Saiba como evitar traças em alimentos, livros e roupas

Importantes pragas em áreas urbanas, as traças infestam roupas, papeis, tapeçarias, estofados, livros, frutas secas, grãos, alimentos armazenados e muitos outros produtos. Elas são objetos de pesquisa no Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que mantém uma Unidade de Referência em Pragas Urbanas na capital paulista. Durante o verão, a ocorrência dessas pragas é maior, devido as altas temperaturas, por isso, a Secretaria faz uma série com orientações sobre como prevenir e controlar formigas, cupins, roedores, carunchos, baratas e cupins.

Segundo o pesquisador do IB, Francisco José Zorzenon, na área urbana é possível identificar três grupos distintos de traças: as dos produtos armazenados, dos livros e das roupas, também conhecidas como de parede.

“Existe também uma grande quantidade de traças que infestam plantas agrícolas, atacando grãos, hortaliças e frutas frescas, causando enormes prejuízos à agricultura. Há ainda espécies de traças que se alimentam da cera dos favos produzida pelas abelhas, destruindo-os e causando grandes perdas aos criadores de abelhas melíferas”, explica o pesquisador.

Encontradas em grãos e produtos armazenados, as traças atacam milho, trigo, arroz, frutas, farinhas, bolachas e biscoitos, cereais matinais, chocolates, entre muitos outros produtos agropecuários. Segundo pesquisador do IB, elas se desenvolvem em alimentos, destruindo-os e contaminando-os com suas fezes, fragmentos do próprio corpo, como escamas de asas, pernas e o próprio inseto morto e fios de seda característicos.

“As lagartas de muitas espécies de traças deixam rastros de sua passagem pelos alimentos, através da secreção de fios de seda, semelhantes a “teias”, que servem para a melhor locomoção pelo alimento. Após a transformação da lagarta para a forma adulta (mariposa), machos e fêmeas se acasalam e seguem o seu ciclo de vida, colocando ovos, infestando novos alimentos ou reinfestando o próprio material onde se desenvolveram”, explica.

As pequenas mariposas são de coloração pálida, pouco vistosas, variando de espécie para espécie. “O ciclo biológico das traças de produtos armazenados é variado, dependendo da espécie infestante, da temperatura, umidade relativa do ar, alimento, dentre muitos outros fatores. Normalmente os ciclos se completam em tempo relativamente curto, variando entre algumas semanas a poucos meses”, afirma.

Livros e roupas
As traças dos livros são prateadas, com pouco mais de 1 cm de comprimento. Elas possuem formato alongado e achatado, com três filamentos compridos que saem no final do corpo. São conhecidas também como silverfish (em inglês) por lembrar vagamente o aspecto de um peixe prateado.

Essas traças estão entre os insetos mais primitivos conhecidos pelos seres humanos, sendo encontradas no mundo todo. “Alimentam-se de uma infinidade de produtos como papel, papelão, revistas, páginas e capas de livros, papel de parede, além de farinhas, roupas, tecidos de roupas, insetos mortos, dentre outros. Possuem hábito noturno, sendo encontradas preferencialmente em ambientes escuros e úmidos, podendo viver por quatro a sete anos! São muito ágeis e escondem-se rapidamente em frestas de móveis, armários, rodapés e caixas. Normalmente são levadas de um ambiente a outro junto a livros e utensílios domésticos em mudanças. Em museus, bibliotecas, tecelagens, supermercados, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais, essas traças podem ser encontradas causando danos significativos”, explica o pesquisador do IB.

As traças das roupas ou também conhecidas por traças de parede, são bem diferentes das traças dos livros. Os adultos são pequenas mariposas e quando ainda jovens, as lagartas tecem uma espécie de “casinha”, um pequeno estojo achatado para sua proteção. Dentro desta “casinha” protetora, a lagarta é vista se deslocando pelas paredes (daí seu nome traça de parede) e se desenvolvendo alimentando-se de materiais como tapetes, roupas de lã, tecidos, estofamentos, fungos e até mesmo de pelos e cabelos caídos no chão.

“As traças de roupas são um dos poucos animais existentes que conseguem digerir a queratina, proteína existente nos cabelos e pele das pessoas. Por esse motivo são tão comuns em banheiros e quartos, onde normalmente nos penteamos. Também atacam principalmente as roupas usadas e que contenham suor a procura de sais minerais e gorduras corporais. Os locais mais comuns, onde encontramos os famosos e indesejados “furinhos de traças” são nas áreas das roupas de maior contato com a pele, como colarinhos e punhos de camisas e na linha da cintura e barriga”, afirma Zorzenon.

O que fazer?
O pesquisador do IB dá algumas dicas sobre o que fazer para evitar ou diminuir o transtorno causado pelos diversos tipos de traça. Segundo Zorzenon, prevenção e o controle, de um modo geral, dependem da observação constante e atenção ao início da infestação, que será sempre mais fácil de ser controlada.

“Para as traças dos livros e das roupas, evitar acumular papéis velhos, mantendo livros e revistas em locais adequados e limpos, evitar pontos de umidade (principalmente em gabinetes escuros de pias), impedir a entrada de objetos em caixas de papelão provenientes de locais infestados, manter limpos rodapés e frestas por meio de aspirador de pó, inspecionar periodicamente roupas, tapetes e outros objetos suscetíveis, manter estantes, armários e gabinetes arejados e limpos”, lista.

Roupas atacadas poderão ser colocadas em sacos plásticos e dispostas em freezer por alguns dias, matando os ovos e traças (ou insetos) infestantes. Alimentos infestados ou suspeitos do ataque de traças deverão ser descartados. “Em infestações muito graves, a contratação de uma empresa profissional controladora de pragas, certamente será a melhor opção a ser adotada”, afirma.

IB é referência em pragas urbanas
O Instituto Biológico é referência em pesquisas com pragas urbanas. O Instituto mantém em São Paulo a Unidade Laboratorial de Referência em Pragas Urbanas, que desenvolve estudos em métodos alternativos de controle de insetos utilizando extratos vegetais e radiação gama. A unidade de pesquisa desenvolve metodologias de testes de eficiência de produtos comerciais para fins de comprovação de atuação e emite laudos e pareceres técnicos sobre identificação da(s) praga(s), grau de infestação e melhor técnica de controle a ser aplicado em residências, condomínios verticais e horizontais, parques, jardins, arborização urbana, entre outros.

Também são desenvolvidas pesquisas nas áreas de biologia, comportamento, taxonomia, levantamento, ocorrência e ecologia das principais pragas detectadas em áreas urbanas. Além dessas atividades, o grupo tem oferecido, com regularidade, cursos técnicos para controladores de pragas, técnicos em controle de pragas das Prefeituras Municipais, empresas particulares de serviços de jardinagem, produtores de mudas de plantas ornamentais, engenheiros agrônomos, biólogos, paisagistas, arquitetos, profissionais das áreas de museus, bibliotecas, conservação de patrimônios e restauradores, além de assessorar no treinamento de técnicos responsáveis por parques e jardins municipais no tocante à identificação de danos e controle, inclusive de outros estados. Com informações da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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