Projetos no Fundo Amazônia geram três novas tecnologias para o uso sustentável da Floresta

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São 7,7 mil multiplicadores capacitados em técnicas para o desenvolvimento de atividades econômicas para o uso sustentável da Floresta Amazônica e da biodiversidade, bem como em ações de monitoramento do desmatamento. Trezentos e quatorze eventos de formação em 9 estados da Amazônia Legal, em um trabalho em rede, que mobilizou 96 organizações não governamentais e instituições parceiras. Agregação de valor dos produtos da biodiversidade, ampliação da escala de matérias-primas da biodiversidade, mais rastreabilidade, produtividade e rentabilidade dos sistemas de manejo florestal.

Esses são os primeiros resultados do Projeto Integrado da Amazônia (PIAMz), orientado à redução do desmatamento e da degradação florestal nos territórios do Bioma Amazônia. Também já foram geradas 3 novas tecnologias para auxiliar gestores, extensionistas e produtores rurais a obter informações sobre o bioma, como os dados sobre restauração e recomposição florestal, queimadas e incêndios florestais.

O projeto é desenvolvido pela Embrapa com recursos do Fundo Amazônia e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição responsável pelo repasse dos recursos para a Embrapa.

Como diz o próprio nome – Projeto Integrado da Amazônia, o PIAmz desdobra-se em 19 projetos de ação nos territórios amazônicos, todos apropriados pela gestão de pesquisa da Embrapa, sendo desenvolvidos por 14 unidades de pesquisa da Empresa (dentro e fora do bioma). São 24 meses de execução desde o primeiro repasse de recursos, em 2018. Embora com objetivos diferenciados, os 19 projetos têm como principal finalidade contribuir para ampla disseminação de alternativas de produção agropecuárias e florestais de baixo carbono, melhoria socioambiental e desenvolvimento territorial sustentável da região.

Os 19 projetos integram mais de 600 atividades de pesquisa e de transferência de tecnologia em nove estados da Amazônia Legal. A parceria com o Fundo Amazônia fortaleceu as ações da Embrapa nos territórios amazônicos onde estão instaladas nove das Unidades de pesquisa focadas no bioma. O projeto se concentrou nos municípios do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), dos Territórios da Cidadania e nos municípios onde se desenvolveram grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região e, também, nas regiões com maior conservação da cobertura florestal no bioma Amazônia.

“O objetivo do PIAmz é construir uma trilha que possa contribuir para reduzir a pressão sobre a floresta natural amazônica, com sustentabilidade de longo prazo”, explica o pesquisador da Embrapa, Antônio Heberlê. Para isso, os projetos buscam investir fortemente em ações participativas, capacitações e em alianças com as populações locais, sejam eles agricultores, ribeirinhos, comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, quilombolas ou extrativistas”, complementa.

Principais ações executadas
De acordo com os gestores do Projeto, os impactos do conjunto de atividades realizadas até hoje, tendem a ser de longo prazo, porque as ações em curso nos 45 municípios dos nove estados da Amazônia Legal buscam aumentar a consciência das comunidades locais sobre o valor da preservação ambiental e para a convivência harmônica entre as possíveis alternativas econômicas e o manejo da floresta, diminuindo assim, a pressão sobre o bioma Amazônia, com sustentabilidade de longo prazo. Para isso, os projetos têm investido fortemente em ações participativas e em alianças com as populações locais, sejam eles agricultores, ribeirinhos, comunidades tradicionais, quilombolas ou extrativistas.

Coordenadora geral do Projeto Integrado da Amazônia, Michelliny Bentes, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), diz que os resultados dos impactos do projeto são gradativos e vão se somando aos avanços das pesquisas da Embrapa na Amazônia.

“Estamos conseguindo capacitar agentes multiplicadores, com a formação de um ambiente participativo para a troca de conhecimentos, considerando as percepções e conhecimentos do homem do campo, e realizando ações objetivas a partir dessa interlocução para a recuperação sustentável de áreas alteradas no bioma, com forte participação das pessoas dos territórios”, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, o foco na diversificação de culturas para sustentar a produção familiar, priorizando espécies nativas, está sintonizado com a necessária adequação ambiental. “O objetivo é contribuir com a redução do desmatamento na região, o que vai se constituir no maior agregado tecnológico para o futuro do bioma”, ressalta Michelliny.

Conheça os projetos do Fundo Amazônia acessando a página especial do Projeto Integrado para a Produção para a Produção e Manejo Sustentável do Bioma Amazônia.

O desafio da pesquisa científica nos projetos do Fundo Amazônia
Quando se fala de ciência os pesquisadores pedem um tempo médio a longo para o desenvolvimento de seus experimentos, a fim de obter resultados confiáveis. Mas, nem sempre é assim, alguns problemas são tão emergenciais que não podem esperar muito tempo. Esse é o caso do Bioma Amazônico, que chama atenção por abrigar a maior floresta tropical natural e conter uma das maiores biodiversidades do Planeta, ao tempo em que está sujeita a fortes pressões antrópicas de uso e ocupação das terras.

Ao aceitar em 2018 o desafio do Fundo Amazônia, feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES, a Embrapa comprometeu-se com um projeto de curtíssimo prazo, com metas ambiciosas e fora da lógica tradicional da produção científica, mas, devido à experiência de seus pesquisadores nos territórios amazônicos, já está colhendo resultados importantes e rapidamente.

Após o segundo ano de execução dos projetos, e mesmo com o advento da pandemia, a Embrapa vem avançando com propostas integradoras e participativas que envolvem os principais atores que convivem no bioma por meio de um grande plano estratégico baseado, principalmente, em transferência de tecnologia. Trata-se do Projeto Integrado da Amazônia (PIAMz), orientado à redução do desmatamento e da degradação florestal nos territórios do Bioma Amazônia.

Projeto Integrado da Amazônia em números
7.714 agentes multiplicadores capacitados tecnologicamente para o desenvolvimento de atividades econômicas com o uso sustentável da floresta e da biodiversidade e ações de monitoramento do desmatamento;
314 eventos de capacitação técnica realizados em 9 estados da Amazônia Legal;
111 trabalhos técnicos-científicos publicados com resultados dos 19 projetos em execução (artigos em Anais de Congresso, artigo de divulgação na mídia, artigo em periódico indexado, além de Notas Técnicas e livros) e vídeos;
Relacionamento com 96 instituições parceiras no bioma Amazônia, atuando em ações para agregação de valor a produtos da biodiversidade da Amazônia, na ampliação da escala de matérias-primas da biodiversidade, bem como na rastreabilidade, produtividade e rentabilidade de sistemas de manejo florestal sustentáveis (madeireiro e não madeireiro);
Instalação de 47 Unidades de Referência Tecnológica em locais estratégicos, como propriedades de agricultores da região;
Geração de três novas tecnologias específicas para a Amazônia;
Solicitação de uma patente para reconhecer a originalidade dos processos de desenvolvimento.

Tecnologias para a restauração florestal
Uma das tecnologias geradas no âmbito do projeto é o Sistema Agrotag VEG, composto por um aplicativo para uso em dispositivos móveis (tablets ou smartphones com sistema operacional Android) e uma interface WebGis para acesso dos registros em qualquer computador com acesso à internet. O sistema foi concebido para qualificar e disponibilizar informações técnicas sobre experiências de recomposição de Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal ou de Uso Restrito junto a produtores nos diversos estados.

Além de protocolo validado pela Embrapa, o Sistema Agrotag VEG possibilita o georreferenciamento das áreas de interesse e o registro fotográfico das experiências no campo, possibilitando que os participantes de uma rede de pesquisa ou de transferência de tecnologia possam compartilhar as informações levantadas pelas diversas equipes de campo. Conheça o sistema e suas funcionalidades acessando aqui (https://www.agrotag.cnptia.embrapa.br/#!/ )

Nesse sistema, os dados coletados pelos usuários no campo são enviados automaticamente do aplicativo para uma base de dados geoespacial online. Nela o usuário pode, além de acessar as informações coletadas em campo, fazer análises e cruzamentos com outras bases de dados disponibilizadas, permitindo ao final a geração de relatórios customizados ou mapas de saída.

“A possibilidade de compartilhamento de informações é um dos grandes diferenciais do sistema, possibilitando o apoio a projetos de pesquisa e de transferência de tecnologia em rede. Pelas características do sistema, é possível o monitoramento de ações de recomposição nos diversos estados, sendo um importante instrumento de apoio às Políticas Públicas ligadas ao tema recomposição ou reabilitação de áreas degradadas. Apesar de seu uso prioritário no bioma Amazônia, o sistema foi desenvolvido para ser utilizado em todos os demais biomas brasileiros”, destaca Ladislau Skorupa pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP) que participa do projeto Inovaflora – Inovação em restauração florestal e recuperação de áreas degradadas: ações integradas, coletivas e de construção de conhecimento para a melhoria socioambiental da agricultura familiar no Bioma Amazônia, presente em sete estados amazônicos (Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Maranhão, e Mato Grosso).

Benefícios sociais, econômicos e ambientais
No assentamento Mamuí, localizado no município de Itupiranga, região sudeste do Pará, recuperar as áreas degradadas é uma questão vital para as famílias de agricultores e para o meio ambiente. Isso porque as ações de recuperação diversificam a produção, contribuem para a segurança alimentar, diminuem o passivo ambiental e melhoram a renda dos agricultores. O local é um dos pontos de implantação das ações do projeto Inovaflora, um dos 19 projetos de ação que fazem parte do Projeto Integrado da Amazônia (PIAmz).

As 70 famílias do assentamento sabem que é preciso recuperar as nascentes, beiras de rios e as áreas de reserva legal, pois dessa forma, além de melhorarem a condição produtiva dos seus lotes, se adequam à legislação ambiental na Amazônia. Uma dessas famílias é a do João Francisco Pinheiro, conhecido como “Seu Sadia”. Ele é um dos pioneiros do assentamento Mamuí. Chegou ao local em 2005, antes mesmo da criação do assentamento, em 2009. Tem uma área de 22 hectares, onde tem gado de corte e leite, cria galinhas, produz queijo e farinha, cuida da roça, do plantio de hortaliças e extrai o açaí e o cupuaçu.

Ele conta que a principal dificuldade no lote é recuperar as áreas de preservação permanente (nascentes e beiras de rio) e estabelecer a sua reserva legal. “Quando chegamos aqui desmatamos tudo para produzir, para mostrar que estávamos produzindo. Agora temos que recuperar. A adequação à lei não é fácil, mas não é impossível”, desabafa o agricultor.

De acordo com a engenheira florestal Michelliny Bentes, da Embrapa Amazônia Oriental, coordenadora do projeto Inovaflora, o objetivo maior do trabalho é reduzir o desmatamento e melhorar a condição produtiva das áreas da agricultura familiar na Amazônia. “Levamos tecnologias e construímos alternativas com os agricultores para que eles possam se adequar à legislação e produzir mais em suas áreas, de forma legal”, explica.

No Pará, o Inovaflora atua em quatro municípios do Sudeste Paraense, região que tem mais de 500 assentamentos e reúne elementos da antiga e da nova fronteira de ocupação da Amazônia. O trabalho conta com o apoio de uma rede de instituições governamentais, instituições de ensino e extensão, associações de produtores e secretarias de agricultura. O projeto também tem ações no Acre, Amazonas, Rondônia, Amapá, Roraima, Mato Grosso e Maranhão.

Um dos técnicos parceiros do trabalho é o Manoel Messias, vinculado à Prefeitura de Pacajá, também na região Sudeste Paraense. Ele diz que o maior desafio da recuperação ambiental na região é mostrar que é possível produzir mais e melhor em menores áreas. “Quando o agricultor começa a ver os resultados da recuperação, ele percebe que o solo fica melhor, a produção diversifica, melhora a renda e não precisa abrir novas áreas. Ele sai de uma condição de trabalhar em grandes áreas com pouca produção e passa a usar áreas menores e ter mais renda”, conta.

Para o agrônomo Ademir Ruschel, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, recuperar Áreas de Preservação Permanente é fundamental para o meio ambiente e para vida prática dos agricultores. “A oferta de água nas propriedades está diretamente ligada à recuperação e conservação dessas áreas. As atividades da família dependem disso”, destaca.

No lote do agricultor Antônio Maurício, também do Assentamento Mamuí, a recuperação já é uma realidade. Ele implantou um sistema agroflorestal em área de nascente com o apoio do projeto Inovaflora.

“Foram 45 mudas de banana, 90 de açaí, 90 de cacau, além de mogno, andiroba, buriti e ipê. Tudo para proteger a água da minha área”, conta. Ele sabe que a vegetação das nascentes é condição fundamental para manter a qualidade da água. “As nossas áreas de APP devem estar cobertas com vegetação nativa e produtiva também. Se descobrir tudo, compromete a qualidade da nossa água”, finaliza.

Combate ao desmatamento com alertas de incêndios florestais
Outro desdobramento dos projetos da Embrapa no Fundo Amazônia para ajudar as comunidades do bioma frente ao aumento da degradação e desmatamento e, principalmente, aos incêndios florestais, é o Sistema Avançado de Monitoramento e Alerta de Fogo. De caráter participativo, a tecnologia é resultado do Projeto Conhecimento Compartilhado para Gestão Territorial Local na Amazônia (TERRAMAZ), coordenado pela Embrapa Roraima.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Roraima, Haron Xaud, líder do projeto, o sistema é baseado no Sistema de Monitoramento e Alerta para Queimadas (TerraMa2Q) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e uso de aplicativo móvel, o que permite acesso a dados de satélites, atualização de mapas, integração de dados levantados em campo, além do envio e recepção de alertas e avisos de incêndios florestais.

Terramaz – ações para o monitoramento de queimadas e incêndios
O Terramaz, desde 2018, promove ações efetivas em 17 territórios dos estados do Acre, Amapá, Amazonas. Maranhão, Rondônia, Roraima e Pará, visando minimizar a ocorrência de fogo na Amazônia por meio de cursos e treinamentos em monitoramento de desmatamento e de queimadas e incêndios florestais, monitoramento de material combustível de dentro das florestas, análises históricas de padrões de ocorrência de focos de calor no Estado de Roraima e desenvolvimento de rotinas semiautomáticas de visualização facilitada de focos de calor para uma rápida comunicação com as brigadas de combate.

O projeto atua em quatro linhas temáticas: (i) mapeamento do uso do terra; (ii) prevenção, monitoramento e estratégias controle de queimadas e incêndios florestais (iii) mapeamentos de solos e zoneamentos agropedoclimáticos; e (iv) gestão territorial local. A seguir vamos focar a exposição no tema (iii), quer seja, FOGO.

O Coronel Francisco Cleudiomar Alves Ferreira, Bombeiro Militar e Diretor Executivo da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil/Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), destaca a contribuição do TERRAMAZ para a conscientização e capacitação técnica de produtores, bombeiros militares, técnicos e profissionais ligados aos órgãos municipais, estaduais federais de fiscalização ambiental. “A Embrapa tem participação efetiva durante o período de combate aos incêndios florestais em Roraima, sugerindo áreas de combate e demonstrando com imagens atualizadas os pontos de maior incidência de incêndios”, explica o Coronel que defende institucionalizar essa parceria entre a Defesa Civil do Estado e a Embrapa.

Outro trabalho relevante que o projeto tem oferecido para o Estado é o levantamento de material combustível nas áreas de florestas durante os períodos de verão amazônico (estiagem) e que antecedem as realizações de queimadas, e que gerou estudo indicativo dos riscos de incêndios florestais. Esse trabalho tem sido fundamental para a tomada de decisões pelo Comitê Gestor de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais de Roraima quanto à suspensão de queimadas quando o risco está muito alto.

O representante da Defesa Civil em Roraima também defende que o projeto TERRAMAZ seja difundido em nível nacional, devido sua relevância para a Amazônia como um todo. “Os trabalhos que já foram desenvolvidos aqui no Estado, não só área técnica de georreferenciamento e com metodologia de monitoramento de campo para incêndios florestais com uso de imagens/filmagens com aeronaves remotamente pilotadas – ARPs,, mas também nos vários treinamentos e cursos em áreas afins, têm sido fundamentais para a indicação das regiões com alta incidência de incêndios e queimadas e para as estratégicas de atuação e deslocamento de brigadas de incêndios florestais”, ressalta o Coronel Ferreira. Com informações da Embrapa.

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