Preços atrativos e demanda aquecida transformaram a soja no grão mais cultivado em solo paulista

O ano de 2020 foi positivo para os sojicultores. O complexo soja, composto pelo produto em grão, farelo e óleo, rendeu US$ 35,24 bilhões aos cofres brasileiros, como informou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA). No ano passado, a produção mundial foi de 337,2 milhões de toneladas, em uma área de pouco mais de 122 milhões de hectares, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Brasil – maior produtor mundial do grão – contribuiu com 37% desse total, com produção de 124,8 milhões de toneladas, em uma área de 36,9 milhões de hectares. Os Estados Unidos ficou em segundo lugar, com 96,6 milhões de toneladas, o que corresponde a 29% da produção mundial.

O Brasil também é o maior exportador de soja, responsável pela metade de todo grão transacionado no mundo, explica Marisa Zeferino, pesquisadora do IEA e especialista na cultura. Em 2020 as exportações brasileiras apresentaram alta de 8% em valores e de 10,1% em volumes exportados. A China representa 59,7% das compras em valores desse grupo, seguida pela União Europeia (16,4%) e os demais países importadores somam 23,9%.

O sucesso da produção do grão no Brasil está ancorado em muita pesquisa científica e a Secretaria de Agricultura, por meio de suas unidades ligadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), tem trabalhado para oferecer informações de qualidade aos produtores.

É o caso do projeto desenvolvido pela APTA Regional em Adamantina, Andradina, Assis, Colina, Itapetininga e Pindorama, além de unidades do Instituto Agronômico (IAC) localizadas em Capão Bonito, Mococa, Ribeirão Preto, Tatuí e Votuporanga, que avalia cultivares de soja adaptadas para essas regiões, oferecendo informações confiáveis para o sojicultor sobre os materiais mais promissores regionalmente. A APTA Regional e o IAC são unidades de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria.

Os estudos se iniciaram a partir da demanda de cooperativas do interior paulista que queriam orientação sobre qual a melhor cultivar para ser utilizada, principalmente, em reforma de canaviais e recuperação de pastagens degradadas. O projeto avalia cultivares de soja de diversos perfis em diferentes ambientes de produção. Nas avaliações são considerados aspectos relacionados à produtividade, como resistência a pragas e doenças e condições edafoclimáticas de cultivo, ou seja, se aquele material é adaptado às condições de solo e clima.

Em virtude da diversidade da agricultura paulista, a reforma de pastagem e canaviais são as fronteiras agrícolas para a expansão da cultura da soja em São Paulo. Segundo o pesquisador da APTA Regional de Pindorama, Everton Luis Finoto, na última safra, a produtividade média nacional de soja foi 3.269 kg por hectare com crescimento de 2,7% na área plantada, em relação à safra 18-19. “No Estado de São Paulo, a produtividade média foi de 3.567 kg por hectare, com crescimento de 11,4% na área plantada, atingindo 1.109.800 hectares. Até então, em 46 anos de cultivo da soja, a área de produção na chegava a 600 mil hectares. Na safra corrente estimam-se mais de 1,3 milhão de hectares, colocando São Paulo em outro patamar. Desde então, a pesquisa da Secretaria sempre respondeu à demanda do produtor paulista”, afirma.

Finoto explica que há uma íntima relação desta expansão da área plantada com a reforma de canaviais e a contribuição das pesquisas para viabilizar a semeadura direta sobre palhada da cana, nos últimos 22 anos.

Insumos biológicos eficientes
Os pesquisadores também buscam atender à demanda tecnológica da cadeia produtiva da soja no estado de São Paulo em conjunto com a iniciativa privada para o desenvolvimento de novos insumos biológicos mais eficientes em termos de produtividade de grãos para validação no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

De acordo com Ivana Marino Bárbaro Torneli, pesquisadora da APTA Regional de Colina, os estudos visam estimular maior produção de soja no Estado de São Paulo, assessorando os produtores na adoção de boas práticas de inoculação e coinoculação através de eventos, palestras, e-mails e dias de campo. “Temos orientado, com base nas pesquisas, a escolha de cultivares mais adaptados para regiões específicas, solucionando problemas quanto a falhas na inoculação ou coinoculação e reforçando a adoção de procedimentos de baixo custo e sustentáveis ambientalmente, como aplicação foliar de inoculantes ao invés de uso de adubo químico nitrogenado”, explica.

A inoculação é a aplicação da bactéria Bradyrhizobium nas sementes ou no sulco de semeadura da soja e a coinoculação é a aplicação da bactéria Azospirillum juntamente com Bradyrhizobium nas sementes ou no sulco de semeadura dos plantios do grão.

Segundo a pesquisadora, a equipe também tem atuado em parceria com empresas em testes em condições de campo, que culminaram no lançamento de um inoculante à base de Azospirillum validado comercialmente para uso na coinoculação de soja quando associado a um inoculante à base de bactérias do gênero Bradyrhizobium. “Outra contribuição foi a disponibilização ao sojicultor do primeiro inoculante para soja que contêm os dois gêneros de bactérias (Azospirillum + Bradyrhizobium) para inoculação mista, que além de sua eficiência produtiva comprovada, apresenta como vantagem a facilidade de uso”, afirma Ivana.

As pesquisas verificam ainda a eficiência do uso de inoculantes biológicos em áreas de renovação de canavial por meio de diferentes doses em modos de aplicação do produto. “Paralelo a isso, temos contribuído com a comunidade científica em estudo que detemos um banco de dados com as cultivares de maior uso no mercado quando sua capacidade de fixação biológica de nitrogênio”, diz.

Consórcio de soja com capins para sustentabilidade dos sistemas de produção agropecuária
Diante das vantagens e melhor retorno econômico para a atividade agropecuária, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), iniciou avaliação de dois tipos de consórcio de leguminosa em pastagens. No projeto, que recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), estão em pesquisa os consórcios de soja com capim-ruziziensis (Urochloa ruziziensis cv. Comum) e outro com capim-aruana (Megathyrsus maximum cv. Aruana)

A pesquisadora do IZ, Karina Batista, explica que o projeto visa à produção de silagem. “Os resultados dessa pesquisa possibilitarão grande avanço no conhecimento quanto à silagem produzida com a massa de forragem do consórcio de soja com capins, que atualmente é muito escasso.”

No Brasil, o sistema de plantio direto tem utilizado a sucessão soja-milho safrinha, priorizando a produção de grãos. “Entretanto, esse sistema poderia ser inovado através do uso de capins consorciados com a soja para produção de silagem, proporcionando forragem de melhor qualidade e valor nutritivo para a alimentação animal”, enfatiza.

As vantagens do uso do consórcio da soja com capins, destacadas pela pesquisadora, está em melhorar a fertilidade do solo por meio da fixação biológica do nitrogênio; aumentar a conservação do solo devido à maior cobertura do solo e reduzir a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas em função da alteração na rotação de culturas.

Mas, ainda, segundo Karina, faltam informações para o uso da silagem de soja com capins derivados dos sistemas consorciados “Este fato ocorre, pois o produtor especializado em produção de soja direciona essa cultura para a produção de grãos e os pecuaristas não visualizam que a soja é uma opção forrageira muito viável economicamente.”

A associação da soja com capins pode provocar um efeito sinérgico, com a degradabilidade efetiva melhorada, que pode vir da ótima relação energia-proteína e do aumento dos perfis microbianos. Mundialmente tem-se buscado soluções para produzir alimentos de forma sustentável, tentando reduzir efeitos negativos sobre o meio ambiente, “proporcionando benefícios econômicos e soluções sociais apropriadas para a segurança alimentar”, como ressalta Karina.

Soja se consolida como grão mais cultivado em solo paulista
No Estado de São Paulo, a sojicultora apresentou crescimento contínuo nos últimos doze anos, até se tornar o grão mais produzido no Estado. No ano passado, foram produzidas 3,24 milhões de toneladas, em uma área de 1,07 milhão de hectares, reafirmando o interesse do agricultor pela oleaginosa. Na safra 2020/21 são esperados aumento de 18,3% na produção, que deve atingir 3,83 mi/t; e de 2,1% na área cultivada, que deve superar 1,10 mi/ha, conforme informações do Boletim de Previsões e Estimativas da Safra Agrícola, divulgado pelo IEA, a partir dos dados apurados pelos técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), em cada um dos 645 municípios paulistas.

Uma das justificativas para o avanço da cultura em São Paulo é a valorização que o grão vem obtendo. Em 2020, a Soja subiu de 5ª para 3ª posição no ranking dos principais produtos da agropecuária paulista, superando R$ 5,7 bilhões, após acumular aumentos de produção, preço e VPA. De acordo com o levantamento, o grão responde sozinho por 6,4% da riqueza gerada no campo.

A Soja também ocupa papel de destaque na pauta de exportações. Em 2020, as vendas externas totais do Estado superaram US$ 17,2 bilhões. Dentre os principais grupos nas exportações do agronegócio paulista, a oleaginosa figura em terceiro lugar, com exportações de US$ 1,91 bilhão, montante 16,5% superior ao de 2019. O Complexo Sucroalcooleiro, com US$ 6,40 bilhões; e o grupo de Carnes, US$ 2,3 bilhões, ocupam a primeira e segunda posição, respectivamente. Com informações da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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