Implantação de trens turísticos em MG depende de estudos

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A pedido dos deputados Gustavo Mitre (PSC) e Cleitinho Azevedo (Cidadania), foi solicitado à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade que o estudo sobre a viabilidade de um trem turístico entre os municípios de Divinópolis e Bom Sucesso seja incluído no Plano Estratégico Ferroviário (PEF) de Minas Gerais, que está sendo elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC).

Na quinta (24), a Comissão Extraordinára Pró-Ferrovias Mineiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou mais uma rodada de conversas sobre a implantação de trens de passageiros no Estado e, desta vez, o principal assunto foi a criação dessa linha, que beneficiaria o chamado Circuito Turístico Campo das Vertentes. “Vamos defender que seja feito o estudo pelo menos do primeiro trecho, que seria entre Divinópolis e Carmo da Mata”, disse Gustavo Mitre.

A reunião foi solicitada pelo deputado Cleitinho Azevedo (Cidadania) e teve a presença de representantes de órgãos públicos e de vários municípios da região. Gestores de Divinópolis, Carmo da Mata, Cláudio, Bom Sucesso e Itapecerica foram unânimes em afirmar que a região possui grande potencial turístico, que poderia ser alavancado com a implantação do trem. Atividades religiosas, artísticas e eventos de gastronomia foram citados como atrativos dos municípios envolvidos.

Em Carmo da Mata, de acordo com o prefeito Almir Resende Júnior, está sendo construído o maior museu de carros antigos do País. A Cruz de Todos os Povos, monumento de mais de 70 metros de altura que está sendo erguido em Divinópolis é outra aposta que pode atrair turistas para a região.

Implantação ainda carece de projetos e de recursos
A chefe da Unidade Ferroviária de Belo Horizonte, Ana Carolina Oliveira Senna, que representou o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), garantiu que o entendimento do órgão é, sim, pela revitalização da malha ferroviária de Minas Gerais.

Como início do processo de implantação dos trens, no entanto, também é preciso que as prefeituras solicitem ao DNIT a cessão dos bens ferroviários que estejam nessas localidades.

Ana Carolina Senna pediu às prefeituras que zelem pelo patrimônio, que apresentem projetos mostrando que aqueles bens ferroviários não serão utilizado para outros fins. Também solicitou que sejam feitos estudos sobre a segurança nas estações, com a previsão de cercas, rampas de acesso e placas de sinalização, para evitar acidentes.

Para o departamento, a cessão não é um problema. Clóvis Eduardo Santos, integrante da equipe técnica do DNIT, disse que o órgão, responsável por grande parte do patrimônio ferroviário do Estado, não foi aparelhado e não tem condições adequadas para manter e fiscalizar todos os trechos.

A transferência para os municípios seria até uma forma de poder gerenciar melhor esse patrimônio. “O problema é que algumas prefeituras não querem, porque também não têm recursos para cuidar disso”, afirmou.

Plano ferroviário dará segurança para investimentos
A diretora-executiva do Circuito Turístico Campo das Vertentes, Nem Campos Oliveira, acredita que a implantação do trem é fácil de fazer, uma vez que a linha já existe e que Divinópolis tem inclusive uma grande oficina ferroviária. Ela solicitou que a empresa VLI, concessionária do trecho da ferrovia onde o trem circularia, ceda o maquinário necessário, como uma litorina, por exemplo, que é um vagão ferroviário com motor a diesel e condutor próprio, utilizado para excursões turísticas ferroviárias, normalmente dotado de janelas panorâmicas.

O representante da empresa na audiência, Flavio Henrique Rodrigues Pereira, lembrou que a VLI é responsável pela operação logística de cargas e não de passageiros. Segundo ele, a linha férrea entre Divinópolis e Bom Sucesso, de cerca de 130 km, apesar de não estar sendo usada atualmente para o transporte de cargas, é considerada linha operacional e estratégica inclusive para ampliação do escoamento de cargas.

Para Flávio Henrique Rodrigues, o trabalho que a Fundação Dom Cabral está realizando, para elaboração do Plano Estratégico Ferroviário (PEF) de Minas Gerais é importantíssimo, para mostrar se o projeto do trem turístico tem viabilidade técnica e, sobretudo, econômica. Somente a partir da elaboração do plano, se houver viabilidade, a empresa poderia ceder algum maquinário, explicou.

O presidente da comissão, deputado João Leite (PSDB), disse entender a preocupação da VLI com a questão econômica, em manter o lucro com o transporte de cargas. “Mas estamos falando de um trem para circular em fins de semana e feriados, tenho certeza que não vai prejudicar o negócio da empresa”, concluiu.

A superintendente de Transportes Ferroviários do Estado de Minas Gerais, Vânia Silveira de Pádua Cardoso, agradeceu pela visibilidade que a questão ferroviária ganhou com os trabalhos da comissão. “Por muito tempo, Minas esqueceu suas ferrovias; agora estamos começando a voltar aos trilhos”, ponderou. Ela também destacou a importância do estudo da Fundação Dom Cabral.

A fundação apresentou a metodologia que será usada no PEF e também dados iniciais já apurados, durante audiência da mesma comissão. Com ALMG

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