Mulheres são as mais impactadas por pandemia e precisam ser ouvidas sobre o futuro

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O Conselho de Direitos Humanos organizou um debate virtual sobre o impacto da pandemia de Covid-19 nas mulheres e o papel que elas devem ter nos esforços de recuperação.

Especialistas destacaram como quarentenas e fechamento de escolas contribuíram para um aumento da violência de gênero, em particular a violência doméstica, e outras ameaças para meninas e mulheres de todo o mundo.

Liderança
A diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, nos últimos meses, mas afirmou que continuam existindo muitas barreiras nessa área.

Para Mlambo-Ngcuka, estas mulheres “estabeleceram novos padrões de liderança com transparência, engajamento público e tomada de decisões baseadas na ciência.” Para ela, estas líderes “são agora modelos de resposta a crises, que inspirarão gerações futuras de mulheres.”

A chefe da agência disse que, agora, “o envolvimento das mulheres é fundamental em todas as etapas do processo legislativo, político e orçamentário.”

Ela terminou dizendo que “algumas mulheres chefes de Estado e de governo estão mostrando ao mundo como encontrar soluções sustentáveis para a pandemia.” Segundo ela, o mundo deve seguir esses exemplos.

Já a diretora executiva do Unfpa, Natalia Kanem, afirmou que “a Covid-19 afeta todas as pessoas, mas não da mesma forma.”

Ela disse que as meninas enfrentam maiores riscos de práticas prejudiciais, devido à interrupção dos sistemas de apoio. Kanem contou que as equipes do Unfpa já estão tendo dificuldades para “impedir o casamento infantil e a mutilação genital feminina, porque as meninas não estão na escola.”

Dificuldades
A diretora da Divisão de Engajamento Temático, Procedimentos Especiais e Direito ao Desenvolvimento do Conselho, Peggy Hicks, contou que sistemas de saúde sobrecarregados, realocação de recursos e escassez de suprimentos estão dificultando a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos.

Hicks disse que “mulheres e meninas estão em maior risco, não devido a qualquer vulnerabilidade que tenham, mas devido à discriminação e desigualdade que já existia.” Para ela, “é como uma pandemia dentro da pandemia.”

Segundo estimativas do Fundo da ONU para a População, Unfpa, se as medidas restritivas durarem seis meses, o mundo terá mais 31 milhões de casos de violência de gênero.

Trabalho
As mulheres também estão na linha de frente da resposta à crise.

Globalmente, elas representam 70% dos profissionais de saúde. Também têm papéis importantes em serviços essenciais, como na produção e cadeia de suprimentos de alimentos, limpeza e assistência.

Ainda assim, muitas trabalham com salários baixos, irregularidade e no setor informal, onde não têm acesso à proteção social. Também estão super-representadas nos setores mais atingidos.

A ministra das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha, Arancha González Laya, disse que “as políticas de resposta econômica e recuperação devem abordar especificamente o impacto nas mulheres.”

Segundo ela, “o reconhecimento do trabalho não remunerado, a redução da diferença salarial e as políticas fiscais e de proteção social devem resultar no seu empoderamento econômico e evitar uma maior feminização da pobreza.”

Futuro
A professora de economia da Universidade Jawaharlal Nehru, na Índia, Jayati Ghosh, destacou a situação de mulheres migrantes e cidadãs de países em desenvolvimento.

Segundo a especialista, a pandemia “reforçou as desigualdades e as estruturas de poder que permitem a opressão patriarcal nas famílias e nas comunidades.” Jayati Ghosh disse que as mulheres têm maior probabilidade de perder seus empregos ou ter uma redução de salário durante o bloqueio.

Segundo ela, “esse declínio no emprego remunerado terá um impacto a longo prazo, porque as perdas durante uma recessão levam a salários mais baixos e emprego menos seguro no futuro”. Com ONU News

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