Desigualdade sobe e atinge mais de 70% da população global

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A desigualdade está crescendo para mais de 70% da população global, aumentando o risco de divisões, mas a tendência pode ser combatida, afirma um estudo divulgado pela ONU nesta semana.

O Relatório Social Mundial publicado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, mostra que a desigualdade de rendimentos aumentou nos países mais desenvolvidos e em algumas nações de renda média.

Problemas
No relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que o mundo enfrenta “a dura realidade de um cenário global profundamente desigual”, em que problemas econômicos, desigualdades e insegurança no emprego levam a protestos em massa.

Para o chefe da ONU, as diferenças de rendimentos e a falta de oportunidades “estão criando um ciclo vicioso de desigualdade, frustração e insatisfação.”

Segundo o estudo, as pessoas que ocupam o 1% no topo da pirâmide de rendimentos são as mais beneficiadas. Entre 1990 e 2015, a porcentagem de riqueza global acumulada por essas pessoas aumentou.

No outro extremo, as pessoas que ocupam os 40% mais baixos da pirâmide de rendimentos ganham menos de 25% de toda a riqueza produzida anualmente, aumentando a desigualdade a cada ano.

Regiões
Segundo a pesquisa, a desigualdade torna o crescimento econômico mais lento. Nas sociedades mais desiguais, com grandes disparidades em áreas como saúde e educação, as pessoas têm maior probabilidade de viver em pobreza durante várias gerações.

Entre os países, a diferença na renda média está diminuindo, com a contribuição de países como a China. Ainda assim, existem grandes diferenças entre os Estados. A renda média na América do Norte, por exemplo, é 16 vezes maior do que na África Subsaariana.

Tendências
O relatório analisa o impacto de quatro grandes tendências globais: inovação tecnológica, mudança climática, urbanização e migração internacional.

Embora a inovação tecnológica possa apoiar o crescimento econômico, também pode levar ao aumento das diferenças salariais e deslocar trabalhadores. Segundo a pesquisa, “as novas tecnologias podem eliminar categorias inteiras de empregos, mas também podem gerar novos empregos e inovações.”

Por enquanto, no entanto, apenas os trabalhadores altamente qualificados estão colhendo os benefícios da chamada “quarta revolução industrial.”

Já a mudança climática está tornando os países mais pobres do mundo ainda mais pobres e pode reverter o progresso feito na redução da desigualdade.

Ações para combater a crise climática devem eliminar empregos em setores que geram muitas emissões de gases de efeito estufa, mas a ONU acredita que a mudança “pode resultar em ganhos no número de empregos, com a criação de muitos novos empregos.”

Cidades e migração
Pela primeira vez na história, mais pessoas vivem em áreas urbanas do que rurais, uma tendência que deve continuar. Embora as cidades impulsionem o crescimento econômico, elas são mais desiguais do que as áreas rurais, com as pessoas mais ricas do planeta vivendo junto das mais pobres.

Segundo o relatório, “à medida que crescem e se desenvolvem, algumas cidades se tornam mais desiguais, enquanto que outras se tornam menos desiguais.”

Por fim, a quarta tendência em destaque é a migração internacional, que os especialistas da ONU descrevem como “um símbolo poderoso da desigualdade global” e “uma força pela igualdade nas condições certas”.

A pesquisa afirma que, em alguns casos, quando os migrantes competem por trabalhos pouco qualificados, os salários podem cair, aumentando a desigualdade. Por outro lado, se têm competências necessárias ou se fazem trabalhos que outros não estão dispostos a fazer, podem ter um resultado positivo.

Oportunidade
Apesar de um claro aumento das desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres, o relatório afirma que a situação pode ser revertida.

O secretário-geral diz que as grandes tendências podem “ser aproveitadas para criar um mundo mais igualitário e sustentável.” Para António Guterres, tanto os governos como as organizações internacionais têm um papel a desempenhar.

A pesquisa sugere três estratégias. A primeira pede maior igualdade de acesso a oportunidades, através, por exemplo, do acesso universal à educação. Depois, políticas fiscais, como benefícios de desemprego e invalidez. E, por fim, legislação sobre preconceito e discriminação, promovendo maior participação de grupos desfavorecidos. Com ONU News

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