Apresentada em Minas Gerais ferramenta inédita para gestão de coleta seletiva

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Divulgação/Semad

O Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), promoveu, na sede do CMRR, o workshop “Custos e Benefícios da Coleta Seletiva Solidária”. O objetivo foi discutir e apresentar, principalmente para os gestores públicos municipais, uma ferramenta de registros de custos e análise dos benefícios da coleta seletiva no sistema de gestão municipal dos resíduos sólidos urbanos.

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A ferramenta apresentada durante o workshop recebeu o nome de SoCo (Solidary Colection) e foi desenvolvida por meio de uma parceria entre a Unicamp, o Oris, o Insea, o Instituto Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Sustentabilidade (Sustentar), o MNCR, a Universidade de Leeds, uma das maiores instituições de ensino do Reino Unido, e o CMRR.

Os membros e pesquisadores das instituições brasileiras desenvolveram um software que pudesse avaliar o potencial da coleta seletiva e da reciclagem inclusiva de resíduos e mensurar seus custos. Em seguida, a iniciativa foi apresentada à Universidade de Leeds, que foi convidada pelos brasileiros para ser parceira do projeto.

O software possibilitará que municípios, empresas, cooperativas de catadores de matérias recicláveis e os diversos atores que compõem a cadeia da reciclagem possam avaliar os impactos e benefícios de diferentes sistemas de reciclagem, incluindo também os que envolvem os chamados “setor informal”, ou seja, os próprios catadores de materiais recicláveis.

O projeto foi orçado em cerca de 200 mil libras e foi inscrito em um edital, de 2016, da Newton Funds, instituição do governo britânico que visa promover o desenvolvimento social e econômico dos países parceiros, por meio de pesquisa, ciência e da tecnologia. A proposta foi aprovada e a organização britânica destinou 100 mil libras para o desenvolvimento da ferramenta. A outra metade foi oferecida pelas instituições brasileiras como contrapartida.

O CMRR disponibilizou o conhecimento desenvolvido pelo Centro sobre a metodologia de implantação da Coleta Seletiva Solidária (CSS), bem como dados e informações relativas às experiências de implantação da CSS no Estado de Minas Gerais.

A professora Emília Rutkowski explicou como o software funciona. “Inicialmente, para testarmos a ferramenta, utilizamos dados do município de Itaúna, que possui um modelo bem sucedido de implantação de coleta seletiva em Minas Gerais, e de Campinas, cidade onde está situada a Unicamp, uma das universidades parceiras”, finalizou.

Emília explicou também que um novo projeto foi inscrito no edital deste ano da Newton Funds e está aguardando o resultado do processo seletivo. “Apesar de ser uma nova proposta, ela dará continuidade ao que já foi desenvolvido na iniciativa anterior”, ressaltou.

O encontro, realizado na quarta-feira (22/2), contou com a presença do presidente do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea) e representante do Observatório da Reciclagem Inclusiva e Solidária (Oris), Luciano Marcos, o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Gilberto Chagas, a professora de Gestão e Planejamento Socioambiental da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Universidade de Campinas (Unicamp), Emília Rutkowski, e a diretora executiva do CMRR, Jaqueline Rutkowski.

O evento
O presidente do Insea abriu o evento dizendo que quando se discute a coleta seletiva, uma das principais queixas ouvidas, sobretudo dos gestores municipais, é o custo do serviço. “Os prefeitos e dirigentes locais alegam que é caro, que não cabe no orçamento das prefeituras. E é por isso que, em 2016, o Oris e a Universidade de Leeds começaram a se dedicar a esse trabalho, a fim de desenvolver uma ferramenta que pudesse mensurar os custos da coleta seletiva, saindo do campo das suposições e migrando, finalmente, para o campo da realidade”, concluiu.

Para o representante do MNCR, o workshop é uma oportunidade para que os novos gestores municipais, que estão chegando agora, possam conhecer também a metodologia de coleta CSS desenvolvida pelo CMRR no Estado. “O trabalho que desenvolvemos hoje beneficia não somente os catadores, mas também gera emprego formal, uma vez que inúmeros postos de trabalhos que estão sendo gerados na indústria dependem do nosso trabalho”, acrescentou.

“Algumas pessoas têm a visão de que a coleta seletiva é somente feita pelo viés empresarial, ou seja, realizada dentro das empresas por funcionários. Outras já acham que só existe a coleta realizada com o intuito de desenvolvimento social, feita pelos catadores. Essa visão já está ultrapassada, hoje em dia não dá para trabalhar mais esses temas separadamente. O econômico, o social e ambiental estão totalmente interligados”, explicou Gilberto.

A diretora executiva do CMRR fez uma breve explanação sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro e destacou que a instituição apoia e orienta os municípios do Estado na implantação da coleta seletiva com a inclusão dos catadores, além de desenvolver projetos como o Bolsa Reciclagem.

“O Bolsa Reciclagem é um benefício, criado pela Lei 19.823/2011. A ideia é conceder incentivo financeiro às organizações de catadores de materiais recicláveis que fazem a coleta e a comercialização de papel e papelão, bem como a comercialização de outros resíduos pós-consumo. O recurso é dividido entre as organizações cadastradas, que são responsáveis por repassar o recurso aos seus associados. A iniciativa é uma política pública de pagamento por serviços ambientais e de inclusão socioprodutiva de catadores”, relatou Jaqueline.

O CMRR
O CMRR é um programa desenvolvido Feam e pelo Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e tem como objetivo difundir e consolidar boas práticas na gestão integrada dos resíduos em Minas Gerais.

A instituição dá suporte aos municípios na gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos, contribuindo para a implantação, valorização e fortalecimento da coleta seletiva com a inclusão socioprodutiva dos catadores de materiais recicláveis.

Por meio de diversas parcerias, o CMRR dissemina alternativas para transformar a manipulação dos resíduos em oportunidades de trabalho e renda com responsabilidade ambiental. Com Agência Minas

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