Famílias não podem velar mortos durante o isolamento social

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O luto pela morte de um familiar, que inclui a vivência do velório e do enterro, é um processo que ajuda as pessoas a compreenderem a perda e a realizar sua última despedida.

Com as restrições de encontros impostas pelo avanço da pandemia de coronavírus, as mortes ocorridas neste período estão sendo tratadas de outra forma, mesmo para os casos não relacionados à pandemia.

A psicóloga especialista em luto pela PUC-SP Bruna Borges explica que, quando acontece a morte de alguém próximo, a vida se desorganiza e o velório é o primeiro passo para que ela elabore a perda.

“Esta talvez seja uma das consequências mais dolorosas do isolamento social. As soluções tecnológicas, como os velórios on-line, são uma saída, mas ainda não estamos totalmente acostumados a isso e não será igual a uma despedida presencial. Além disso, não é todo mundo que pode ter acesso”, afirma Bruna Borges.

Na segunda semana do isolamento decretado pelas autoridades, Bruna teve contato com um amigo próximo que perdeu o avô, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

“Acompanhei o sofrimento do Gustavo. O avô dele foi vítima de um infarto fulminante e, em razão dos protocolos de segurança, o corpo foi sepultado imediatamente, sem que a família pudesse fazer uma última despedida”, conta Bruna Borges.

Os velórios estão limitados a 10 pessoas no máximo, com cerimônias de até uma hora. Algumas cidades como São Paulo, Porto Alegre, Natal e Recife, oferecem o velório on-line, serviço que custa em torno de R$ 1.000,00 e as pessoas podem acompanhar pela internet.

Divulgação

Para Bruna Borges, este já é um recurso válido, mas a maioria das pessoas ainda têm dificuldades de elaborar a perda sem estar presente, mas é importante respeitar as regras para proteger um número ainda maior de pessoas.

“O velório e o enterro ajudam os familiares a reconhecerem, compreenderem o que aconteceu e realizarem um processo de despedida. O enterro tem, sim, o significado simbólico e é importantíssimo para que a pessoa consiga ter um luto saudável. Não estando com a família próxima presencialmente, dificulta o amparo ao familiar mais vulnerável no momento, podendo gerar algumas complicações psicológicas, como a depressão”, explica a especialista da PUC-SP.

Nestes momentos de crise, é importante também pensarmos nos casais de idosos, porque quando um deles falece o outro não pode se despedir. Ele fica com quem conversar, pode entrar em depressão e até vir a falecer.

Segundo Bruna Borges, a única saída para eles, na quarentena principalmente, é estar em constante contato com filhos, netos e amigos, contando com ajuda psicológica.

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