Fapemig trabalha em rede para prevenir a cegueira

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A retinopatia é uma das complicações mais comuns do diabetes, podendo causar lesões microvasculares na retina e desencadear problemas como glaucoma, hemorragia, isquemia e até cegueira, se não identificada e tratada a tempo. Esta detecção depende do exame anual do fundo de olho, feito por oftalmologista. Para os moradores do interior do estado o acesso a avaliação especializada nem sempre é fácil e tempo de espera pode ser longo, acarretando em complicações para o paciente.

Para reverter o problema, pesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), desenvolveram um método que avaliou a viabilidade econômica da aplicação de ferramentas de telessaúde na triagem da retinopatia diabética.

A telerretinografia funciona da seguinte forma: o paciente, que vive no interior, vai ao centro de referência e faz a retinografia com um técnico treinado para a captura de imagens da retina de diabéticos. A mesma é transmitida, via internet, a um especialista membro da Rede de Teleassistência de Minas Gerais, que faz o atendimento a distância e retorna os resultados à unidade de Saúde, acompanhado de um laudo, em até 48 horas.

Os resultados são promissores e, de acordo o coordenador do projeto, Daniel Vítor Vasconcelos, beneficiam tanto a sociedade quanto o poder público, uma vez que o exame evita o deslocamento do paciente do interior até a capital para realização do exame, gerando economia para o Estado.

“Além da conveniência de um exame mais próximo do domicílio do paciente – evitando longos deslocamentos e minimizando seu tempo de afastamento de casa e do trabalho -, há o efeito do diagnóstico e tratamento a tempo de evitar a perda irreversível da visão. A cegueira tem um custo enorme para a sociedade e para o sistema de Saúde. Se conseguíssemos implantar esse rastreamento em todos os Centros de Atenção Especializada e também atender a todos os pacientes diabéticos do estado (excluindo Belo Horizonte e região metropolitana, em que o deslocamento do paciente é menos oneroso), a economia anual estimada, somente com o transporte do paciente do interior para a capital, seria de cerca de R$ 90 milhões para os cofres públicos”, explica Vasconcelos.

“Atualmente possuímos dois Centros de Atenção Especializada (Ceae) em Minas Gerais que operam com este método: um está localizado em Teófilo Otoni (Mucuri) e outro na cidade de Viçosa (Zona da Mata). Até abril de 2019, emitimos 4.697 laudos nestes dois municípios”, conta Vasconcelos. Ainda, de acordo com pesquisador, a equipe está trabalhando para implantar a tecnologia em Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste mineiro. “Estamos negociando a expansão desse serviço para os outros Centros de Especialidade do Estado”, finaliza.

Trabalhar em rede
O Centro de Telessaúde do HC-UFMG foi oficialmente inaugurado em 2005, com apoio da Fapemig. No mesmo ano, foi criada a Rede de Teleassistência de Minas Gerais, registrada como uma das redes de pesquisa do Estado, que presta atendimento a mais de 700 municípios mineiros.

Desde sua criação, a Rede emitiu mais de 4 milhões de laudos remotos de exames e atendeu mais de 128 mil teleconsultorias, o que representa uma economia de mais de R$ 240 milhões, gerada pela redução de encaminhamentos. O primeiro exame de telediagnóstico implantado foi o eletrocardiograma, mas são também realizados laudos remotos de retinografia, Holter e Mapa (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), estes dois últimos também na área da Cardiologia. Com Agência Minas

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