Comissão da ALMG debate políticas públicas para Guardas de Congado

Uma das manifestações mais tradicionais da cultura popular e religiosa de Minas Gerais, as guardas de congado, pautam audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (27).

O objetivo da reunião será debater as políticas públicas destinadas à preservação e valorização desse segmento cultural no Estado. Realizada a requerimento do vice-presidente da comissão, deputado Professor Wendel Mesquita (SD), a audiência será às 16 horas, no Auditório do andar SE, no Palácio da Inconfidência.

O parlamentar relata que recentemente participou de um encontro de congadeiros de Belo Horizonte e, como vice-presidente da Comissão de Cultura, se comprometeu com o grupo a “lutar pela valorização desta importante tradição cultural mineira”. “Minas é plural na cultura, e o congado tem em nosso estado a maior concentração”, afirma.

Com suas raízes no continente africano, onde por três séculos os negros foram escravizados e trazidos à força para o Brasil pelos portugueses, o congado resulta dessa interação entre diferentes culturas e religiosidades. Em solo brasileiro, o contato do catolicismo com as tradições indígenas e africanas fez surgir diferentes manifestações culturais, marcadas pelo sincretismo religioso, como o congado, que rende culto a Nossa Senhora do Rosário.

Segundo site Observatório da Evangelização, da Puc Minas, citando o historiador do cristianismo frei Henrique Cristiano José Matos, “a congada, com seus ritos, símbolos e ritmos, conserva uma história de um povo que foi proibido de manifestar sua dimensão religiosa própria, mas, pela resistência e teimosia de seus integrantes, continuou a festejar Nossa Senhora do Rosário à margem da Igreja. Trata-se da experiência religiosa do homem comum, do povo simples e, geralmente, pobre”.

Mais um pouco de história
Para explicar as origens do congado em Minas, o autor do requerimento para realização da audiência recorre às narrativas históricas, recordando que Chico Rei, homem que na África era o soberano da sua tribo, foi capturado por negreiros juntamente com sua família e quase todo seu povo. Na travessia para o Brasil, morreram sua mulher e quase todos os filhos, restando apenas um. Ao chegar em Ouro Preto, Francisco trabalhou nas minas e teria conseguido economizar para comprar a sua libertação e a do filho. Adquiriu a mina de Encardideira e, aos poucos, comprou a libertação dos compatriotas.

Os escravos libertos tinham Chico como rei. A corte estava formada. Em 1715, esse grupo associou-se à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, uma confraria de culto católico, criada para abrigar a religiosidade do povo negro, que na época da escravidão era impedido de frequentar as mesmas igrejas dos senhores. Em 1723, construíram a Igreja do Alto da Santa Cruz, um dos maiores monumentos do barroco mineiro, em alvenaria de pedra de cantaria do Itacolomi.

Convidados
Além de autoridades estaduais e municipais, já confirmaram presença na reunião diversos representantes de grupos de congados, entre eles Neli Martins de Souza, da Igualdade Racial de Belo Horizonte; Gleisson Rodrigues Batista Passos, da Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário – Urca Pampulha; Kelma Gizele da Cruz Conceição, da Guarda de Congo São Jorge de Nossa Senhora do Rosário de Belo Horizonte; Ione Amaral Cruz, da Comunidade Congadeira de Vespasiano; e Luís Fabiano dos Santos, do Instituto Cultural Reino do Rosário. Com ALMG

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!