Aproximação do inverno pode aumentar casos de Covid-19 na África

No continente africano, 34 dos 54 países já notificaram cerca de 650 casos de infeção pelo Covid-19 até a quinta-feira (19), segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

A diretora do Escritório da agência em África, Matshidiso Moeti, disse que essa evolução é “extremamente rápida” na região. Ela apresentou uma atualização num debate, em Genebra, promovido pelo Fórum Econômico Mundial.

Crescimento
A África Subsaariana teve o primeiro caso anunciado em 28 de fevereiro. Em sua declaração, via videoconferência, a representante destacou que o crescimento na região foi rápido. Há cerca de 10 dias, apenas “cinco países” tinham casos do vírus.

Especialistas da agência têm analisado os padrões da gripe normal no continente com acadêmicos e outras instituições. A meta é tentar compreender a natureza do novo coronavírus e se a expansão pode ter relação com o clima e as temperaturas quentes da região.

A diretora da OMS disse que, nas próximas semanas, pode-se “esperar um aumento com a chegada do inverno”.

Moeti destacou que 43 países já têm kits de testes.

Recursos
A chefe regional da OMS também expressou preocupação com as restrições de viagem e seu impacto na capacidade de fornecer recursos necessários para conter as transmissões. A agência da ONU pondera criar corredores humanitários para lidar com o novo coronavírus.

Em 27 países, foi observado que pessoas chegadas da Europa, o atual epicentro da infeção, tinham a doença ao entrar no continente africano. Em quatro países foi relatada transmissão local iniciadas por casos de recém-chegados da Europa e de nações africanas.

A preocupação com o rápido aumento de casos marcou o debate em que participaram especialistas da OMS na África do Sul e Senegal, países mais afetados do continente Africano.

Para a representante da OMS no Senegal, Lucile Imboua-Niava, a rotina e os hábitos de vida locais podem estar permitindo uma maior disseminação. O país tem 35 casos confirmados e 20 de transmissão local.

Casos da Europa
Na África do Sul, Owen Kaluwa disse que o primeiro paciente foi diagnosticado em 5 de março. Cerca de 15 dias, a nação conta com 150 confirmações de viajantes da Europa e 12 de transmissão local. As províncias de Gauteng, Kwazulu-Natal e Cabo Oriental são as mais afetadas.

Não foi oferecida a quantidade de testes que os países desejariam ter. E ela incentivou alternativas locais que a OMS tem acompanhado de perto. Moeti disse que 40 países têm condições em hospitais que podem detetar a doença.

Ela apontou ainda o distanciamento social como um desafio para famílias que dormem juntas no mesmo lugar, e onde há casas sem água canalizada para a lavagem de mãos tal como é recomendado.

Para isso, a agência recomenda abordagens que podem ser adaptáveis localmente, como o uso de desinfetantes à base de álcool apoiado pelo setor privado. Segundo ela, o momento exige pensar de uma forma diferente em como promover o acesso ao uso de máscaras onde for necessário.

China
Moeti afirmou que no princípio da epidemia, a maior preocupação era com a influência da China como um parceiro econômico-chave do continente. Mas foi observado que os casos em África ainda eram menores que os da Ásia, Europa e América do Sul.

Para a chefe da OMS em África, as medidas de prevenção atempada adotadas na China e a forma como foi abordada a possível transmissão fora desse país podem ter reduzido o risco no continente africano. Com ONU News

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