Metas nacionais atuais devem levar a aumento de 2,7 ºC na temperatura do planeta

As Nações Unidas lançaram ontem (26) o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2021: O calor está em alta. O documento recomenda mais ações no mundo para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C ainda neste século.

Para esse propósito são necessárias políticas e ações adicionais para reduzir quase pela metade as emissões anuais de gases de efeito estufa nos próximos oito anos.

Compromissos
O documento destaca que novas Contribuições Nacionalmente Determinadas, ou NDCs em inglês, junto a outros compromissos de mitigação, colocam o mundo no caminho certo para que a temperatura global suba 2,7 °C até o final do século.

Este seria o cenário mais provável, mesmo com o cumprimento de todos os novos ajustes incondicionais, destaca a publicação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

No entanto, ao se implementarem novas metas neutras ao carbono poderia ser reduzido o aquecimento global em mais 0,5°C. Mas os planos atuais “são atualmente ambíguos e não estão totalmente contemplados nas metas nacionais.”

Oportunidade de investir
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse em coletiva com a diretora do Pnuma, Inger Andersen, em Nova Iorque, que o mundo precisaria de sete vezes mais ambição para se manter no caminho de 1,5 °C.

O chefe da ONU destacou que o relatório também mostra que “os países estão desperdiçando uma grande oportunidade de investir recursos fiscais e de recuperação do Covid-19 de maneiras sustentáveis, com uma redução e economia de custos para o planeta”.

Guterres realçou dados sustentando que 20% dos investimentos de recuperação apoiarão a economia verde. Na preparação dos líderes mundiais para participar na Cúpula da ONU sobre Mudança Climática, COP-26, em Glasgow, ele disse que o documento é um toque de alerta enfático.

Promessas
De acordo com o documento, as atualizações das NDCs no âmbito do Acordo de Paris seguem a trajetória de promessas fracas, ainda não cumpridas.

Os novos anúncios para o fim desta década “apenas reduzem ligeiramente a lacuna, entre onde as emissões deveriam estar em 2030 para cumprir as metas do Acordo de Paris e onde as promessas de fato as levarão.”

Contudo, comparados aos anteriores, os novos compromissos retiram 7,5% das emissões de gases de efeito estufa previstas para 2030. O Pnuma destaca ser preciso fazer reduções de 30% para que o mundo permaneça na direção de menor custo, dentro do cenário de 2°C, e 55% no caminho de 1,5°C.

O documento menciona ainda o Brasil, como membro do G-20, que ao lado do México apresentou metas que levam a um aumento nas emissões de 0,3 giga toneladas de CO2.

Planos nacionais
Nesse caminho, a redução líquida nas emissões globais de gases de efeito estufa de em planos nacionais novos atualizados dos membros das 20 principais economias mundiais tenderia para 1,8 giga toneladas, anualmente, até 2030.

Em relação ao limite de oito anos, o relatório aponta que esse período seria para fazer os planos, as políticas, colocá-los em prática e, finalmente, cumprir os cortes. Mas destaca que este é o momento para fechar os compromissos e começar a praticar essas metas imediatamente.

Na contramão do cenário de retrocesso de emissões globais de CO2 de 5,4% no período pós-pandemia, em 2020, o documento confirma o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 para nível registrado “em qualquer outro momento nos últimos 2 milhões de anos”.

A publicação destaca haver a oportunidade de usar o resgate fiscal e os investimentos de recuperação da Covid-19 para estimular a economia e promover uma transformação de baixo carbono, perdida na maioria dos países até agora.

Combustíveis fósseis
O estudo destaca que uma redução das emissões de metano dos setores de combustíveis fósseis, resíduos e agricultura pode contribuir para fechar a lacuna de emissões e reduzir o aquecimento a curto prazo.

As emissões de metano são as segundas que mais contribuem para o aquecimento global.

Em primeiro plano, os mercados de carbono podem apoiar uma redução real de emissões e levar a mais ambição, mas somente com “regras claramente definidas, concebidas para assegurar que as transações reflitam as reduções reais de emissões, e são apoiadas por acordos para acompanhar o progresso e garantir transparência”.

Os mercados de carbono podem proporcionar uma oportunidade para que países, empresas e outros atores alcancem e aumentem sua ambição com maior eficiência econômica e equidade, tanto a curto como a longo prazo.

Com uma transformação de planos nacionais em redução de emissões comercializáveis, e todos os países com metas econômicas amplas, entre 4 e 5 gigatoneladas poderiam ser comercializadas por ano até 2030. Com ONU News

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