Mais 100 milhões de crianças não podem aprender a ler por causa da pandemia

A crise global de Covid-19 impediu que 100 milhões de crianças a mais aprendessem a ler no ano letivo 2020. Com as medidas de prevenção da pandemia e fechamento de escolas, o número total de alunos nessa condição foi de 584 milhões no mundo, no ano passado.

Um aumento de mais de 20% que ameaça ganhos das últimas duas décadas feitos na educação. Um estudo do Banco Mundial revela que mais de sete em cada 10 alunos latino-americanos e caribenhos do ensino fundamental, por exemplo, não conseguem compreender um texto de grau de dificuldade moderada.

Desempenho
Ontem (29), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) reuniu Ministros da Educação de todo o mundo para debater a crise.

Os dados constam de um estudo da Unesco sobre o desempenho acadêmico das crianças durante a pandemia: “Um Ano de Covid: Priorizando Recuperação da Educação para Prevenir uma Catástrofe Geracional”.

Os ministros analisaram três pontos preocupantes para a agenda de políticas educativas: reabertura das escolas e apoio aos professores, mitigação das perdas no ensino e o êxodo de alunos, e a aceleração da transformação digital.

Participam do encontro a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus.

América Latina e Ásia
Durante a pandemia, o ensino escolar foi interrompido em média 25 semanas por causa de fechamentos totais ou parciais. A região mais afetada foi América Latina e Caribe seguida pelo centro e sul da Ásia.

Ao todo, são 114 milhões de alunos latino-americanos e caribenhos prejudicados pelos colégios totalmente fechados. Apenas sete países nesta região reabriram inteiramente seus estabelecimentos de ensino.

A Unesco afirma que o retorno aos níveis antes da pandemia levará um ano para acontecer. A expectativa de recuperação, caso haja esforços excepcionais, deve ser para 2024.

Numa coleta de dados da Unesco e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apenas um quarto dos estudantes se beneficiam de medidas para remediar os danos causados à educação pela Covid-19.

Na metade dos países do mundo, as escolas foram completamente reabertas. São 107 nações. A maioria na África, na Ásia e na Europa com 400 milhões de crianças do ensino pré-primário ao secundário.

Êxodo escolar
Mas em pelo menos 30 países, os colégios ainda não reabriam suas portas impactando 165 milhões de crianças e jovens.

E um total de 1 bilhão de estudantes estão em regime de abertura parcial ou híbrida em 70 nações.

A Unesco diz que o mundo pós-pandemia tem de priorizar a educação para evitar o êxodo de alunos e mais perdas no ensino.

A agência está preocupada com relatos deque 65% dos governos em países de renda baixa reduziram o orçamento para educação comparado com 35% em nações ricas. Apesar de pacotes de estímulo fiscal poderem injetar mais recursos no setor, apenas 2% do dinheiro dessas medidas vão para a educação.

Há um ano, no início da crise, a Unesco lançou a Coalizão Global para Educação com 170 parceiros dos setores público e privado e da sociedade civil em 100 países. Com ONU News

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