Hospital João XXIII em BH se destaca no controle de superlotação de prontos-socorros

O Hospital João XXIII (HJXXIII), administrado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), participou, ontem (22), do “4º Workshop do Projeto Lean nas Emergências”. O evento foi on-line e marcou o encerramento do projeto nas unidades participantes do ciclo 4, com a apresentação dos resultados alcançados.

O Projeto Lean nas Emergências é uma ação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde, e conta com a consultoria de profissionais do Hospital Sírio Libanês, referência internacional em saúde. O principal objetivo é reduzir a superlotação nos prontos-socorros.

Ao todo, 40 hospitais de 24 estados do país participaram do ciclo 4 do projeto, implantando, em 2020, as ferramentas da Filosofia Lean. O João XXIII ficou entre as três unidades que apresentaram os melhores resultados.

“O projeto envolve todas as áreas do hospital, da entrada até a saída do usuário. Ao aplicar o Lean nas emergências, melhoramos os processos, evitando desperdícios como, por exemplo, o excesso de estoque e o retrabalho, e reduzimos o tempo de espera, aumentando o giro de leitos e diminuindo a taxa de média permanência, o que reflete na redução da superlotação”, explica a assessora da Diretoria Assistencial do Complexo Hospitalar de Urgência, Cíntia Alcântara de Carvalho.

Segundo ela, a Taxa de Média Permanência (TMP) é uma das grandes conquistas. “Conseguimos reduzir em 30% o tempo do paciente que está no pronto-socorro aguardando um leito para internação. Uma queda importante, já que aumentamos o nosso atendimento. Isso evidencia o excelente trabalho do Núcleo Interno de Regulação (NIR), que melhorou o giro de leito.

Ações de destaque
Entre as principais ações implantadas que contribuíram para os bons resultados alcançados, no HJXXIII, estão:

– organização do hospital por meio da ferramenta 5S (limpeza, arrumação, disciplina, organização e padronização);
– criação do plano de capacidade plena, que orienta a tomada de decisões rápidas para reduzir a hiperlotação;
– segregação do fluxo do baixo risco para fora do eixo central do pronto-socorro, garantindo redução de pacientes nos corredores;
– criação da sala de decisão clínica e instalação de painéis para avisar aos médicos sobre os usuários aguardando na área de baixo risco;
– criação da sala de curta permanência para pacientes que ficam internados até 72 horas; e
– implantação de uma nova atividade, que é o fluxista – técnico de enfermagem responsável pela entrada e saída da sala de decisão clínica, sinalizando aos médicos a existência de pacientes esperando avaliação ou alta, e agilizando a realização dos exames.
“Agregamos valor ao paciente, dando a ele o que precisa. Dessa forma, aumentamos sua satisfação e reduzimos seu tempo dentro do hospital. Tudo isso só foi possível porque tivemos, além do comprometimento da alta direção, o engajamento dos profissionais do João XXIII, principalmente da equipe de enfermagem”, afirma a assessora.

Lean na Fhemig
Além do HJXXIII,em 2020, com participação no Ciclo 4, a implantação também ocorreu no Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII) e no Hospital Júlia Kubitschek (HJK), em 2019, com participação no Ciclo 3 do Projeto Lean.

Filosofia
A Filosofia Lean foi criada na indústria automobilística japonesa logo após a 2ª Guerra Mundial, como forma de aumentar a produtividade e a eficiência no cenário da época, chegando, na década de 90, a ser utilizada em praticamente todos os setores produtivos do ocidente. Devido aos resultados positivos, foi adaptada e adotada também na área da saúde, sendo responsável pela melhoria no atendimento e na gestão das unidades onde foi implantada.

O conceito pode ser traduzido como “produção enxuta”. Ou seja, é possível melhorar a gestão racionalizando recursos e otimizando espaços e insumos. “É uma filosofia que tem como essência eliminar desperdícios, utilizando apenas os recursos necessários, por meio do engajamento das pessoas envolvidas nos processos. Isso implica em repensar a maneira como se lidera, se gerencia e se desenvolve pessoas. Com as ferramentas do Lean, desenvolvemos a confiança dos profissionais para que eles consigam resolver os problemas de forma autônoma”, afirma Cíntia.

Para ela, o Lean mostra a necessidade da flexibilidade, da quebra de paradigmas e da adaptabilidade. “A obrigação de sair da caixa e fazer melhor a cada dia. Esta é a cultura Lean. Ele nos ensina que precisamos inspirar pessoas e toda transformação só acontece quando acreditamos que podemos ser melhores. A perfeição não existe, mas a capacidade de ser melhor é inerente”, conclui. Com Agência Minas

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