Três novas áreas são reconhecidas como sítios Ramsar no Brasil

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O Brasil reconheceu três novas áreas úmidas como Sítios Ramsar, título que promove a proteção e a sustentabilidade de habitats aquáticos em todo o mundo. Foram reconhecidos o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, a Bacia do Rio Negro, no Amazonas e os manguezais da foz do Rio Amazonas.

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O anúncio foi feito na quinta (22) pelo diretor do Departamento de Ações de Consolidação Socioambiental e Territorial do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Moretti, durante sessão especial no 8º Fórum Mundial da Água. Com a inclusão desses três sítios aos 22 já existentes, o Brasil é o país que detém a maior extensão em áreas reconhecidas como Sítio Ramsar.

O título internacional contribui para que essas regiões conquistem novas parcerias, acordos de cooperação, apoio às pesquisas e obtenção de financiamento a projetos de preservação e conservação ambientais.

O diretor do ICMBio disse que o Brasil deve melhorar a gestão de recursos hídricos em unidades de conservação. “Não basta ganhar o reconhecimento, temos que entender como gerir essas áreas para atender os objetivos de proteção dessas áreas úmidas de importância internacional. Isso significa que é uma oportunidade usar a convenção Ramsar para melhorarmos o nosso conhecimento básico e a nossa prática de como criar e gerar áreas protegidas no contexto de fluxos hídricos de água doce”, disse Moretti.

Biomas
Durante a sessão, foram discutidos os desafios para a proteção de biomas no Brasil. Na Amazônia, além do combate ao desmatamento, um dos maiores desafios é a dificuldade de gestão dos recursos hídricos, tanto pelo tamanho da bacia quanto pelo fato de ela pertencer a vários países.

“Ter representatividade dos diversos atores que tem poder de decisão em cima daquela bacia é um grande desafio”, disse a representante do Programa de Soluções Inovadoras na Fundação Sustentável da Amazônia, Nayandra Kellen Pereira. Segundo ela, é preciso achar alternativas para o modelo de gestão de bacias existente no país, como a formação de comitês de microbacias.

Ela também ressaltou a necessidade de investir nas pessoas e nos saberes tradicionais da Amazônia. “Essas pessoas detêm um conhecimento de problemas que estão realmente acontecendo e são as melhores pessoas que podem se unir para proteger essas áreas. Investir nessas pessoas, fazer com que elas tenham acesso a políticas públicas e qualidade de vida é a chave para que elas não queiram desmatar”, disse.

A especialista disse que a Amazônia tem papel fundamental em toda umidade da América do Sul. A cada dia 20 bilhões de toneladas de vapor de água são emitidos da floresta. “Isso é mais do que a gente tem na própria bacia”, diz.

Pantanal
No Pantanal, as maiores ameaças atualmente são a possibilidade de construção de novas usinas hidrelétricas e de uma hidrovia Paraná-Paraguai, que está em processo de licenciamento.

“A comunidade já se colocou contrária por conhecer o que significa o curso de inundação do Pantanal. Sem os meandros, que são as curvas do rio, e, se aprofundarem o canal do rio, não vamos mais ter o Pantanal”, disse a professora da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), Solange Castrillon.

Segundo ela, o planejamento energético do país prevê a construção de 100 novas pequenas centrais hidrelétricas na região.

“O governo deve perceber que a instalação dessas hidrelétricas que estão sendo planejadas, assim como o projeto de hidrovia Paraná-Paraguai vai inviabilizar o Pantanal. Nós não estamos em um bioma isolado, temos em uma conectividade entre todos os biomas, cerrado, pantanal, mata atlântica”, ressaltou a especialista. Com Agência Brasil

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