Tecnologias agropecuárias integradas promovem desenvolvimento regional no Centro-Oeste de MG. Assista

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A adoção de tecnologias em propriedades rurais tem contribuído com o desenvolvimento regional no Centro-Oeste de Minas. Um projeto da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) promove a aplicação de resultados de pesquisas em fazendas da região de Abaeté-MG.

O trabalho é realizado em parceria com o Sicoob Credioeste e apoio da Emater-MG. A partir da análise de demandas locais dos produtores, são identificadas tecnologias relevantes para melhorias nas propriedades. “Estamos inseridos em uma região onde a pecuária de leite é a principal atividade econômica e, como toda atividade, possui desafios que precisam ser vencidos”, afirma Débora Britto, agrônoma do Sicoob Credioeste e coordenadora da cooperação técnica na região. Ela explica que o projeto busca auxiliar os produtores no desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis, visando a aplicação adequada do crédito rural.

Sinval Lopes, agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo, explica que têm sido realizadas ações de transferência de tecnologia com foco em inovação. “O trabalho vem contribuindo com a produtividade, o lucro, as operações de negócios e, principalmente, com a sustentabilidade. O modelo focado em boas práticas agrícolas em propriedades rurais conecta a agricultura ao conceito saúde”.

Uma das tecnologias com importantes resultados na região é o controle biológico. “O uso de insetos que são inimigos naturais de pragas permitiu restabelecer o equilíbrio natural nas propriedades, com ganhos qualitativos e quantitativos dos sistemas de produção”, comenta Sinval.

O controle biológico foi adotado em quatro propriedades, duas em Abaeté-MG, uma em Paineiras-MG e uma Quartel Geral-MG. “A tecnologia favoreceu a multiplicação de importantes insetos benéficos, reduzindo o uso de defensivos agrícolas e diminuindo o custo de produção da lavoura”, afirma a agrônoma Débora.

Uma das propriedades acompanhadas pelo projeto foi a fazenda São Simão de Baixo, em Abaeté. A produtora Conceição Aparecida Gomes conta que um dos motivos que a levou a optar pelo controle biológico foi a questão da mão de obra, que é escassa na região. “Eu mesma faço. Isso me facilita muito. Vou na lavoura todos os dias. Não tenho preguiça de andar, de olhar, e observo bem. Você tem de saber o que é praga e o que não é. Então, eu monitoro de perto”, conta.

Conceição acredita que o controle biológico é uma tendência que pode valorizar a produção. “A gente produz alimento para o gado sem impacto, assim pode também produzir leite de melhor qualidade e até agregar valor”.

Sérgio Luiz Ferreira, da fazenda Lagoa de Santa Maria, também em Abaeté, é mais um produtor que aprovou a tecnologia. “Gostei muito pelo fato de ser mais econômico e de fácil aplicação. Acho que só temos a ganhar. O inseticida químico, quando é usado de maneira incorreta, acaba descontrolando a natureza”.

Sérgio produziu sorgo BRS 658 para silagem e acredita na importância dos insetos benéficos em sua propriedade para a proteção das plantas. “Tive vizinho que perdeu a lavoura com pulgão, e a minha não foi afetada”.

Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, desenvolve trabalhos há vários anos com controle biológico e explica a vantagem da prática. “Não estamos colocando nada de anormal na natureza. Produzimos e orientamos os agricultores a utilizarem corretamente um inimigo natural de várias pragas de importância econômica. Trata-se da vespinha Trichogramma, um inseto benéfico diminuto, porém muito eficiente por parasitar os ovos da praga e impedir, portanto, a eclosão da larva, evitando danos às plantas da lavoura. A liberação da vespinha no tempo certo e na quantidade adequada reduziu o nível populacional da principal praga de milho e de sorgo, a lagarta-do-cartucho, e permitiu ganho significativo de produtividade das lavouras dos agricultores que usaram a tecnologia”.

Na região de Abaeté, também houve recuperação de áreas degradadas, implantação de curvas de nível e de barraginhas para conservação do solo, e adoção da integração lavoura-pecuária (ILP) utilizando sorgo (BRS 658) e braquiária (BRS Piatã).

Segundo Débora Britto, a técnica de ILP também teve um destaque significativo. “Conseguimos um aumento de produtividade, além de melhorar a qualidade da silagem, o que consequentemente favoreceu um acréscimo da quantidade de leite produzida nas propriedades”.

A agrônoma Débora conta ainda que é possível notar as melhorias na região. “Podemos observar a transição do sistema produtivo convencional para o integrado, garantindo uma produção sustentável”.

Para o agrônomo Sinval, a interseção de diferentes tecnologias tem contribuído com o desenvolvimento regional. “Podemos dizer que a rentabilidade das propriedades é proporcional à quantidade de conhecimento aplicado por hectare”, afirma.

A realidade da fazenda São Simão de Baixo comprova as mudanças. A produtora Conceição conta que a integração lavoura-pecuária tem permitido o aumento de matéria orgânica no solo. Além disso, foram construídas barraginhas para captação da água de chuva e controle de erosão na propriedade. “A umidade fica mais tempo. O resultado tem sido muito bom. Muda bastante a condição da pastagem, dura mais tempo. Mesmo no período bem seco, estamos com gado na área que teve recuperação com ILP, barraginhas e curva de nível”.

Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, ressalta que o trabalho está em sintonia com o papel da instituição. “Como empresa de ciência, a Embrapa gera conhecimentos, e, de forma compartilhada com as áreas pública e privada, busca produzir efeitos no campo, visando produtividade e sustentabilidade”.

Assista o vídeo que mostra o trabalho desenvolvido na região Centro-Oeste de Minas Gerais.

Com informações da Embrapa.

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