Febre suína ameaça subsistência de milhões de pessoas na Ásia

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A rápida propagação da febre suína africana, FSA, em todo o leste e sudeste da Ásia está ameaçando a segurança alimentar e a subsistência de milhões de pessoas que dependem da criação de porcos na região.

De acordo com o alerta feito esta esta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, os pequenos agricultores são responsáveis ​​por uma proporção significativa da produção de carne suína na vasta região. O surto seria especialmente preocupante para esses produtores, que podem não ter a experiência e os recursos necessários para proteger seus rebanhos da doença.

Carne de porco
A FAO recebeu relatos de que a FSA levou a perdas de renda nos países afetados, onde dezenas de milhões de famílias trabalham com a suinocultura. Quase metade da quantidade de carne produzida na região é suína, que é uma fonte essencial de proteína animal e renda.

Na China, o maior produtor de carne de porco do mundo, cerca de 130 milhões famílias atuam no setor e os pequenos produtores são responsáveis por cerca de 30% da produção nacional.

Os danos causados são agravados pelas restrições impostas pelos governos para conter a propagação da doença, incluindo limitações no transporte e venda de suínos vivos e produtos de origem suína de regiões onde a presença da doença foi confirmada.

Preços
Segundo a agência da ONU, a expectativa é de que as dietas de muitas pessoas vulneráveis ​​que vivem nos países do leste e sudeste da Ásia sejam negativamente afetadas.

A FAO apontou ainda que a carne suína é uma das mais consumidas no mundo e é a mais utilizada em muitos países da região, incluindo na China, no Camboja, no Vietnã, nas Filipinas, na Tailândia e no Mianmar. Se o problema durar a médio prazo, é esperada uma mudança para o consumo de outra fonte de proteínas, principalmente o de aves.

Fora isso, o declínio na produção de carne de porco e depleção dos atuais estoques congelados devem resultar em aumentos de preços.

Surto
Desde o primeiro surto relatado de FSA na província de Liaoning, no norte da China, em agosto de 2018, a doença se espalhou pelo país. Das 34 províncias continentais do país, 32 foram afetadas desde então.

A FAO destaca que apesar das medidas tomadas pelo governo chinês, incluindo o abate de 1,13 milhão de porcos, a doença continua a se espalhar e casos têm sido relatados no Vietnã, no Camboja, na Mongólia, na Coréia do Sul e nos Laos.

A falha atual em conter o problema está sendo atribuída a vários fatores. A FAO cita o fato de que muitos pequenos agricultores não teriam implementado medidas para proteger adequadamente seus rebanhos contra doenças. Fora isso, os porcos em fazendas pequenas são muitas vezes alimentados com restos de comida ou com resíduos orgânicos não cozinhados, que podem conter o vírus.

O comércio transfronteiriço de porcos, alguns dos quais podem estar contaminados, também teria contribuído para a prevalência da FSA.

Consequências
Por estas razões, os especialistas acreditam que a doença irá inevitavelmente se espalhar ainda mais nos próximos meses, com profundas consequências. Entre elas está um grande declínio no número de porcos de criação, afetando o mercado global.

A FSA é uma doença viral contagiosa que afeta suínos e javalis selvagens, causando febre alta e hemorragia interna. Para os seres humanos ela é inofensiva, mas é quase sempre fatal para os animais, uma vez que não há tratamento ou vacina disponíveis.

A doença se espalha facilmente entre porcos domésticos e selvagens através de contato direto, a alimentação com alimentos contaminados e materiais que entram em contato com os animais, incluindo sapatos, roupas, veículos e equipamentos. Com ONU News

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