Dia D mobilizará a sociedade alertando que a diálise não pode parar

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A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) realizará, pelo 3º ano consecutivo, o “Dia D” da Diálise, data que marca a luta por reivindicações e melhorias para o setor. Em 2020, o marco acontecerá no dia 27 de agosto, mas ao longo de todo o mês de agosto, centenas de clínicas e pacientes estarão engajados em mobilizar a sociedade e o governo em favor de investimentos para a nefrologia. O setor é fundamental para a sobrevivência de 140 mil pacientes renais crônicos no Brasil que dependem do tratamento para manter uma vida próxima do normal. Devido à pandemia, pela 1ª vez o “Dia D” acontecerá totalmente online.

Com o mote Vidas importam! A Diálise não pode parar, as principais reivindicações da ABDCT são pela adequada remuneração das 700 clínicas que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo tratamento de qualidade e acesso para todos os pacientes renais crônicos. A Associação convoca as clínicas, profissionais da área, pacientes e familiares para aderirem à campanha #adialisenaopodeparar, que será online. Peças de divulgação com frases de impacto e apoio à causa, curiosidades e depoimentos de pacientes serão divulgados a partir de 03 de agosto, no site, no Facebook @VidasImportam ou no IG @vidasimportam. Em breve será divulgada a programação do dia 27 de agosto.

Marcos Alexandre Vieira, presidente da ABCDT, convida a sociedade, empresas, redes clínicas, indústrias, médicos, equipes multidisciplinares e familiares a conhecerem a realidade da diálise e potencializarem a campanha em seus perfis nas plataformas digitais. “A saúde nunca foi tão valorizada como nesse momento e, por isso, contamos com o apoio e protagonismo da população na luta por condições mais justas para pacientes renais e colaboradores da área. Todos podem curtir e compartilhar essa importante campanha nas redes sociais. Juntos somos mais fortes! A Diálise não pode parar!”, destaca.

O presidente da ABCDT lembra que a o ‘Dia D’da Diálise de 2020 acontece em um momento muito oportuno, pois a ABCDT celebra seus 30 anos. “Muito há ainda a ser feito e continuamos trabalhando, sobretudo notificando os órgãos públicos sobre a grave crise financeira enfrentada pelo setor”, completou Vieira. Ele destaca ainda que os pacientes renais crônicos dependem única e exclusivamente das sessões de hemodiálise para sobreviverem. Segundo ele, a principal preocupação da Associação quanto à constante falta de investimento e de repasse do valor das sessões de hemodiálise está ligada à menor oferta de tratamento à população.

Sobre o Dia D da Diálise
No ano passado, as ações presenciais aconteceram simultaneamente em 40 cidades do país, mobilizando mais de 16 mil pessoas em defesa do tratamento renal, por meio de audiências, palestras e serviços gratuitos oferecidos à população. Em 2020, o ‘Dia D’ é realizado pela ABCDT com o apoio da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia (SOBEN), Federação Nacional de Associações de Pacientes Renais e Transplantados do Brasil (FENAPAR) e Aliança Brasileira de Apoio à Saúde Renal (Abrasrenal).

Descaso histórico
A falta de repasse do valor das sessões de hemodiálise, que ameaça o tratamento de milhares de pacientes renais, é realidade para dezenas de clínicas de diálise que prestam serviço ao SUS, oferecendo tratamento de terapia renal substitutiva para filtrar artificialmente o sangue. O atraso no repasse do pagamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) pelas Secretarias de Saúde estaduais e municipais aos prestadores de serviço ao SUS está entre os problemas recorrentes na nefrologia. Muitos gestores chegam a atrasar em mais de 30 dias o repasse após a liberação do recurso pelo Ministério da Saúde.

Outra questão está relacionada ao valor pago pelo Ministério da Saúde para o tratamento, que está abaixo do custo real e não acompanha a cotação do mercado. Grande parte dos insumos, como produtos e maquinários são importados, além de gastos com dissídios trabalhistas, folha de pagamento, água, energia e impostos. Com todas essas despesas e a grave diferença de valor, muitas clínicas ameaçam encerrar suas atividades pela falta de recursos para compra de insumos para o atendimento aos pacientes.

Desde 2019, a ABCDT tem se esforçado para pleitear, junto ao Ministério da Saúde, que o pagamento da TRS seja feito direto do Fundo Nacional de Saúde para as clínicas de diálise. A ideia é que os gestores estaduais e municipais passem a exercer apenas a atividade fiscal em relação à assistência prestada aos cidadãos.

A diálise peritoneal, que deveria ser uma alternativa à TRS, também passa por grave crise. Diferente da hemodiálise, que filtra o sangue através de máquina e dialisador para remover as toxinas do organismo, a diálise peritoneal realiza o tratamento dentro do corpo do paciente, por meio da colocação de um cateter flexível no abdômen para a infusão de líquido de diálise para filtrar o sangue do paciente. No entanto, a remuneração também está abaixo do custo e a situação das clínicas que oferecem os produtos e medicamentos é crítica.

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