Covid-19 lançou milhões de pessoas em pobreza extrema, alerta ONU

As Nações Unidas afirmam que este ano a pandemia da Covid-19 pode lançar 32 milhões de pessoas na pobreza, nos países menos desenvolvidos.

No primeiro estudo sobre o tema, publicado em Genebra, a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, pede um impulso internacional para assistir essas economias na próxima década.

Marketing
A ajuda aos países menos desenvolvidos é “ineficaz para uma transformação econômica estrutural”. O Relatório da Unctad 2020 realça que os esforços pós-pandemia precisam de um impulso drástico das capacidades produtivas. Foi o que explicou à ONU News, de Genebra, o chefe da Sessão do Unctad dos Países Menos Desenvolvidos, Rolf Traeger.

“O que o relatório considera como capacidades produtivas são os recursos produtivos do tipo infraestrutura, capital, financiamento, maquinário e recursos humanos por um lado. Por outro lado, as capacidades empreendedoras do tipo as capacidades que têm as empresas de gerir e fazer marketing, de administrar sua empresa especialmente as suas cidades tecnológicas. Em terceiro lugar, as capacidades produtivas consistem também das ligações que os diferentes produtores, empresas e setores tecem entre si. Fornecendo insumos e produtos umas às outras e que fazem que uma economia seja muito densa.”

Mortalidade
A longo prazo, os efeitos da pandemia podem levar mais 207 milhões de pessoas à pobreza extrema. Se isso acontecer, 1 bilhão de cidadãos viveriam nessa situação em todo o mundo até 2030, de acordo com outra análise apresentada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.

A projeção consta do estudo Base Covid onde o Fundo Monetário Internacional analisa as taxas de mortalidade atuais e faz previsões de crescimento.

De acordo com a nova análise, haverá mais 44 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema até 2030 quando comparadas à trajetória de desenvolvimento global antes a pandemia.

Língua portuguesa
O especialista da Unctad, Rolf Traeger, aborda ainda os cenários de nações africanas de língua portuguesa que integram os 47 países menos desenvolvidos. O único fora deste grupo é Cabo Verde.

“Angola e Moçambique desenvolveram muito o setor extrativo: petróleo carvão gás etc. Mas não desenvolveram o setor industrial. Nenhum dos Palop desenvolveu um setor industrial importante. Então, onde é que se concentra a maior parte da mão de obra, no caso de Angola, de Moçambique e da Guiné-Bissau mais de 50% da população economicamente ativa está trabalhando na agricultura. Então o fato de que a agricultura tem uma produtividade baixa é uma das razões principais para o baixo nível médio de renda da população.”

O Índice de Capacidades Produtivas da Unctad coloca a maioria países menos desenvolvidos como estando 40% abaixo do de outras nações em desenvolvimento que estejam fora desse grupo entre 2011 e 2018.

Um fator a ter em conta é que os já débeis níveis de resiliência ocorrem num grupo de economias com falta de fundos e instituições para reagir a choques externos como a pandemia. Rolf Traeger revela quais as saídas possíveis, com o exemplo de lusófonos.

“Para que se supere essa situação é essencial desenvolver as forças produtivas. Na agricultura aumentar os rendimentos, aumentar o nível de tecnologia para melhorar o nível de vida, o nível de renda médio da população. A exceção é São Tomé e Príncipe no qual a importância da agricultura é muito baixa, sendo um país insular. É só 20% da sua população que está ativa na agricultura.”

Gravidade
O relatório afirma que a situação de fragilidade destas economias é afetada pela gravidade do impacto da Covid-19.

Estima-se que 1,06 bilhão de pessoas vivam nas economias menos desenvolvidas. Este grande peso demográfico contrasta com o rendimento médio de 1,3% do Produto Interno Bruto, PIB global.

No ano passado, a média de rendimento médio por pessoa nessas economias foi de apenas US$ 1 dólar e 88 centavos, contra a média mundial de US$ 11.371.

Além de se alavancar as capacidades produtivas, a Unctad recomenda políticas mais ousadas sendo aprovadas como um pilar essencial “em qualquer recuperação sustentável da pandemia e uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo”.

Escolhas
O apelo à comunidade internacional é que aumente a ajuda aos países menos desenvolvidos com fundos adequados. A meta é permitir que haja um espaço político suficiente e que as economias tenham projeção fazendo as próprias escolhas políticas.

Outra sugestão é que se tomem medidas de apoio internacional mais eficazes, principalmente na transferência de tecnologia. Com ONU News

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