Campanha da Fraternidade levanta debate sobre desigualdade social

GRNEWS nas Redes Sociais Facebook Twitter YouTubeWhatsApp WhatsApp

O assunto foi tratado durante audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa (ALMG), realizada na quinta-feira (28). O encontro foi marcado por críticas às reformas propostas pelos governos federal e estadual, que, segundo os participantes, retiram direitos sociais e ampliam desigualdades. Também houve muitos apelos para que a população recupere a esperança e participe mais da política.

Os deputados se reuniram com convidados para debater a Campanha da Fraternidade 2019, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo tema é Fraternidade e Políticas Públicas. Em meio às críticas e ponderações sobre o momento histórico delicado por que passa o País, houve também muitas referências a textos bíblicos e à figura de Jesus Cristo.

A deputada Leninha (PT), que solicitou a audiência, defendeu que os cristãos, sejam eles católicos ou não, têm a obrigação de participar da formulação de políticas públicas para ajudar os mais pobres, e lembrou que a opção de Jesus, e da Igreja Católica, sempre foi pelos menos favorecidos. “O verdadeiro Evangelho deve orientar nossas ações, dentro e fora do Parlamento”, disse a deputada.

Comissão conhece Campanha da Fraternidade 2019
O deputado Professor Cleiton (DC) também destacou que a Doutrina Social da Igreja está fundamentada na pessoa de Jesus e não é partidária. O parlamentar fez duras críticas à proposta de reforma da Previdência, afirmando que o Chile, onde se implantou modelo de capitalização semelhante ao proposto aqui, na década de 80, hoje é o país onde se tem o maior índice de suicídios na terceira idade, no mundo.

Susana Maria Ricardo, representante das Comunidades Eclesiais de Base, fez questão de ressaltar que, quando as políticas sociais falham, a igreja é um dos primeiros lugares onde as pessoas vão buscar ajuda. Por isso, segundo ela, é preciso fazer com que a Igreja Católica volte a ser um espaço de discussão política, assim como é preciso combater a afirmação equivocada de que política não é coisa para cristão.

Militantes católicos lamentam perdas de direitos sociais
Na opinião do representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Edvaldo Ferreira Lopes, a cidadania brasileira está ameaçada, porque “o governo federal está passando o facão nas políticas públicas sociais”. Segundo ele, a estimativa é que no Brasil, hoje, haja mais de 15 milhões de pessoas vivendo na linha da miséria, enquanto os governos só estão trabalhando “na perspectiva do mercado”.

O representante do Conselho Nacional de Leigos, Ismael Deyber Oliveira Silva, afirmou que a própria Igreja Católica tem sofrido ataques nos últimos anos. “A igreja não pode deixar de falar sobre os ataques que o sistema de proteção social no Brasil vem sofrendo, atualmente”, pontuou.

Campanha da Fraternidade estimula participação em políticas públicas
Ao defender a mobilização de todos para que não se perca ainda mais conquistas sociais, o presidente da comissão, deputado Doutor Jean Freire (PT) questionou: “Já imaginaram um Brasil sem programas sociais como o Prouni, Fies, Pronatec, Pronaf e Minha Casa Minha Vida? Sem Mais Médicos, Farmácia Popular, Samu e institutos federais? Pois muitas comunidades já estão vivendo isso!”, lamentou.

Criminalização – Muitos participantes da audiência também reclamaram do que seria a criminalização da política e dos movimentos sociais. O deputado federal Padre João (PT), ex-pároco da cidade de Mariana (região Central do Estado), acredita que isso tudo ameaça seriamente a democracia. Para ele, a “corrosão das políticas públicas” não está somente no Legislativo e no Executivo, mas também no Judiciário. “Vejam aí o crime das mineradoras, e o Judiciário não faz nada!”, disse o deputado.

Padre João repetiu uma frase atribuída a Dom Helder Câmara, falecido arcebispo de Olinda e Recife, um dos fundadores da CNBB: “quando dou pão aos pobres, me chamam de santo; quando eu falo porque os pobres passam fome, me chamam de comunista e subversivo”.

Doutor Jean Freire completou: “Jesus morreu porque questionava a sociedade da época. Marielle Franco, irmã Dorothy e tantos outros também morreram por isso! A igreja viva é essa que sai dos templos e vai até onde o povo está, embaixo de uma árvore, numa estrada, num assentamento”.

Terra é casa comum e deveria ser tratada como tal
O assessor da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, Elérson da Silva, trouxe ao debate a frase do Papa Francisco de que “A terra é uma casa comum”. Ele destacou que hoje há no mundo tecnologia suficiente para acabar com a fome e as desigualdades em todos os cantos, mas que, infelizmente, isso não tem sido feito. Na opinião dele, os recursos naturais, econômicos e financeiros continuam servindo para enriquecer uma pequena minoria.

O deputado Professor Cleiton, católico ligado ao movimento da Renovação Carismática Católica, também destacou a angústia que o Papa Francisco estaria vivendo, com os últimos acontecimentos políticos no Brasil e em algumas partes do mundo. O parlamentar lembrou os recentes ataques à CNBB, e as notícias falsas que, segundo ele, atentam contra a imagem da Igreja Católica.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) parabenizou os militantes católicos pelo compromisso de participação política, destacando que, se cada um deixar de fazer a sua parte, a situação do País vai ficar cada vez pior.

História – A Campanha da Fraternidade nasceu em 1962, como iniciativa de alguns padres de Natal (RN); hoje é considerada o maior movimento evangelístico da igreja católica. Com informações da ALMG

PUBLICIDADE
Don`t copy text!