Relatório da ONU revela desigualdade nutricional em países da América Latina e Caribe

Várias agências da ONU incluindo o Programa Mundial de Alimentos e a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançaram um relatório sobre a desigualdade em nutrição e segurança alimentar em países caribenhos e latino-americanos.

O Panorama Regional da Alimentação e Segurança Nutricional na América Latina e no Caribe 2020 analisa o problema do sobrepeso em crianças e o baixo crescimento, também conhecido como nanismo, em países da região.

Condições precárias
O documento identifica os níveis dos territórios atrasados nesta área em relação às médias nacionais. Segundo o estudo, o sobrepeso infantil em territórios atrasados nesta área na região é duas vezes mais alto que em territórios sem o problema: 13,1% contra 6,6%. O baixo crescimento das crianças alcança 27,6% em territórios que estão altamente atrasados e apenas 11,9% naqueles sem o atraso.

O representante regional da FAO, Julio Berdegué, afirma que as médias nacionais ocultam desigualdades territoriais. Ele lembra que em cada país, existem áreas que alcançaram bons padrões de nutrição, mas outras têm condições muito precárias. Berdegué ressalta que é essencial que os países se concentrem em territórios com o atraso e em soluções adaptadas a cada um.

Indígenas e afrodescendentes
Um de cada cinco territórios analisados pelo relatório está atrasado tanto na questão de sobrepeso infantil como de baixo crescimento. São áreas geralmente rurais com altos níveis de pobreza e uma grande presença de povos indígenas e afrodescendentes.

A diretora do Ifad para América Latina e Caribe, Rossana Polastri, acredita que o estudo confirma a necessidade urgente de se investir em áreas rurais e na agricultura familiar. Ela lembra que são nesses locais onde vivem as pessoas mais afetadas pelos problemas de má nutrição e também pelo custo mais alto de dietas alimentares.

O diretor regional para América Latina e Caribe do Programa Mundial de Alimentos, PMA, diz que o relatório confirma a necessidade para os governos da região de expandir as redes de proteção social e aumentar o gasto social dos benefícios para a população e que alcance os mais vulneráveis e afetados pela insegurança alimentar durante a pandemia.

Mercados informais
O Panorama revela que em 23 países existem 142 territórios nos quais o baixo crescimento de crianças é maior que a média nacional. A diferença entre os altamente atrasados e os territórios sem o atraso alcança 48 pontos percentuais no Panamá e 34 na Guatemala. E é particularmente acentuada em Belize, Colômbia, Guiana e Honduras.

O problema é desproporcionalmente alto em áreas rurais com menos acesso a serviços e com mercados informais de trabalho, com altos níveis de pobreza e baixas taxas de escolaridade.

O estudo mostra que o problema do sobrepeso em crianças com menos de cinco anos afetou 7,5% dos menores da região no ano passado, um patamar acima da médica mundial de 5,6%.

O relatório analisa 141 territórios atrasados nesta área em 22 países da região, e realça que o fenômeno afeta cidades grandes e capitais de cada país mais severamente, ao contrário do que acontece com o nanismo que ocorre mais em regiões rurais.

Pandemia
Os países com as maiores diferenças entre territórios altamente atrasados e os que não têm nenhum atraso são: Jamaica (17,5 pontos percentuais), Guiana (14,7), Panamá (14), Bolívia (12,7) e Peru (10).

O relatório das agências da ONU ressalta que o impacto da pandemia ocorre quando a segurança alimentar regional já sofria fortes consequências. No ano passado, 47,7 milhões de pessoas ou 7,4% da população passavam fome, um aumento de mais de 13 milhões somente nos últimos cinco anos. Além disto, mais de 190 milhões de pessoas vivem em segurança alimentar severa, o que implica que uma em cada três latino-americanos não teve acesso suficiente a alimentos nutritivos em 2019.

A diretora regional do Unicef, Jean Gough, disse que a América Latina e o Caribe o forte golpe econômico da pandemia deixou milhões de famílias com menos recursos para comprar alimentos nutritivos para sua dieta.

Urgência
Ela lembra que a ausência de uma dieta saudável entre as idades de 6 meses e 2 anos coloca as crianças sob risco de má nutrição. Gough diz que para as crianças crescerem com saúde, é preciso com urgência tornar os preços da comida acessíveis a todos.

O novo relatório ainda alerta sobre o aumento de casos de sobrepeso e de obesidade infantil que têm ocorrido entre todas as faixas etárias: em 2016, 315 milhões de pessoas ou quase metade da população regional tinham o problema comparado a 239 milhões em 2006.

Efeitos severos
A situação é séria devido à associação da obesidade com o risco de efeitos mais severos no caso de contágio com a Covid-19.

O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, para o Departamento de Doenças Crônicas e Saúde Mental, Anselm Hennis, disse que a distribuição desigual de recursos e oportunidades tem deixado muitas pessoas para trás. Além disso, a Covid-19 deve aumentar todas as formas de má nutrição infantil incluindo o baixo crescimento, deficiências em micronutrientes, obesidade e sobrepeso.

O Panorama Regional é uma publicação conjunta da FAO, do Ifad, da Opas, da OMS, do Unicef e do PMA. Com ONU News

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