Cobertura vacinal contra a poliomielite ainda não é a ideal em MG

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Considerando-se a divulgação recente de um caso suspeito de pólio em uma criança venezuelana de etnia indígena e também que a Venezuela e o Brasil fazem fronteira, havendo uma intensa migração de pessoas entre os países e que há baixas coberturas vacinais contra a Poliomielite, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) destaca a importância da vacinação e alerta sobre os cuidados para prevenção da doença.

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A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, provocada pelo poliovírus e afeta várias pessoas em todo o mundo.

Segundo a referência técnica estadual de Poliomielite da SES-MG, Fernanda da Silva Barbosa, enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país, há risco de reintrodução da pólio em nosso território. Mesmo com a doença não sendo registrada no país desde 1990.
“Apesar de estar erradicada no Brasil, a doença ainda é presente em países da África, Ásia e Oriente Médio. A imunização contra a pólio é a responsável por manter a eliminação da doença no país. A vacina é segura, altamente eficaz, quando o esquema vacinal é feito de forma completa, e está disponível em toda a rede pública de saúde do Estado”, reforça.

Ações do Governo
Diante do caso notificado na Venezuela, o Governo de Minas Gerais reforçou as ações para manter erradicada a doença no Estado. Entre elas estão: o fortalecimento das atividades de imunização nas faixas etárias preconizadas pelo Calendário Nacional de Vacinação (crianças menores de 5 anos); alcançar 95% de cobertura para Vacina Inativada contra Poliomielite (VIP) e Vacina Oral contra Poliomielite (VOP) nas faixas etárias preconizadas e também coberturas homogêneas; manter a vigilância epidemiológica de alta qualidade; notificar os casos suspeitos imediatamente; orientar a população a buscar uma unidade de saúde no caso de aparecimento dos sintomas; entre outras ações.

Cobertura vacinal
Desde 2016, o Programa Nacional de Imunização (PNI) adota a Vacina Inativa da Poliomielite (VIP) para as três primeiras doses, aplicadas aos dois, quatro e seis meses de idade. E para as duas doses de reforço, em crianças de 15 meses e quatro anos de idade, a vacina utilizada é a Vacinal Oral da Poliomielite (VOP).

Em Minas Gerais, a cobertura vacinal geral contra a doença, em 2017, foi de 83% em crianças menores de um ano e 74% para o reforço em crianças maiores de um ano. Em 2018, até o mês de maio, 67% do público prioritário recebeu a 3ª dose da vacina e 54% das crianças maiores de um ano receberam a dose do reforço.

A cobertura vacinal acumulada contra a poliomielite só foi alcançada para a terceira dose, aos três anos de idade, e para o primeiro reforço, em crianças de quatro anos. As demais idades ficaram abaixo da meta, que é 95% do público alvo vacinado. O público prioritário a ser vacinado no estado, nesse ano, é de 253.480 pessoas.

Poliomielite
A pólio é causada pelo polivírus que, em contato com o corpo humano, multiplica-se no intestino podendo invadir o sistema nervoso central, levando a perda de massa muscular e causando paralisia. A transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa, por meio de alimentos e água contaminados ou pelo contato com gotículas de secreções como ao falar, tossir e espirrar. A principal forma de prevenção se dá pela vacinação.

Mas como o vírus é transmitido principalmente pela via oral e por meio da água e alimentos contaminados, outras medidas que podem evitar a reintrodução e proliferação do vírus são: tomar medidas adequadas de higiene, como utilizar água filtrada para o consumo; higienizar sempre os alimentos antes do preparo; verificar se utensílios de mesa e cozinha estão limpos antes de usá-los; lavar sempre as mãos antes das refeições e depois de utilizar o banheiro.

“Também é importante desenvolver na criança pequenos hábitos saudáveis de higiene, como lavar as mãos antes da refeições, só beber água tratada, por exemplo”, explica Fernanda Barbosa. Essas medidas ajudam a evitar a proliferação do vírus, mas não são tão eficientes quanto a vacina, que é a melhor maneira para evitar a poliomelite.

A doença, na maioria dos casos, não leva a óbito, mas causa sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores. A doença pode ser fatal se forem infectadas as células dos centros nervosos que controlam os músculos respiratórios e da deglutição.

Variações do vírus
A pólio pode ser provocada por dois tipos de vírus, o selvagem (que está em circulação em alguns países da África, Ásia e Oriente Médio) e o vacinal, que é o tipo identificado no caso da criança venezuelana, citada no início desta matéria.

Segundo Fernanda da Silva Barbosa, o vírus vacinal é derivado da reversão do vírus vivo atenuado, utilizado na vacina oral contra a doença, dentro do intestino e acomete pessoas não vacinadas.

“Ao tomar a vacina oral, os vírus vivos atenuados, contidos na VOP, se replicam no intestino e são excretados por mais de seis semanas. Durante a replicação da vacina, em casos raros, esses vírus podem sofrer mutações e readquirir suas propriedades virulentas. Se esses vírus derivados do poliovírus vacinais circularem em comunidades com baixa cobertura vacinal, podem infectar pessoas não vacinadas e causar paralisia semelhante a causada pelo vírus selvagem, possibilitando o surgimento da doença sem reintrodução”, esclarece. Com Agência Minas

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