COVID-19: trabalhadores migrantes são desinfetados na Índia

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Um grupo de trabalhadores migrantes foi “desinfetado” por pulverização na cidade de Bareilly, no estado indiano de Uttar Pradesh. O incidente ocorreu ontem (30) e gera polêmica.

Milhares de trabalhadores migrantes e famílias têm retornado às suas casas e terra de origem, depois de ter sido decretado pelo governo indiano, na última quinta-feira (26), um regime de confinamento total por 21 dias – como medida de prevenção de propagação do COVID-19 – e de milhares de pessoas terem ficado, em consequência, sem emprego.

Embora muitos serviços tenham deixado de funcionar e muitos transportes tenham sido reduzidos e cancelados na Índia nos últimos dias, algumas pessoas têm conseguido chegar em casa.

Ontem, um grupo de migrantes que retornava a Bareilly, no norte da Índia, foi recebido com um “banho” forçado de desinfetante. Em vídeo divulgado pela imprensa local e que viralizou nas redes sociais, vêem-se três pessoas com equipamentos de proteção, pulverizando a solução desinfetante – usada para limpar superfícies, e ruas – diretamente num grupo de trabalhadores indianos.

As autoridades de saúde locais teriam pedido aos profissionais responsáveis pela limpeza e saneamento que desinfetassem meios de transporte, de forma a impedir a propagação do novo coronavírus, no momento em que muitos indianos regressam às suas casas.

De acordo com o chefe dos bombeiros de Bareilly, Chandra Mohan Sharma, o produto químico usado foi hipoclorito de sódio. Muitas pessoas do grupo, principalmente crianças, queixaram-se de sensação de queimadura no corpo e de olhos irritados e vermelhos.

“Os desinfetantes têm produtos químicos. E não devem ser usados ​​em seres humanos, não devem entrar em contato com os olhos. Esse vídeo está sendo investigado”, garantiu à imprensa local o responsável pelos bombeiros da região.

Nitish Kumar, a principal autoridade do governo em Bareilly, confirmou que os profissionais de saúde pública receberam ordens para desinfetar meios de transporte, mas que num excesso de “zelo” podem ter usado o mesmo produto para desinfetar os trabalhadores migrantes que regressavam à cidade.

“Pode ter acontecido devido ao seu entusiasmo excessivo”, afirmou.

“Pedi que fossem tomadas medidas contra os responsáveis ​​por isso”, disse Kumar no Twitter, garantindo também que o vídeo que circula está sendo investigado e que as pessoas que foram alvo da pulverização recebem cuidados. Com Agência Brasil/RTP de Portugal

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