Debate durante a Mostra de Ouro Preto fortalece políticas de preservação

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CineOP/Divulgação

A Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) foi aberta na noite de quarta-feira (14) à sua 13ª edição, mais uma de sua longa trajetória em favor das políticas de preservação do audiovisual. O evento surgiu em 2006 e tem como diferencial a estruturação em três eixos: patrimônio, educação e história. Em cada um deles, foi reunida uma vasta programação que mobiliza cineastas, pesquisadores, restauradores, professores, críticos, estudantes e cinéfilos em geral.

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O evento é organizado pela Universo Produções, que também responde pela tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes, e conta com o apoio do Ministério da Cultura. “A proposta que desenhamos para Ouro Preto era de um festival que tratasse o cinema como patrimônio e fosse um espaço de discussões, de ações, de encaminhamento do setor de preservação, que sempre foi considerado um patinho feio na cadeia produtiva do audiovisual. Mas aqui ele é protagonista”, disse Raquel Hallak, coordenadora do evento e diretora da Universo Produções.

As atividades, todas abertas gratuitamente ao público, se arrastam até a próxima segunda-feira (18) e inclui exibição de filmes, mesas redondas, seminários, lançamento de livros e shows de artistas, que vão de músicos nacionalmente conhecidos como Tom Zé e Karina Buhr até grupos da nova geração como a banda mineira Cabezas Flutuantes. A atriz Maria Gladys será homenageada na abertura e receberá o Troféu Vila Rica.

Raquel Hallak lembra que, dentro da CineOP, ocorre o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros. Após anos de debate, na edição de 2016, a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual aprovou o Plano Nacional de Preservação Audiovisual, que foi entregue ao Ministério da Cultura. A expectativa é de que ele seja submetido a uma consulta pública e, a partir das contribuições recebidas, se converta enfim em um instrumento concreto de políticas públicas.

“O setor clama ainda por atenção, por critérios de como preservar os filmes brasileiros, tendo em vista que em nossa história muitos já se perderam, foram queimados, desapareceram. Então vemos o evento como importante para a salvaguarda do rico patrimônio audiovisual que o Brasil possui. Se a gente for ver ao longo da trajetória da CineOP, muita coisa já avançou. Em 2006, ano da primeira edição, a preservação não tinha espaço nos conselhos de cinema de nenhum órgão. Ainda existe o discurso de que é caro, dá trabalho, não dá visibilidade. Mas isso vem mudando aos poucos. Atualmente, até com o avanço das tecnologias, há um barateamento da restauração de filmes”.

A coordenadora da CineOP disse que a preocupação não se restringe a obras de cineastas com carreiras consolidadas. Leva em conta também filmes que foram produzidos para galerias de arte, ou que estão restritos a acervos pessoais, ou ainda de diretores que já morreram e deixaram materiais relevantes com os herdeiros que desconhecem o valor dos trabalhos. Segundo Raquel, há uma extensa produção cuja existência ainda nem é conhecida e que oferece um vasto campo para pesquisa.

“Precisamos de critérios definidos. Qual o filme deve ser restaurado primeiro? Falta também bancos de dados. Onde está o filme? Quem tem direitos sobre ele? Está no acervo de algum museu ou cinemateca? Qual o estado da cópia? Existe cópia de acesso ou só de preservação? Ou seja, há uma demanda grande de medidas a serem tomadas no âmbito governamental. Do ponto de vista da sociedade, já existe uma consciência da importância da preservação. Aquela ideia de que um país sem memória é um país sem identidade”.

Educação e História
Além das discussões sobre patrimônio, o eixo história da CineOP se debruçará sobre a temática “Vanguarda tropical: Cinema e Outras Artes” e colocará em foco o movimento da cultura cinematográfica brasileira que se desenvolveu durante o regime militar e no contexto da implantação do Ato Institucional Número 5 (AI-5), em 1968. Serão apresentados trabalhos expressivos desenvolvidos sem compromissos comerciais, que fizeram uso de imagens e sons de forma não convencional. Entre eles estão obras de Jorge Mautner, Torquato Neto, Hélio Oiticica, Katia Maciel, Ivan Cardoso, Zózimo Bulbul, Iole de Freitas e Ana Maria Maiolino.

Já no eixo educação, um dos destaques é a mesa “Cinema e Educação: A Escola no Cinema”, que reunirá representantes do Programa Cineduca, iniciativa do Uruguai. “Queremos encarar as escolas e principalmente as escolas públicas, como instituições que produzem conteúdo e que têm acervo. E a partir daí fazer uma reflexão sobre o papel delas nos dias de hoje e como o cinema pode ser um instrumento de transformação social, de construção da cidadania. A escola pode usar o cinema para tornar o ensino ao mesmo tempo mais lúdico e contemporâneo”, diz Raquel Hallak.

Em todo o evento, serão exibidos 134 filmes entre curtas, médias e longa-metragem provenientes de 12 estados brasileiros e de outros três países: Estado Unidos, Espanha e França. As obras são dividias em oito mostras: Contemporânea, Preservação, Homenagem, Histórica, Educação, Sessão Especial, Mostrinha e Cine-Escola. Com Agência Brasil

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