Cepal estima crescimento de 1,6% para o Brasil e 1,5% para AL

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Apesar de incertezas externas, a América Latina e o Caribe mantêm uma trajetória de crescimento moderado, e suas economias crescerão 1,5% em 2018. De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), isso será possível graças a um aumento da demanda interna, especialmente do consumo privado, e um leve aumento do investimento na região.

As informações estão no relatório Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2018, divulgado ontem (23) pela entidade. A projeção caiu 0,7 ponto percentual em relação à estimativa anterior, que apontava crescimento médio 2,2% em 2018. Embora apresente sinais de desaceleração, o crescimento mantém uma tendência positiva, de acordo com a Cepal.

Para o Brasil, a previsão da entidade para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), que estava em 2%, caiu para 1,6% para este ano. Um dos fatores para a desaceleração, segundo a Cepal, é a paralisação de 11 dias dos caminhoneiros, que aconteceu em maio, impedindo grande parte da circulação de mercadorias e, portanto, da produção. Além disso, os resultados do primeiro trimestre ficaram abaixo da trajetória esperada.

“Ainda que em junho tenham se recuperado os níveis de produção e atividade, as perdas sofridas e as incertezas geradas em relação à evolução da economia diante do resultado das próximas eleições e a deterioração do cenário internacional, bem como as exportações para a Argentina, reduziram as estimativas de crescimento do PIB do Brasil para 1,6%”, diz o relatório.

Ainda assim, a Cepal destaca o crescimento, mesmo que lento, de 1% do PIB em 2017, após dois anos de recessão com quedas de 3,5% ao ano. Os bons resultados do agronegócio (13%), o aumento das exportações (5,2%) e a recuperação do consumo das famílias (0,1%) foram responsáveis por esse crescimento.

Incertezas
Entretanto, de acordo com o relatório, no Brasil, os desafios econômicos persistem quando se trata de retomar o crescimento e impactar favoravelmente na renda das famílias e do setor público. A taxa de desemprego manteve-se em níveis elevados, com uma média mensal de 12,7%, em 2017. No primeiro semestre de 2018, a taxa média foi de 12,8%. O salário real médio subiu apenas 1,29% no trimestre até maio de 2018, comparado ao mesmo trimestre do ano anterior.

Por outro lado, no primeiro semestre de 2018 as receitas federais cresceram 6,5% em relação ao mesmo período de 2017, devido ao aumento da cobrança pelo maior nível de atividade e pelos programas de regularização tributária. Graças à regra do teto de gastos foi possível conter o déficit primário do governo federal no primeiro trimestre, que passou de 1,8% do PIB para 1,0% do PIB. Além disso, com a queda da taxa de juros, o setor público registou uma queda nos pagamentos de juros, de 6,4% do PIB no primeiro semestre de 2017 para 5,4% no primeiro semestre de 2018.

Resultados regionais
Como em estudos anteriores, existe uma grande heterogeneidade entre os diferentes países e sub-regiões. No caso da América do Sul, o crescimento esperado é de 1,2% em 2018, enquanto a América Central cresceria 3,4% e o Caribe 1,7%.

Com relação aos países, República Dominicana e Panamá devem liderar o crescimento da região, com um aumento do PIB de 5,4% e 5,2%, respectivamente, seguidos pelo Paraguai (4,4%), Bolívia (4,3%), Antigua e Barbuda (4,2%), Chile e Honduras (ambos 3,9%). Já Venezuela, Dominica e Argentina apresentam projeção retração de 12%, 6,4% e 0,3%, respectivamente.

Investimentos
Nessa edição do relatório, a Cepal dedica-se a uma análise da evolução do investimento na América Latina e no Caribe entre 1995 e 2017, com seus fatos estilizados, principais determinantes e desafios de política. De acordo com o estudo, a região aumentou seus níveis de investimento nas últimas duas décadas, fechando a diferença existente com outras regiões do mundo, entretanto, “é necessário um esforço adicional para promover os encadeamentos produtivos desse investimento e assim sustentar o crescimento econômico”.

O estudo indica que entre 1995 e 2017 a formação bruta de capital fixo (investimento fixo) aumentou de 18,5% para 20,2% como proporção do produto interno bruto (PIB) da região, embora a partir de 2012 o dinamismo do investimento tenha desacelerado. O setor da construção é o de maior investimento no período, com 67,5% do investimento total.

No entanto, as máquinas e equipamentos aparecem como os componentes mais dinâmicos, já que o investimento no setor passou de 4,7% do PIB entre 1995 e 2003 para 8,1% entre 2010 e 2016. Para a Cepal, isso é positivo para a região, pois “permite incorporar maior conteúdo tecnológico e estabelecer as bases para melhorar a produtividade e manter o crescimento”.

A Cepal adverte, entretanto, que, em 2017, os níveis de investimento privado superaram os do investimento público, com 80,3% comparado com 19,7% de participação, respectivamente. Para a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, é necessário ter um olhar estratégico do investimento público, pois ele tem um papel importante na promoção do investimento privado e na provisão de bens públicos centrais para impulsionar o crescimento.

O Estudo Econômico 2018 está disponível, em espanhol, na página da Cepal. Com Agência Brasil

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