Queimaduras em crianças e adolescentes registram média diária de 53 procedimentos no SUS

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O lar é ambiente que nos passa acolhimento e segurança, mas quando se tem filhos em casa – principalmente crianças – um mínimo desvio de atenção pode colocar em risco a integridade física dos pequenos. Nos adolescentes, que já conquistaram mais autonomia e a vigilância dos pais ou responsáveis é menor, o desejo de viver novas experiências também acaba os colocando em situações de risco.

As queimaduras estão entre as principais lesões de acidentes domésticos no público infanto-juvenil, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Henrique de Barros Pinto Netto. Dados do Ministério da Saúde apontam que, de janeiro a abril deste ano, foram realizados 6.409 procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência desse motivo, em crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Uma média de 53 registros por dia. A Pasta ressalta que procedimentos realizados não correspondem ao número de indivíduos atendidos, uma vez que uma mesma pessoa pode ter sido atendida mais de uma vez em um ano, ou mês.

“Temos percebido nos consultórios um aumento nesse tipo de atendimento, geralmente causados por água ou vapor quente e por contato direto com fogo ou objetos em alta temperatura”, fala Netto.

O médico explica que crianças de zero a quatro anos correm mais risco de sofrerem queimaduras. “Nessa faixa de idade, a pele é mais fina que a de crianças mais velhas e adultos. Por essa característica, se queimam a temperaturas mais baixas e mais rapidamente”, diz. Uma criança exposta a água quente a 60° por três segundos terá uma queimadura de terceiro grau, lesão que requer hospitalização e até enxertos de pele.

Em caso de queimadura, se a roupa estiver cobrindo o ferimento, a peça deve ser removida com cuidado. “Coloque a área afetada sob a torneira com água fria por cinco minutos para resfriar a área, cessar a queimadura e amenizar a dor. Evite água gelada”, orienta o médico, ressaltado a busca por atendimento especializado. “Qualquer remédio só pode ser usado com a prescrição do médico, inclusive analgésicos. É necessário procurar atendimento imediato e adequado para amenizar a dor da criança e ajudar a afastar o risco de cicatrizes”;

Susto
Em abril, a empresária Paula Saraiva, de Vilhena, Rondônia, passou por um grande susto com a filha caçula, Catarina, 11 meses. “Eu estava assando um bolo para o café da tarde. Todos estavam na cozinha, cuidando e atentos ao forno. Nos distraímos na pia fazendo o café, ela foi engatinhando e se apoiou no forno com as duas mãozinhas para ficar em pé. Começou a chorar e imediatamente tiramos ela, foi desesperador”, lembra.

A primeira medida foi colocar as mãos da criança embaixo da torneira para resfriar o local. “Nós tirávamos e ela chorava. Fiquei mais de uma hora com ela debaixo da torneira. Entramos em contato com a pediatra, que nos auxiliou”.

A cicatrização não deixou marcas e a bebê está bem, mas Paula faz um alerta. “Cuidado com o forno. Fiquem atentos aos bebês, usem alguma proteção caso o forno seja o modelo convencional. Esse dia com certeza jamais esquecerei”.

Karina Caroline Lopes, de Foz do Iguaçu, no Paraná, também viveu momento de tensão em maio, quando o caçula, Bernardo, de 1 ano, virou um tacho de óleo que, por sorte, estava frio.

A família havia feito a noite do pastel em uma sexta-feira e, no sábado, foi organizar e fazer uma faxina no local. “Naquele espaço tem um banheiro, que estava servindo como despensa, resolvemos tirar as coisas de lá para usá-lo, por isso estava uma bagunça”, recorda. Enquanto ela e o marido arrumavam as coisas, os dois filhos, Isadora, 4, Nicolas, 3, estavam pintando desenhos em uma mesinha e Bernardo estava no andador. “Ele está na fase de engatinhar, então, o coloquei no andador, porque achei que estaria mais seguro e todo o tempo meu marido e eu estávamos presentes”, fala.

Ao entrar em casa para deixar algumas roupas, Karina ouviu o grito do marido. “Pensei que ele havia caído da escada, saí correndo e o vi com o Bernardo nos braços. Foram sete segundos do momento em que o tacho caiu e meu marido pegar ele. Tínhamos consciência que o óleo estava frio, mas a preocupação era se ele tinha batido a cabeça em alguma parte do tacho”, conta.

Bernardo não se feriu e a mãe divulgou o vídeo como alerta. “O intuito da postagem é salvar vidas. Se alguma pessoa ver esse vídeo, pode ficar mais atenta às panelas com cabo virado ou baldes em casa, por exemplo. Ao conseguir salvar uma vida através desse vídeo, dessa mensagem, já atinge um objetivo, já faz bem para alguém”, conclui.

Prevenção
O presidente da SBCM pontua algumas ações principais para evitar acidentes. “Mantenha as crianças longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições. Recomenda-se cozinhar nas bocas de trás do fogão e sempre com os cabos das panelas virados para dentro. O uso de protetores de fogão é um cuidado interessante para evitar que a criança tenha acesso às panelas”, salienta.

Outra dica importante é evitar carregar as crianças no colo enquanto mexe em panelas no fogão ou manipula líquidos quentes. “Um simples café, por exemplo, pode provocar graves queimaduras na pele de um bebê”, ressalta o especialista.

Outras orientações são:
– Deixar comidas e líquidos quentes no centro da mesa, longe do alcance das crianças;

– Não utilizar toalhas de mesa compridas ou jogos americanos, pois as crianças podem puxar esses tecidos, causando escaldadura ou queimadura de contato;

– Guarde fósforos, isqueiros, velas e outros produtos inflamáveis em locais altos e trancados, fora do alcance das crianças;

– Principalmente neste período de pandemia, muito cuidado com o álcool, responsável por um grande número de queimaduras graves em crianças. Guarde o produto longe do alcance delas. “O mais seguro é substituir qualquer versão de álcool por outros produtos de limpeza doméstica, como água e sabão”, ressalta Netto.
Com informações da Assessoria de Imprensa da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão.

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