Publicação destaca a importância da permanência dos jovens no campo para o sucesso da agricultura no Circuito das Frutas

A publicação “Jovem rural como indutor da agricultura periurbana no Circuito das Frutas no estado de São Paulo”, de pesquisadores da Embrapa, da Prefeitura de Jundiaí e do Centro Paula Souza, está disponível AQUI.

O trabalho apresenta o jovem rural do Circuito das Frutas de São Paulo como um personagem principal para renovação da agricultura periurbana – aquela que fica em torno da cidade –, mostrando como ele se insere no contexto das famílias rurais, quais as limitações para a sua permanência no campo e quais as possibilidades de dar continuidade à atividade agrícola de seus pais.

O Circuito das Frutas, região próspera do estado de São Paulo e próxima de grandes centros consumidores, com vias de acesso excelentes, reúne 10 municípios produtores de frutas como uva, morango, figo, goiaba e caqui. Este circuito inclui também propriedades rurais, algumas abertas para visitação, onde o turismo rural é uma atividade relevante.

“Com o advento de novas formas de vida em sociedade, com a diminuição das distâncias pela facilidade das comunicações e da urbanização do meio rural, confundindo-se o que é o espaço urbano com o rural, uma nova onda pode ganhar força: o jovem rural como protagonista de uma revolução demográfica”, explica o pesquisador da Embrapa Territorial (Campinas, SP) Ivan Alvarez, um dos autores.

O estudo também enfoca como ocorre a inserção do jovem no movimento dos neorrurais, fenômeno de migração da classe média da cidade para áreas rurais, que foi acelerado pela pandemia do novo coronavírus. O neorruralismo, de acordo com o trabalho, pode representar uma oportunidade de jovens de diferentes classes sociais fazerem parte do renascimento do campo, sendo a presença da internet nas áreas rurais preponderante para isso.

Inicialmente, foi feita a caracterização dos modos de produção locais e da vida dos habitantes, por meio de questionários, visando conhecer melhor a agricultura e a realidade no Circuito das Frutas. A seguir, foram realizados dois eventos com pais e filhos agricultores, visando estimular a troca de ideias entre as gerações sobre o tema sucessão rural. Por meio de dinâmicas adequadas, pais e filhos puderam desenvolver um diálogo sincero, tratando de questões delicadas, e evidenciando suas principais “dores e necessidades” e, finalmente, refletindo sobre seus principais “desejos e soluções” para as questões apresentadas, de forma a trabalharem juntos para promover sua prosperidade e realização no campo.

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Fagoni Calegario, que também é uma das autoras, ressalta que há necessidade de um novo olhar para o jovem, criando políticas públicas e novas formas de financiamento da agricultura, valorizando a atividade agrícola, garantindo acesso ao ensino, em suma, integrando esse jovem à sociedade como um todo.

Uma nova dinâmica é proposta sobre o papel do jovem rural como protagonista de uma revolução demográfica da volta ao campo. A parceria com a Prefeitura de Jundiaí nesse contexto facilitará com que esse documento rapidamente se transforme em inovação e possa ser aplicado na agricultura do município. Com isso, o trabalho desenvolvido atende ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, Meta 8.6: “Até 2020, reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação”.

O jovem rural
Conforme o Estatuto da Juventude, os jovens são aquelas pessoas que estão na faixa etária entre 15 e 19 anos. Em 2019, um pouco mais de 10 milhões de habitantes do estado de São Paulo eram jovens. Desse número, 276 mil eram habitantes das cidades que compõem o Circuito das Frutas, conforme a Fundação Seade. São parte importante da sociedade, com elevado potencial de participação, não só produtiva, mas também cultural, social e política.

Considerando as abordagens expostas na publicação sobre os jovens rurais no contexto da propriedade, da sociedade e do Circuito das Frutas, as chances da agricultura se manter próspera aumentam à medida que o jovem seja o indutor das oportunidades para uma agricultura periurbana.

Os autores do trabalho são Ivan Alvarez, Cristina Criscuolo e Carolina Colin (Embrapa Territorial), Fagoni Calegario e Sandro Pereira (Embrapa Meio Ambiente), Isabel Fialho-Harder (Prefeitura Municipal de Jundiaí, SP) e Eduardo Alvarez (Centro Paula Souza, Jundiaí, SP). Com informações da Embrapa

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