Encontro mundial endossa prioridades de educação pós-pandemia

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Cerca de 11 chefes de Estado e 64 ministros da Educação de 97 países participam na quinta-feira (22) em um encontro sobre educação organizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Realizado em parceria com os governos do Gana, da Noruega e do Reino Unido, o objetivo era definir prioridades durante a recuperação da pandemia de Covid-19 e garantir financiamento para o setor.

Pandemia
Participaram no encontro o secretário-geral, António Guterres, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, e personalidades como a atriz Angelina Jolie e o economista Jeffrey Sachs.

Na abertura da reunião, o chefe da ONU destacou o impacto da Covid-19, dizendo que “o mundo está em risco de uma catástrofe geracional.”

A pandemia teve um impacto desproporcional nas crianças e jovens mais vulneráveis ​​e marginalizados, destacou o secretário-geral. Centenas de milhões de pessoas perderam a educação e milhões podem nunca continuar sua jornada de aprendizado.

António Guterres disse que “o progresso alcançado, especialmente para meninas e mulheres jovens, está ameaçado.” Segundo dados da ONU, cerca de 11 milhões de alunas podem não regressar à escola depois da pandemia.

Segundo ele, é preciso apoiar a recuperação da aprendizagem em países de baixa e média rendas e incluir a educação em todos os pacotes de estímulo.

Investimento
O financiamento para a recuperação é um dos grandes temas do encontro. Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano. Agora, o valor aumentou.

Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano

Guterres disse que o mundo terá “sucesso investindo naqueles que têm maior risco de ficar para trás, em professores treinados e respeitados, e em escolas que são seguras.”

Ele destacou ainda a importância de investimentos em conectividade e tecnologias digitais para reimaginar a educação e o reconhecimento de que “a educação é um bem comum global.’

Para o secretário-geral, “o financiamento e a vontade política são essenciais.”

Crise
Em meados de julho, mais de 160 países tinham suas escolas fechadas. A medida afetava mais de 1 bilhão de estudantes em todo o mundo.

Pelo menos 40 milhões de alunos, em todo o globo, ficaram sem acesso ao pré-escolar, um período vital para o desenvolvimento infantil.

Em seu discurso, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, realçou “a maior interrupção da educação da história” e homenageou “todos os professores do mundo, que correm riscos para educar nossas crianças.”

Declaração
No final do encontro, os Estados-membros adotaram uma declaração com base em um documento político publicado pelo secretário-geral em agosto.

A declaração aponta áreas como financiamento, inclusão, professores, reabertura segura, conectividade e coordenação como prioridades de ação.

Encerrando o encontro, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, disse que vários ingredientes essenciais agora são necessários para dar vida a esta declaração. Primeiro, vontade política. Depois, inovação.

Para Amina Mohammed, voltar ao normal “significaria ignorar as profundas mudanças acontecendo no setor de tecnologia e nos mercados de trabalho em todo o mundo.”

Declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet

Além disso, “significaria aceitar o fato inaceitável de que, mesmo antes da Covid-19, cerca de 250 milhões de crianças estavam fora da escola e mais da metade das crianças em idade escolar em todo o mundo não tinham habilidades básicas de leitura.”

Para ela, a implementação da declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet.

Também se devem aproveitar todas as oportunidades para que os sistemas educacionais sejam mais abertos, flexíveis e criativos, para que os jovens “possam prosperar em um mundo complexo e em rápida mudança.”

Em terceiro e último lugar, a vice-chefe da ONU disse que o mundo precisa de colaboração multilateral eficaz, marcada “por maior solidariedade para com os países mais vulneráveis.” Com ONU News

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