está diretamente ligado ao suporte técnico da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), instituição responsável pela histórica primeira extração de óleo de oliva em solo nacional, realizada em 2008.
Rigor laboratorial e testes sensoriais asseguram a excelência dos produtos
Mesmo com um volume total de mercado considerado recente, os rótulos regionais têm acumulado condecorações ao redor do mundo devido à riqueza de sabores e à pureza de suas composições. De acordo com o corpo científico da Epamig, o reconhecimento em competições globais valida os métodos de manejo adotados e comprova o alto padrão das mercadorias, que passam por triagens químicas e de paladar rigorosas antes de chegarem às gôndolas.
Nos laboratórios, os especialistas monitoram indicadores cruciais como os níveis de acidez, índices de peróxidos e o perfil de polifenóis das amostras, garantindo a ausência de falhas que possam desclassificar o produto. Em paralelo, analistas avaliam os quesitos sensoriais que definem a identidade de um bom óleo, mensurando o frescor do frutado, a intensidade do amargor e a persistência da picância na boca.
Turismo rural e premiações em feiras mundiais dão visibilidade aos olivicultores
Para os proprietários rurais de Maria da Fé, as medalhas conquistadas funcionam como um selo de credibilidade que fomenta outros segmentos econômicos, como o turismo gastronômico. Em propriedades locais que já somam conquistas expressivas em eventos chancelados pelo Conselho Oleícola Internacional na Espanha, a exploração de visitas guiadas e rotas de degustação tem atraído viajantes de diversas partes do país, aproveitando o fato de a olivicultura ser uma prática concentrada em poucos territórios brasileiros.
Neste ano, fazendas locais registraram produções individuais expressivas de até 5 mil litros, unindo a venda direta de rótulos premiados a experiências de hospedagem e passeios que figuram entre as mais recomendadas em plataformas globais de viagem.
Combinação de solo e altitude posiciona marcas mineiras entre as melhores do mundo
O segredo por trás do sucesso dos óleos da Mantiqueira reside na harmonia entre as características naturais da região — que englobam a elevada altitude e a grande variação de temperatura entre o dia e a noite — e os cuidados técnicos na colheita e na moagem rápida dos frutos. Essa exatidão no campo, fortalecida pelo intercâmbio de conhecimento com pesquisadores estrangeiros e com a Epamig, permitiu que variedades desenvolvidas em solo mineiro entrassem para listas exclusivas de tiragens limitadas na Europa.
Com produtores projetando marcas individuais de até 7 mil litros para este ciclo, o mercado celebra um crescimento contínuo desde as primeiras colheitas comerciais nesta década. Beneficiada por um inverno e uma primavera com condições climáticas ideais, a safra atual se consolida como um marco para a fixação do azeite de oliva brasileiro no disputado cenário da alta gastronomia internacional. Com informações da Agência Minas


