Manejo adequado reduz até 40% a perda de cordeiros em partos duplos

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Nos ovinos, a incidência de partos duplos varia entre 20% e 40%, em média. O nascimento de gêmeos é de grande importância econômica, mas o produtor precisa ficar bem atento nesses casos para reduzir as chances de perda de animais.

De acordo com o veterinário Raul Mascarenhas Santana, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), partos duplos ou triplos geram cordeiros mais frágeis que partos simples. “Geralmente, são menores e mais leves. A ordem do parto também influencia o vigor do recém-nascido. O último a nascer requer atenção especial com relação à capacidade de se alimentar”, conta o veterinário.

O vigor está associado à habilidade do cordeiro de levantar e andar mais rápido, mamar e disputar o alimento com os irmãos. Sendo mais frágeis, são mais susceptíveis às doenças, principalmente as respiratórias.

O fornecimento de nutrição adequada e balanceada à mãe é importante, principalmente quando os gêmeos são “criados ao pé” da fêmea. Ainda, dependendo da produção de leite da ovelha, e para não debilitá-la, pode haver necessidade de suplementação dos filhotes com leite. “No caso de trigêmeos é recomendada a suplementação ou, em algumas situações, separação para aleitamento artificial”, afirma Mascarenhas.

No entanto, há cuidados básicos, independente da quantidade de cordeiros nascidos no mesmo parto. O colostro é fundamental. A cria deve mamar logo nas primeiras horas de vida. Animais que não mamam colostro apresentam constantemente doenças, principalmente pneumonia, além de baixo peso e retardo no desenvolvimento. O veterinário orienta os pecuaristas a manterem frascos com colostro congelado para fornecimento aos recém-nascidos que não conseguem mamar ou nos casos em que a mãe não possui a capacidade de amamentá-los. Em média, o colostro pode permanecer congelado por dois ou três meses e, antes do uso, deve ser descongelado em banho-maria.

Outro procedimento é a cura do umbigo imediatamente após o parto com uso de solução de álcool iodado entre 5% e 10% para evitar infecções. Umbigos infeccionados podem causar febre, falta de apetite, inflamações nas articulações e morte do cordeiro devido à septicemia. Também pode ocorrer bicheira, causada por larvas de moscas.

Para garantir o bem-estar dos recém-nascidos, principalmente neste período de baixas temperaturas, é importante mantê-los em locais secos e com barreiras contra o vento e o frio.

O cordeiro em estado hipotérmico precisa de cuidados especiais para retornar à temperatura corporal normal. “Deve-se envolvê-lo em um pano seco e entre bolsas de água aquecida e aplicar via subcutânea vitaminas do complexo B, que estimulam o metabolismo energético, associadas a produtos à base de dextrose (energético)”, esclarece o veterinário.

Para evitar esse tipo de problema, na Embrapa Pecuária Sudeste as estações de parição são planejadas para ocorrerem em épocas quentes, prevenindo a morte por hipotermia.

Doenças como verminose e eimeriose podem ser impedidas com medidas simples de limpeza das instalações onde mães e filhotes permanecem, além da vermifugação dos animais de acordo com o grau de anemia observada na mucosa ocular e no momento de desmame. Com informações da Embrapa Pecuária Sudeste

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