Mundo precisa mudar forma de responder a desafios sobre doença mental

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Um especialista em direitos humanos afirma que deve haver uma mudança radical na forma como o mundo lida com a saúde mental.

Em comunicado, divulgado ontem (6), o relator especial* para saúdes física e mental diz que não se pode mais adotar o modelo atual de resposta a doenças e transtornos mentais.

Consentimento
Dainius Pura apelou aos países-membros da ONU, à sociedade civil, organizações psiquiátricas e também à Organização Mundial da Saúde, OMS.

Para ele, já passou da hora de transformar a maneira como se responde à saúde mental. Pura apresentou um relatório ao Conselho de Direitos Humanos com as recomendações e disse que muito mais deve ser feito na área.

O relator lembrou que atualmente, pessoas com transtornos e doenças mentais ainda são associadas a termos anacrônicos como “loucas” ou “más”, que entendem os comportamentos delas como “perigosos”. Ele também é contra a realização de tratamentos “considerados necessários” sem o consentimento do paciente.

Antibióticos
Para o especialista, esta forma arcaica de lidar com a doença mental leva à dominância de modelos biomédicos que resultam em abusos de remédios e de internações.

Um outro risco são as promessas de substâncias psicotrópicas. Para ele, o benefício dessas drogas não pode ser comparado a outros medicamentos contra outras doenças, como, por exemplo, antibióticos contra infecções.

O relator acredita que a situação atual no cuidado e tratamento de doenças mentais ignora o contexto social, político e existencial que leva à alta prevalência de sentimentos como ansiedade, tristeza, medo e outras manifestações de estresse mental.

Puras afirma que não existe uma solução simples para os transtornos mentais. E que, na maioria dos casos, intervenções psicossociais e sociais são suficientes no tratamento.

Ele lembra que obstáculo como assimetrias de poder no tratamento mental e o domínio do velho modelo biomédico, além o conhecimento tendencioso por parte de muitos psiquiatras, têm de ser revistos e modificados por leis, políticas e práticas.

O especialista pediu que os investimentos sejam redirecionados a grupos de apoio e a alternativas não-coercitivas que abordem as variantes psicossociais da saúde. Dainius Pura também defende o fortalecimento de práticas não violentas e dirigidas por comunidades e grupos de suporte que levem em conta aspectos culturais e de cura.

Estigma
O relator especial advoga pelo fim de instituições psiquiátricas que segregam os pacientes e que se centram em legados históricos de exclusão, autoritarismo, estigma e discriminação.

Pura citou os valores da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que devem ser postos em prática como guia de políticas e serviços de saúde mental.

Para o relator, que é doutor em medicina e professor de Psiquiatria e Saúde Mental de crianças e adolescentes, disse que a pandemia exacerbou as falhas do sistema atual de tratamento de saúde mental, e que este é o momento de demonstrar vontade política de abandonar de vez as internações e o abuso de substâncias no tratamento dessas doenças.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário por sua atuação. Com ONU News

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