Inaugurada brinquedoteca em delegacia de BH

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Brinquedos pedagógicos e móveis fabricados por detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, e da Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora, integram uma brinquedoteca inaugurada esta semana, na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em Belo Horizonte, no Bairro Carlos Prates. O espaço é utilizado no pré-atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência, que precisam ir até a delegacia especializada para serem ouvidas pelas autoridades policiais.

A psicóloga da Polícia Civil, Lusia Jaqueline de Araújo, trabalha há cinco anos na Depca e explica que a brinquedoteca, instalada logo na entrada da delegacia, tem um papel fundamental na recepção das vítimas.

“Elas, normalmente, não chegam preparadas e informadas sobre o local, e a brinquedoteca ajuda a amenizar aquela ansiedade inicial. O ambiente acolhedor, os brinquedos, a decoração e os livros infantis propiciam a abertura para o diálogo”, explica.

A brinquedoteca possui também os bonecos anatômicos, que possuem as partes íntimas definidas e auxiliam nas oitivas, pois com eles as crianças demostram como aconteceram os abusos ou maus tratos. Os livros infantis foram doados pela Secretaria de Estado de Educação (SEE).

A delegada chefe da Depca, Isabella Franca de Oliveira, enfatizou que “a criação de um local para acolhimento de crianças que estão em situação de maior vulnerabilidade, em razão da violência que sofreram, é um grande avanço na humanização do atendimento prestado na unidade policial”.

Dirceu Aurélio/Seap

Projeto
Os projetos “Mobiliando Sorrisos” e a “Fábrica da Alegria” são desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), por meio da Subsecretaria de Humanização do Atendimento, nos quais participam cerca de 30 presos. O primeiro é realizado no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, e nele são fabricados brinquedos e pequenos móveis como mesas, cadeiras, baús e pufs. No segundo projeto são fabricados apenas os brinquedos.

Para diretora de Trabalho e Produção da Seap, Hilda Mariana Ferreira Raimundo, a produção dos brinquedos e móveis proporcionam aos presos um exercício da cidadania e trazem benefícios para a sociedade. “O objetivo desse projeto é ressignificar o trabalho do preso. Faz com que o preso vá além da remuneração ou remição de pena”, ressalta a diretora.

Outras instituições já receberam os brinquedos e móveis do projeto. É o caso do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, que renovou sua brinquedoteca com os itens produzidos pelos presos, gerando momentos de lazer para as crianças em tratamento de câncer e lábio leporino.

Baú mágico
Um daqueles baús fabricados na marcenaria da Nelson Hungria virou a casa de um fantoche chamado Zezinho, e ganhou dimensão terapêutica, graças à experiência e formação da psicóloga Lusia Jaqueline de Araújo. Um simples móvel para guardar brinquedos possibilitou a uma criança de quatro anos relatar para o Zezinho, nas mãos de Lusia, todos os abusos e violência que sofreu, pois a casa do fantoche era mágica e todas as histórias contadas para o boneco ficam guardadas no baú mágico.

“Todo o brinquedo tem algo especial e único. Entrar na brinquedoteca já ajuda a relaxar. Temos estratégias e jogos específicos para cada idade. O baú foi uma descoberta espontânea, que realmente guarda segredos e dores”, explica a psicóloga.

Delegacia da Mulher
Outra unidade da Polícia Civil também conta com a produção dos projetos “Mobiliando Sorrisos” e a “Fábrica da Alegria”: a Delegacia de Plantão Especializada em Atendimento à Mulher, que funciona no prédio da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher, ao Idoso e à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerância, na Avenida Barbacena, no Barro Preto, em Belo Horizonte.

Nessa delegacia especializada, o espaço tem o nome de Espaço Kids, e é utilizado para receber as crianças que acompanham as mães vítimas de violência doméstica, enquanto prestam depoimento. Para a delegada chefe da divisão, Danúbia Helena Soares Quadros, o espaço valoriza ainda mais a mulher que tem coragem de denunciar a violência sofrida. “Nossa preocupação é dar uma estrutura mais acolhedora tanto para as mulheres quanto para as crianças, minimizar um pouco o sofrimento em uma situação tão difícil”. Com Agência Minas

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