Pandemia: agência da ONU pede atenção especial a mulheres, que representam 70% dos profissionais de saúde

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Durante o combate à pandemia de covid-19, os governos não devem esquecer as vulnerabilidades de mulheres e meninas, que foram exacerbadas pela crise, avisa o Fundo das Nações Unidas para a População (Unfpa).

Em declarações à ONU News, a partir de Genebra, a diretora do escritório da agência na cidade, Mónica Ferro, explicou porque a epidemia vai ter um impacto maior em mulheres e raparigas.

Riscos
“Globalmente, as mulheres constituem cerca de 70% dos profissionais de saúde e são quem presta a maioria dos cuidados sociais, incluindo cuidar de crianças e de idosos. Só isto, já faz com que sejam particularmente vulneráveis. Por todo o mundo, as mulheres continuam a ficar grávidas e a dar à luz. E são as mulheres que hoje vivem com mais medo e com mais ansiedade e que mais sofrerão com as perturbações dos sistemas de saúde e com a reafetação dos recursos à resposta do covid-19, seja para terem uma consulta de rotina, para terem um parto assistido numa clínica ou num hospital, ou para terem uma consulta de planeamento familiar.”

Segundo a agência, todas essas vulnerabilidades aumentam em contextos humanitários. O Unfpa identificou quase 48 milhões de mulheres e meninas, incluindo 4 milhões de mulheres grávidas, que precisam de assistência humanitária e proteção em 2020.

Para ajudar a resolver estes problemas nos países mais vulneráveis, a agência aprovou um plano de resposta com um orçamento US$ 187,5 milhões. Os esforços irão se concentrar no fortalecimento dos sistemas de saúde, na compra de equipamentos de proteção, acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva e campanhas de comunicação.

“Um pouco por todo o mundo, o Unfpa está a trabalhar com governos e com comunidades para garantir o funcionamento dos serviços essenciais para a proteção dos direitos e da saúde de mulheres e raparigas. Lutamos pelo direito a saúde sexual reprodutiva, para que todas as mulheres tenham acesso a meios contraceptivos modernos e possam ter uma gravidez e um parto seguros. E que possam viver livres de violência e práticas nefastas, como a mutilação genital feminina ou casamento infantil. Com esta pandemia, tem havido um aumento no recurso as linhas de apoio a vítimas de violência doméstica e a casas de emergência um pouco por todo o mundo.”

Na China, o Unfpa distribuiu absorventes higiênicos e fraldas para adultos para populações vulneráveis, incluindo idosos, bem como equipamentos de proteção para profissionais de saúde. No Irã, adquiriu suprimentos para mais de 400 centros para idosos e pessoas com deficiência. Nas Filipinas, forneceu equipamentos de proteção e distribuiu termômetros e máscaras.

Violência
Num apelo no início de abril, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que muitas mulheres encontram violência no sítio onde era suposto estarem mais protegidas, no seu próprio lar. Monica Ferro diz que o Unfpa se junta a esse apelo, pedindo a todos os governos para que façam deste tema uma prioridade nas suas respostas à covid-19.

“À medida que a pandemia se espalha pelo planeta, sabemos que é preciso uma resposta global, imediata e sustentada. Para ajudar na recuperação, as mulheres devem estar representadas em igualdade nos processos de liderança e de tomada de decisão. E todos os países devem reconhecer como essenciais os serviços de proteção da sua saúde e do seus bem-estar. Apesar dos desafios, o Unfpa, em conjunto com os nossos parceiros, continua a encontrar formas de manter em funcionamento clínicas e serviços para as mulheres gravidas e os seus bebês. Estamos também a disponibilizar serviços para responder e prevenir a violência. Cada um de nós tem um papel a desempenhar nesta luta.

Exemplos
Para justificar esta resposta, o Unfpa dá vários exemplos de como crises de saúde passadas afetaram as mulheres.

No surto de zika de 2015-2016, por exemplo, existiram barreiras significativas devido à falta de autonomia sobre saúde sexual, acesso inadequado aos serviços e recursos financeiros insuficientes. Durante o surto de ebola na África Ocidental, em 2014-2016, as mulheres tinham maior probabilidade de serem infetadas devido aos seus papeis de cuidadoras e profissionais de saúde.

Hoje, a pandemia de covid-19 tem um impacto significativo nos meios de subsistência das trabalhadoras, pois o fechamento das escolas aumenta a carga de cuidados domésticos e as restrições de viagens afetam as indústrias de serviços e o trabalho informal, dominado por mulheres.

Na página do Unfpa, pode encontrar mais informação sobre a resposta da agência. Com ONU News

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