GRNEWS TV: Prevenção é o maior desafio da atenção primária em saúde
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Maria de Lourdes Liguori, enfermeira Referência Técnica da Vigilância Epidemiológica e Patrícia Pimenta, cirurgiã dentista Especialista em Cirurgia Buco Maxilo Facial, que abordaram ações de prevenção de ISTs e manifestações bucais.
UBS não é urgência, mas precisa resolver o território
A Unidade Básica de Saúde não tem função de pronto-socorro, mas precisa, sim, dar conta dos principais agravos que atingem a população do seu território. Quando a prevenção e a promoção da saúde falham, a consequência aparece alguns anos depois em forma de filas, consultas lotadas e aumento da demanda espontânea. Não adianta apenas abrir novos PSFs ou contratar mais profissionais se a raiz do problema não for enfrentada.
Mudança de hábitos exige trabalho constante
A atenção primária é considerada a ponta do sistema e também uma das áreas mais complexas da saúde pública. Seu foco está na mudança de comportamento, algo que exige tempo, diálogo e vínculo com a comunidade. Tornar o cidadão corresponsável pela própria saúde é um dos maiores desafios, especialmente quando o cuidado só é buscado após o surgimento de sintomas.
Baixa adesão acende alerta
Indicadores mostram que, mesmo com metas claras, como alcançar a maioria da população sexualmente ativa ao longo do ano, a cobertura ainda está muito abaixo do ideal. Quando o acompanhamento não acontece de forma preventiva, o diagnóstico tende a ser tardio, provocando um efeito em cadeia: mais pessoas doentes ao mesmo tempo e serviços ainda mais sobrecarregados.
Rotina focada apenas na queixa não resolve
Na prática, muitos atendimentos se resumem ao modelo “queixa e conduta”, resolvendo apenas o problema imediato. Essa lógica impede ações mais amplas de vigilância em saúde, orientação contínua e sensibilização da população. Sem esse trabalho prévio, a atenção primária acaba presa a uma rotina reativa, sempre correndo atrás do prejuízo.
Prevenção precisa ser compartilhada
A vigilância em saúde dentro do território depende de uma atuação conjunta entre equipes e moradores. O ideal é que a própria população reconheça comportamentos de risco e procure ajuda antes do agravamento. Quando isso não ocorre, a UBS absorve uma sobrecarga crescente, reflexo direto da falta de informação e conscientização.
Conscientizar dá mais trabalho, mas é essencial
Profissionais reconhecem que orientar, sensibilizar e educar é muito mais difícil do que realizar atendimentos pontuais. Ainda assim, esse é o caminho mais eficaz para reduzir doenças no futuro. A UBS pode propor ações, mas a resposta da comunidade é fundamental. Prevenção só funciona quando serviço público e população caminham juntos.
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