Congresso discute mercado e desafios para produção nacional de borracha

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Está sendo realizado no Auditório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), em Belo Horizonte, o 6º Congresso Brasileiro de Heveicultura. O evento, que acontece pela primeira vez no estado, tem como objetivo identificar desafios, propor e encaminhar soluções para o setor produtivo de borracha natural no país.

O pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e presidente desta edição do congresso, Antônio de Pádua, explica que o momento atual é de retração na produção e no consumo de borracha natural no Brasil e no mundo. O cenário futuro porém, de acordo com as projeções do economista holandês Hidde Smit, aponta para um déficit de borracha natural no final da próxima década, com consequente recuperação dos preços desta matéria-prima. Outra vantagem, apontada pelo pesquisador, é o potencial da seringueira na recuperação de áreas degradadas.

Atualmente, a Ásia responde por 91% da borracha natural produzida no mundo. O Brasil, embora seja um centro de origem e diversidade genética da seringueira, produz somente 1/3 do material que é consumido no país, o que corresponde a 1,4% do total mundial (192 mil toneladas por ano).

“Minas foi o estado que mais plantou seringueira nos últimos dez anos e tem entre 16 e 17 mil hectares semeados em diversos níveis de altitude. A espécie está apta a se espalhar por todo o estado, com algumas restrições na região Norte”, diz Antônio de Pádua, reforçando que a cultura precisa ser incentivada entre os pequenos produtores mineiros.

A presidente da Epamig, Nilda de Fátima Ferreira Soares, destaca o papel da pesquisa na recuperação da relevância da seringueira na agricultura e na economia mundial. “Com certeza existem vários fatores que fizeram com que a cultura da seringueira, que era conhecida como o ouro branco nacional nos séculos XIX e XX, entrasse em declínio. Hoje a produção brasileira representa menos de 2% do total mundial”, observa.

Para ela, alguns fatores que causaram essa situação são a falta de investimento em pesquisas para melhoramento genético e de novas cultivares. “Precisamos reforçar o papel da ciência e da tecnologia como a mola propulsora do desenvolvimento de um país. E defender empresas, como a Epamig, que propõem a inovação, e a Emater, que leva para o campo a tecnologia gerada”, frisa Nilda.

A secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Maria Valentini, que é engenheira florestal, reconhece a falta de apoio ao setor nos últimos anos. “Precisamos tornar o ambiente mais favorável para o produtor rural, que tanto auxilia no crescimento do nosso estado. A situação está bastante difícil, mas não desanimamos. Estamos buscando recursos, parcerias e mudanças na lei para fortalecermos a nossa empresa de pesquisa”, afirmou.

O ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli foi o responsável pela abertura do Congresso, com o tema “Agricultura Brasileira: Passado, presente e futuro”. Ele destacou avanços da agricultura tropical e bases para a estruturação do sistema de pesquisa agropecuária do Brasil na década de 1970.

Paulinelli assegurou que o atual cenário, de retração econômica e demanda por aumento de produtividade, é semelhante ao que culminou no avanço da agropecuária para regiões antes consideradas improdutivas, como o Cerrado, e na criação da Embrapa e das organizações estaduais de pesquisa.

O 6º Congresso Brasileiro de Heveicultura é realizado pela Epamig e pelo Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), tem como correalizadores a Emater-MG e a Sociedade de Investigações Florestais (SIF). A programação prossegue até esta quinta-feira (24). Com Agência Minas

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