Número de inadimplentes aumentou em outubro

O número de registros de inadimplentes subiu 0,2% na comparação mensal dos dados dessazonalizados entre os meses de setembro e outubro, de acordo com dados da Boa Vista, que abrangem todo território nacional. Além disso, o indicador apontou alta de 6,5% no trimestre móvel encerrado em outubro contra o trimestre móvel imediatamente anterior, na mesma série de dados dessazonalizados. Na comparação interanual o avanço foi mais expressivo, aumento de 13,0%, mas isso se deve, também, ao fato de que no último trimestre do ano passado o fluxo de inadimplentes foi historicamente baixo, algo que se traduziu numa taxa de inadimplência também muito baixa no mesmo período.

No ano, a queda no indicador passou de -8,1% para -6,5% e, em 12 meses, de -15,0% para -10,9%. Essa tendência, por sinal, é condizente com o cenário atual, de comprometimento da renda e inflação elevados, sem novas postergações e com auxílios até aqui menos substantivos.

No mesmo sentido, o Indicador de Recuperação de Crédito da Boa Vista avançou 5,2% na comparação mensal e 7,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já na comparação do trimestre móvel o indicador caminhou na direção oposta e apontou queda de 3,2%. O resultado do mês contribuiu para desacelerar o indicador na análise acumulada em 12 meses, passando de 1,5% em setembro para um aumento de 1,1% em outubro. O resultado acumulado no ano acelerou de 3,0% para 3,5%. Apesar da variação positiva no mês, o cenário atual pesa sobre o orçamento das famílias, impedindo uma melhora sustentável do indicador, num momento em que os juros estão subindo e o endividamento é elevado.

De modo geral, segundo os economistas da Boa Vista, a esperança de melhora nos fatores condicionantes da inadimplência reside sobre os dados do mercado de trabalho, já que os obstáculos citados anteriormente devem se fazer presentes no cotidiano dos consumidores por um pouco mais de tempo. Segundo o IBGE, de abril a agosto, a taxa de desemprego recuou 1,5 ponto percentual, de 14,7% para 13,2%; no entanto, no mesmo período, a informalidade avançou quase que na mesma magnitude, chegando a 41,1%. Além disso, o rendimento médio aponta queda na análise de longo prazo, medida pela variação acumulada em 12 meses. Diante disso tudo, a tendência de alta na taxa de inadimplência das famílias com recursos livres, sugerida pelo indicador de Registros de Inadimplentes, pode ganhar um pouco mais de força nas próximas aferições do Banco Central. Em setembro, por sinal, ela já mostrou um pouco disso, ao passar de 4,15% para 4,25%.

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