ONU avalia que digitalização da África pode render frutos em até três anos

A África precisa continuar na direção do desenvolvimento construindo pontes e estradas, mas ao mesmo tempo investindo na digitalização de suas instituições para avançar na recuperação da Covid-19 e olhar para o futuro.

A declaração é da conselheira do secretário-geral sobre África, Cristina Duarte. Para ela, sem considerar esses ativos intangíveis será impossível cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Cabo Verde
A ex-ministra da Finança de Cabo Verde foi entrevistada para o Destaque ONU News e explicou que a digitalização é um elemento fundamental do desenvolvimento da África, que se bem aplicada, pode começar a render frutos em menos de três anos.

“É importante construir estradas, pontes. Mas também é importante colocar as instituições certas dimensionadas, estruturadas, porque dificilmente conseguiremos implementar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis se não prestarmos atenção aos ativos intangíveis. Estou a falar de instituições. Ora, quando falamos em instituições em África e o papel que as instituições devem desempenhar nesse construir pós-Covid 19, a digitalização é de facto, eu diria, a fruta que está madura na árvore, a fruta que permitirá o policy making, a governança, em África, a dar saltos qualitativos enormes. Por exemplo, a digitalização das administrações públicas, de forma integrada, de A a Z.”

Unctad
Cristina Duarte falou ainda do sistema eletrônico aduaneiro, lançado pela Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em 2002. O Sydonia World permite aos funcionários da alfândega e comerciantes a realizarem a maior parte de suas transações desde declarações, carregamentos até documentos de trânsito pela internet.

Para a conselheira da ONU, este sistema “pode ter um impacto incomensurável em termos de geração de receitas aduaneiras, nos orçamentos e no espaço fiscal africano, digitalizando as administrações aduaneiras em África para combater os frutos ilícitos”. Cristina Duarte lembra que 65% dos bens ilícitos na África vêm exatamente da administração aduaneira.

Covid-19
Durante a conversa com a ONU News, a conselheira do secretário-geral também citou a oportunidade que o continente tem agora de produzir vacinas contra a Covid-19. Para ela, este momento pode ser aproveitado para solucionar ainda o grande déficit do setor farmacêutico no país e outros problemas. Segundo Cristina Duarte, as soluções para os desafios africanos estão dentro do próprio continente.

Este mês, o Escritório liderado por ela na ONU lançou o African Think Tank Networlk para intercâmbio de especialistas africanos dentro e fora da Diáspora que pense a solução de problemas. Com ONU News

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