Senadores preocupados com aumento da intolerância política no Brasil

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Pedro França/Agência Senado

O ataque à caravana do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, alvejada por três tiros no Paraná, e as ameaças à família do relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, tiveram grande repercussão no plenário do Senado na quarta-feira (28).

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Cristovam Buarque (PPS-DF) e Vanessa Graziottin (PC do B-AM) solicitaram formalmente que o Senado realize uma sessão temática, suprapartidária e com a participação de representantes da sociedade civil, para que se discuta que impactos pode ter o aumento da intolerância política no futuro da democracia brasileira, especialmente já a partir do processo eleitoral deste ano.

No momento em que a proposta foi apresentada, presidia a sessão o senador Dario Berger (PMDB-SC), que informou que levará o pleito ao presidente Eunício Oliveira.

Risco para a democracia
Cristovam defendeu que esta sessão seja realizada “o mais brevemente possível”, já no início de abril, “antes que se perca totalmente o controle destas coisas”.

— Estamos num momento em que temos que refletir sobre o rumo da democracia neste país. Esta escalada de violência política pode sair do controle, tenho dúvidas até se já não saiu… E na hora em que se perde o controle destas coisas, está aí a Síria para nos mostrar o que vira. Não é possível que o Brasil passe a valorizar mais as armas que as urnas — alertou.

Para Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o governo federal passa a ter agora a obrigação de resguardar a segurança de todos os pré-candidatos à presidência da República. E esta mesma preocupação deve ser estendida ao ministro Fachin, que em entrevista à Globonews informou que sua família tem sofrido ameaças, e que não se sente mais “em plena segurança”.

Dentro deste mesmo contexto, Randolfe considera “estarrecedor” que agentes políticos minimizem a gravidade de atentados, quando eles são direcionados a adversários.

— Tenho muitas divergências com Lula e o PT, mas a convivência democrática está acima disso. Atirar num adversário político é fascismo, não é possível sermos condescendentes com isso. É bom nos lembramos que uma vereadora foi assassinada há poucos dias no Rio e até agora nada foi esclarecido. Este país não pode descambar pro vale-tudo, pro faroeste — protestou.

Dario Berger também considera o quadro atual de extrema gravidade, fruto a seu ver de uma sociedade inteira “que perdeu o rumo e a esperança no futuro”.

Vanessa Graziottin também vê com preocupação o fortalecimento de ideias autoritárias no país. Para ela, este ideário, antes restrito a Jair Bolsonaro, vem sendo defendido abertamente por outros segmentos e representantes sociais. Lembrou que em nota oficial a Associação dos Produtores de Soja no Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS) disse que os gaúchos “deram um relho na tosca caravana” no dia 19 de março em Bagé, quando iniciou-se a “reação contra a socialização do país”.

— Eles dizem que a batalha não é só contra Lula, é contra todos que defendem o socialismo. Querem um país de ideologia única, a deles — criticou. Com Agência Senado

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