Pimenta-do-reino é alternativa de renda no Território Mucuri

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Arquivo Pessoal/Salah Gazel

A cidade de Ouro Verde de Minas, conhecida por sua tradição cafeeira, agora desponta com outra possibilidade de negócio: a pimenta-do-reino. Cultivada principalmente no Pará e no Espírito Santo, o plantio da especiaria em Minas Gerais é novidade. Hoje, 15 produtores rurais do município dedicam suas terras à planta, que chama a atenção de diversos agricultores na região.

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No total, 60 famílias de sete cidades do território Mucuri já cultivam a pimenta-do-reino, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

“A pimenta-do-reino virou uma boa alternativa de fonte de renda e se adaptou muito bem à região, principalmente devido à proximidade com o Espírito Santo, que é um dos maiores produtores no país. Temos um clima parecido com o de lá”, explica o gerente regional da Emater de Teófilo Otoni, Sandro Rodrigues.

As primeiras lavouras foram implantadas em função do trabalho de alguns agricultores da região em lavouras de café no Espírito Santo. De lá, eles trouxeram as primeiras mudas de pimenta-do-reino, e encontrando solo e clima favoráveis, já estão produzindo com índices de produtividade superiores em duas vezes a média nacional.

Espalhados pelos municípios de Águas Formosas, Ataléia, Crisólita, Frei Gaspar, Novo Oriente de Minas, Ouro Verde de Minas e Serra dos Aimorés, os agricultores viram na alta lucratividade da especiaria uma possibilidade de aumento de renda. A Emater-MG orienta os produtores no manejo e tem trabalhado na divulgação da planta como alternativa local, já que ela pode, inclusive, ser alternada com outras culturas.

“Como não é uma planta tradicional no estado, estamos capacitando nossos técnicos extensionistas, fazendo visitas técnicas e demonstrações em lavouras. Temos previsto, para este ano, pelo menos dois encontros na região sobre a pimenta-do-reino, para divulgar e capacitar os interessados”, conta Rodrigues.

De olho no aumento de sua renda, o agricultor Salah Gazel, 45 anos, dedicou 12 hectares da sua propriedade em Ataléia ao cultivo da pimenta. Plantadas há dez meses, as mudas já estão com cachos e a primeira colheita deve ser feita em um ou dois meses. “O custo-benefício me pareceu muito bom, e temos uma região bem adaptada para a pimenta. A primeira colheita é pequena, e mesmo assim já tenho comprador garantido”, comemora.

O que encarece o investimento inicial na produção é que, por ser uma trepadeira, a pimenteira exige um tutor, isto é, madeiras que darão sustentação à planta. Como um pé de pimenta vive de 15 a 20 anos, as madeiras precisam ser de qualidade. “Tive muita assistência da Emater, principalmente no início, que é quando temos que amarrar os pés das pimenteiras que começam a crescer e guiá-los nas estacas, um a um”, diz o agricultor Salah, que hoje tem doze funcionários contratados.

Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador técnico regional da Emater de Teófilo Otoni, Cláudio Celso Soares, a produção de um pé de pimenta-do-reino no primeiro ano é de um quilo. No segundo ano, a quantidade dobra. O pico é alcançado a partir do quarto ano, quando a planta chega a produzir entre quatro a cinco quilos.

De acordo com Soares, em 2015 o quilo do produto era vendido por até R$ 30. Hoje, está em média R$ 20, o que, segundo ele, é um negócio muito bom. “Poucas culturas têm rentabilidade tão alta quanto a pimenta”, afirma. Muito conhecida como tempero, a pimenta-do-reino é empregada também nas indústrias farmacêuticas, de cosméticos e na área de defensivos agrícolas.

Cultivo da pimenta-do-reino
Originária da Índia e trazida ao Brasil na década de 1930, a especiaria deve ser plantada no período chuvoso, e exige, além das estacas para apoio das plantas, uma boa irrigação. O engenheiro agrônomo e coordenador técnico regional da Emater de Teófilo Otoni, Cláudio Celso Soares, reforça que não é necessário muito espaço para a plantação.

Cada hectare de terra comporta, em média, 1.600 pés de pimenta-do-reino, que produzem o ano inteiro. Porém, como é uma cultura que exige cuidados, principalmente no início, a Emater-MG recomenda que o agricultor só plante o que dará conta de cuidar. A pimenteira se adapta melhor a locais mais planos, de altitude mais baixa (abaixo de 400m do nível do mar), com temperaturas mais altas, mas que tenham bons índices de pluviosidade.

Para o agricultor Zelito da Conceição Pereira, 32 anos, de Serra dos Aimorés, que começou a investir no plantio da pimenta para quitar a compra de um terreno, a qualidade da especiaria mineira é a mesma da nacional, mesmo sendo recente. “Tenho 10 mil pés, e no ano passado consegui tirar a média de 4kg por pé. Foi muito bom, vendi tudo para o Espírito Santo. Hoje minha renda vem só da pimenta-do-reino”, conta.

Com Agência Minas

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