Negra Li fala de sua retomada profissional. Ouça

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Gravado no final de 2018, o mais recente trabalho da cantora Negra Li, “Raízes”, poderia ser resumido de maneira preguiçosa por algum crítico musical como um disco com 11 faixas inéditas e que marca o retorno da artista paulistana ao rap. As participações especiais de alguns novos ídolos do gênero até ajudam a endossar a afirmação anterior. No entanto, o primeiro álbum de carreira da cantora em seis anos significa muito mais para ela e sua legião de fãs. O próprio título já dá a dica. Negra Li canta toda sua essência em “Raízes”, somando às experiências musicais e pessoais recentes – incluindo aqui a maternidade – o enorme amor que sempre teve pela cultura negra e da periferia.

A bateria do Trap e a música eletrônica se juntam ao pop, reggae, R&B e, obviamente, o rap. Aliás, sobretudo o rap! “O nome ‘Raízes’ simboliza um recomeço, voltando assim ao rap e ao R&B. Quando resolvi fazer esse disco novo, queria uma cara diferente em relação ao álbum de 2012 (“Tudo de Novo), que foi produzido pelo Rick Bonadio e voltado pra MPB. Eu tinha que me reposicionar no mercado, até por ter ficado um bom tempo sem gravar, por conta do nascimento dos meus filhos (Sofia, de 10 anos, e Noah, de dois). E ficava imaginando que precisaria encontrar as pessoas certas para desenvolver o projeto. Foi aí que apareceu a gravadora White Monkey. Com eles, consegui encontrar a receita, a fórmula ideal para este novo momento na carreira”, celebra.

O diretor da White Monkey, André Drum, faz coro à principal contratada de sua gravadora: “Embora nosso trabalho seja basicamente virtual e quase sempre focado em músicas, não em álbuns, era necessário fazer esse disco com a Negra Li. Era importante revitalizar uma carreira tão especial quanto a dela. Estamos falando de um ícone do rap nacional. E que certamente merecia um reconhecimento ainda maior do grande público”, explica. Negra chegou até à companhia por intermédio de Cynthia Luz, jovem estrela do rap que gravou seus primeiros sucessos pela White Monkey. “Ouvi algumas faixas dela e quis conhecê-la. A gente então se encontrou e foi super legal. Ela me mostrou novas canções e eu disse que a gente deveria gravar algo juntas. E aí pintou “Somos Iguais”, que entrou em meu novo álbum”, conta Negra Li.

Além de Cynthia, “Raízes” traz participações de Rael, Gaab e Seu Jorge. Desde o início da concepção do projeto, Negra sabia que ter convidados especiais seria importante. “Como nem todo mundo faz disco cheio hoje em dia, e como os ‘features’ estão em alta, era vital ter essas parcerias. Além disso, foi muito prazeroso gravar com todos eles”. Uma das grandes revelações do rap e R&B nacionais, Gaab dividiu com Negra os vocais em “Uma Dança”. A faixa agradou tanto, que o artista, filho do sambista Rodriguinho, resolveu incluí-la em seu próprio DVD ao vivo, “Positividade”. E aí foi a vez de Negra Li retribuir a gentileza, participando da gravação do projeto, realizada em Salvador.

Assim como em “Uma Dança”, a faixa-título do novo disco de Negra tem o rapper Fabio Brazza como um dos autores. Foi ele que mostrou a canção à cantora. “Curiosamente, o Brazza pensava na letra de “Raízes” para um samba. Eu adorei os versos, mas achei que uma batida de rap combinaria mais”, diverte-se a cantora. A faixa acabou ganhando participação de Rael. “Até chegamos a pensar no Rincon (Sapiência), que eu também adoro. Mas não teve jeito, porque “Raízes” tem a cara do Rael. Ele escreveu alguns versos a mais para a sua participação e a música que já era linda, ficou ainda melhor”. Com um bonito clipe dirigido por Gabriel Duarte e produzido pela própria White Monkey, a faixa se tornou o primeiro single do álbum.

Parcerias sempre tiveram um peso importante na carreira de Negra Li, que estourou em 2005 com um álbum gravado com o rapper Helião. Em seguida, vieram sucessos marcantes com as bandas Charlie Brown Jr. (“Não é Sério”) e Skank (“Ainda Gosto Dela”). Mas a cantora também gravou com gente do porte de Caetano Veloso, Nando Reis, Gabriel o Pensador, Pitty, Marcelo D2, Martinho da Vila, Mano Brown e Projota, entre tantos outros. “Sempre gostei de cantar com outros artistas e isso sempre somou muito pra mim. Agora não foi diferente. As participações do Gaab, da Cynthia e do Rael me ajudaram certamente a ser inserida no meio desta nova geração do rap”, diz ela, que atualmente promove um novo single, a romântica “Mina” – esta gravada no formato solo.

Volta à estrada
Com a ótima repercussão de “Raízes”, Negra Li pôde matar a saudade dos palcos, embora nunca tenha se afastado completamente dos shows. “Parada, parada, nunca fiquei. Até porque os espetáculos são meu ganha-pão, ao lado das campanhas publicitárias. Fiz inclusive participações de destaque em programas de TV, como o Z4 (série do SBT), e musicais, como o “MPB – Musical Popular Brasileiro” (montagem com direção artística de Jarbas Homem de Mello), além de muitos shows para prefeituras, Sesi etc. Mas desde que tive meus filhos ainda não tinha retomado totalmente aquela rotina louca de cair na estrada”, conta. Os espetáculos da cantora são vendidos pela Olho Vivo Produções.

Negra Li conta que tem feito muitas apresentações com DJs, por uma questão estratégica. “Ainda estou me reposicionando no mercado e o próximo plano é gravar um DVD com banda completa. Somente depois disso, quero sair em turnê com um show maior, com vários músicos. O DVD é importante para divulgar este novo trabalho, até pra apresentar para os contratantes”. Além disso, o projeto servirá também como celebração. “Estou comemorando 20 anos de carreira desde 2017 (risos). E nada melhor do que concluir a comemoração com um DVD. Aliás, o primeiro DVD de uma cantora que está batalhando há duas décadas nesse mercado”. O set list deve ter várias canções do novo álbum, mas também fazer uma retrospectiva da carreira de Negra: “Acho que tenho que pegar um pouco de tudo… pelo menos uma canção de cada disco já gravado e também algumas músicas inéditas. Será bem complicado escolher esse repertório, mas certamente vou adorar!”, conclui.

Ainda sobre essa retomada na carreira, a cantora revela se sentir revigorada com a resposta do público, inclusive de fãs mais jovens. “Confesso que não sabia que era tão querida. Tive esse feedback muito legal quando gravei uma colaboração com o Favela Vive 3, ao lado de vários artistas. Foi minha volta oficial ao mercado, antes mesmo de “Raízes”. Durante um tempo, com toda a efervescência da música nos dias atuais e com tantas novidades neste meio, achei que minha importância tinha diminuído bastante (risos). Porém, com este novo disco, vi que o público ainda sentia minha falta e que, felizmente, eu estava bem enganada”. (Por Thomaz Rafael).

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Com Portal Sucesso

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