Chefe humanitário da ONU alerta: “Fome é uma ameaça. É uma realidade”

O Escritório de Assuntos Humanitários (Ocha), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), realizam um evento de alto nível sobre a prevenção e o fim da fome no mundo.

Em encontro virtual, que termina nesta terça-feira (5), os participantes abordaram esforços para impedir o avanço da fome e iniciativas urgentes que a comunidade internacional deve tomar para evitar o agravamento da insegurança alimentar.

Força-tarefa
Uma força-tarefa foi criada em março deste ano durante sessão do Conselho de Segurança sobre conflitos e disponibilidade alimentar. Os principais objetivos do grupo são conscientizar sobre a questão e mobilizar apoio aos países mais afetados.

Em seis meses de trabalho, as agências que integram a força-tarefa foram capazes de levar alimentos a lugares como Sudão do Sul, Etiópia e Burquina Fasso, que estão no topo da lista de países que sofrem com o problema.

Ao falar sobre o trabalho, o chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, destacou que a fome não é um “problema técnico”.

Para o subsecretário-geral, “a fome é uma ameaça. É uma realidade”. Ele reforça que “certamente há pessoas morrendo hoje que não podemos ver. E quando a fome finalmente abre a porta, ela se torna mais viral que outras ameaças”.

Dados
De acordo com os dados apresentados no evento, em todo o mundo, a fome está aumentando. Já são mais de 41 milhões de pessoas enfrentando níveis de emergência de insegurança alimentar em 2021.

O número representa um aumento pela metade em apenas dois anos. As causas passam pelos impactos da mudança climática, conflitos, crises econômicas e consequências da pandemia de Covid-19. A previsão é que esses problemas venham a gerar insegurança alimentar e desnutrição para o restante de 2021 e 2022.

Riscos
A lista de países em alto risco para fome já possui 43 nações, incluindo Angola e Moçambique.

De acordo com a FAO, três locais possuem os maiores desafios: a situação no Haiti após o terremoto e com um cenário incerto; a crise no Afeganistão, onde um em cada três afegãos já sofrem de insegurança alimentar e escassez de serviços básicos. A terceira é a crise consecutiva da seca na África Oriental, impactando o setor agrícola.

O diretor-geral da agência, Qu Dongyu, pediu um aumento urgente das ações preventivas, como os esforços da agência no ano passado durante o surto de gafanhotos.

O chefe da FAO estima que foram evitadas perdas de mais de US$ 1,5 bilhão, protegendo a segurança alimentar de mais de 36 milhões de pessoas.

Investimento
Também esteve no evento o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley. Ao falar sobre sua frustração com a falta de recursos para mitigar o problema da fome, ele citou que “no auge da pandemia de Covid-19, bilionários estavam aumentando seu patrimônio líquido em mais de US$ 5 bilhões por dia”.

Beasley destacou que “há US$ 400 trilhões de riqueza no mundo hoje” e que, no entanto, é preciso “implorar por US$ 6,6 bilhões para salvar 41 milhões de pessoas e evitar que as nações se desestabilizassem e migrações em massa aconteçam”.

Apesar de avanços demonstrados por Martin Griffiths, o chefe humanitário afirmou que é necessário arrecadar mais fundos para expandir as ajudas. De acordo com o subsecretário-geral seriam necessários US$ 6,6 bilhões para implementar os planos e, até agora, apenas metade deste valor foi levantado.

Além das quantias financeiras, o coordenador do auxílio humanitário também mencionou dificuldades para chegar em locais vulneráveis, o que limita a capacidade de ampliar a ajuda humanitária. Com ONU News

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